Cada vez mais perto da asfixia e após atrasar pagamentos ao Fundo
Monetário Internacional (FMI), a Grécia conseguiu nesta quarta-feira
(10) um pequeno alívio ao poder se refinanciar no mercado secundário,
ação que coincidiu com uma nova tentativa do primeiro-ministro, Alexis
Tsipras, de dar um empurrão nas negociações com os credores
internacionais.
O Tesouro da Grécia emitiu letras a três e seis meses a juros de 2,70% e
2,97%, respectivamente, o mesmo nível de leilões realizados
anteriormente. Segundo a Gestão da Dívida Pública da Grécia (PDMA),
foram colocados € 1,3 bilhão a três meses e € 1,625 bilhão a seis meses.
As letras do Tesouro constituem junto ao mecanismo de assistência do
Banco Central Europeu (BCE) as únicas ferramentas com as quais a Grécia
consegue nesse momento se financiar.
O país tem um teto de emissão de € 15 bilhões em letras do Tesouro,
atingido no ano passado, e por isso só pode colocar no mercado a mesma
quantidade de títulos que estão vencendo.
Um dos pedidos do governo de Alexis Tsipras é poder aumentar esse teto
para ter uma maior liquidez nos mercados. A requisição foi feita em um
dos textos adicionais entregues aos credores internacionais (Comissão
Europeia, Banco Central Europeu e FMI) como complemento de sua proposta
de reformas entregue na última semana.
As regras do BCE, no entanto, determinam que isso só é possível se a
Grécia aplicar as medidas do programa de resgate, atualmente bloqueadas.
À espera a confirmação oficial da reunião entre Tsipras, a chanceler da
Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, o
governo grego afirmou nesta quarta que não recebeu resposta sobre suas
novas propostas.
Impasse
Enquanto fontes do governo garantem que as diferenças ainda existentes
podem ser superadas, os comentários em Bruxelas foram menos otimistas. A
Comissão Europeia afirmou que a proposta da Grécia não reflete o que
tinha sido acordado na semana passada entre o presidente da entidade,
Jean-Claude Juncker, e Tsipras.
O governo grego disse que tratou de reduzir ao mínimo as diferenças com
os credores internacionais e, por isso, se afastou de seus objetivos
iniciais para o superávit primário do país. A meta agora é de 0,75%,
maior que os 0,5% propostos no início do ano. A alta para 2016 foi de
1,5% para 1,75%. Os credores, no entanto, exigem 1% para 2015 e 2% para
2016.
Além disso, segundo informações da imprensa local, a nova proposta do
governo grego inclui uma série de medidas que se afastam claramente dos
objetivos iniciais, mas que representariam um acréscimo de € 730 milhões
de receita.
É o caso do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), que a Grécia só
queria redistribuir sem promover uma alta. O governo de Tsipras tinha
proposto três faixas: 6,5%, 11% e 23%. Na versão modificada, oferece
subir a taxa intermediária em até 13%.
Os credores internacionais pedem que só haja dois tipos de IVA, de 11% e
de 23%, além de exigirem que seja cobrado o imposto máximo sobre a
energia, algo que Tsipras considerou como "inaceitável".
Sobre a previdência, a equipe do governo teria oferecido reduzir as
pensões suplementares superiores a € 300 mensais e aumentar as cotações
dos aposentados ao seguro médico. No total, as medidas propostas por
Atenas somariam em torno de € 2,6 bilhões, enquanto os credores pedem €
3,5 bilhões.
Da EFE
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