A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, revisou para cima suas projeções para a dívida pública brasileira. Com a elevação da estimativa para a taxa de juros real neutra, o endividamento bruto do governo geral poderá atingir 124,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2036, ante os 115% previstos anteriormente.
A revisão decorre da mudança na estimativa do chamado juro real neutro, taxa que, em termos teóricos, não estimula nem desacelera a atividade econômica. A IFI elevou essa projeção de 5% para 6,1% ao ano. Uma taxa neutra mais alta pode contribuir para manter os juros em patamares elevados, encarecendo o financiamento da dívida pública.
O impacto também aparece nas despesas com juros. Segundo as novas estimativas, esses gastos poderão alcançar 10,3% do PIB em 2036, o equivalente a mais de R$ 1,5 trilhão por ano, considerando o tamanho projetado da economia brasileira.
Para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB, o país precisaria registrar um superávit primário anual equivalente a 2,9% do PIB. Esse resultado ocorre quando as receitas do governo superam as despesas, desconsiderando o pagamento de juros. Na estimativa anterior, o esforço necessário era de 2,1% do PIB.
O relatório também aponta uma elevação do risco de agravamento do endividamento no médio prazo. A probabilidade de a dívida bruta ultrapassar 90% do PIB até 2030 passou para 81,6%, ante 78,9% na estimativa anterior.
As projeções reforçam o desafio de equilibrar as contas públicas nos próximos anos. Caso as condições econômicas e fiscais consideradas pela IFI se mantenham, o aumento do custo da dívida poderá exigir um esforço fiscal maior para conter o avanço do endividamento brasileiro.
Fonte: IFI

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