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Bol - Milton Cruz não é mais funcionário do São Paulo. O atual analista
de desempenho, que está no clube há 22 anos, foi demitido pela
diretoria na tarde desta quinta-feira. Ele ocupou o cargo de auxiliar
técnico por muitos anos. Segundo apurou o UOL Esporte,
a diretoria tricolor estuda colocar um ex-atleta para ocupar a função
antiga de Milton. Pintado, técnico do Guarani, é o nome mais cotado pelo
clube para ser este homem de confiança dos dirigentes, que fala a
linguagem dos jogadores e transitaria com facilidade dentro do elenco.
O
ex-auxiliar técnico participou de uma reunião com a cúpula são-paulina
na tarde desta quinta-feira e foi informado da decisão pelo novo diretor
de futebol do clube, Luiz Cunha.
"Infelizmente,
algumas vezes a gente tem de cortar na própria carne. Pelas
circunstâncias e pelo momento, fomos obrigado a fazer. Conversamos com o
Milton hoje, falamos que ele é um profissional extremamente bem
sucedido no São Paulo, mas estava sub-utilizado e achamos mais justo e
honesto conversarmos francamente. Também atendemos ao momento de
restrição econômica e financeira de todo o Brasil e por isso, fizemos o
desligamento dele", afirmou Cunha, explicando a demissão. "Se nós
pudéssemos ter o Milton aqui, teríamos. Mas ele recebe o que merece.
Para não ser utilizado plenamente, tivemos que fazer o desligamento.
Será contratado alguém para o lugar dele".
Milton
Cruz, que era um dos mais badalados do clube do Morumbi por anos,
perdeu espaço quando Carlos Miguel Aidar ainda era o presidente. Após a
entrada de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, a situação dele
piorou. O relacionamento conturbado entre o estafe de Leco e o
ex-auxiliar já era notado desde o início deste ano. Algumas pessoas
ligadas ao mandatário interpretavam que o profissional, ao invés de
"apagar incêndios" dentro do elenco, colocava alguns atletas contra a
diretoria.
A
decisão de dar o cargo de analista de desempenho a Milton representou o
afastamento dele do dia-a-dia do futebol profissional pela primeira vez
desde 1994, quando havia sido contratado para a comissão técnica. Neste
período, ele foi auxiliar de vários treinadores de peso que passaram
pelo Morumbi e assumiu diversas vezes a função de técnico do clube na
condição de interino.
"Gostaria
de agradecer a todos os serviços prestados pelo Milton nessas mais de
duas décadas ao nosso lado. Um momento de ruptura certamente não é fácil
para ninguém, mas seu nome já está escrito na história do São Paulo,
que o vê como um grande amigo e deixará sempre suas portas abertas para
quem nos foi tão leal", disse o presidente Carlos Augusto de Barros e
Silva.
Em
nota oficial, o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e
Silva, agradeceu Milton Cruz. "Gostaria de agradecer a todos os serviços
prestados pelo Milton nessas mais de duas décadas ao nosso lado. Um
momento de ruptura certamente não é fácil para ninguém, mas seu nome já
está escrito na história do São Paulo, que o vê como um grande amigo e
deixará sempre suas portas abertas para quem nos foi tão leal".
Saída já vinha sendo estudada
De
acordo com pessoas ligadas a Leco, a saída de Milton já era estudada
desde a mudança de cargo de Ataíde Gil Guerreiro, que deixou a vaga de
diretor de futebol para assumir lugar na área de relações exteriores no
clube. Porém, o presidente entendia que tomar várias decisões de uma só
vez poderia ser uma atitude de cabeça quente, sem pensar muito se as
medidas tomadas eram as mais corretas.
A
chegada de Luiz Cunha no departamento de futebol também foi um ponto
importante para a saída de Milton. O dirigente acreditava que o
ex-auxiliar não se adaptava à nova ideologia do clube, que prevê mais
espaços para os jogadores vindos da base e a implementação da
tecnologia, que começou a ser colocada em prática com a nova equipe de
análise de desempenho.
Após
a demissão de Milton, o próprio Cunha corroborou a informação. "Quando
ele (Leco) me convidou, disse a ele quais seriam minhas ideias e uma
delas era a saída do Milton. O Leco não queria, mas consegui
convencê-lo, é uma coisa lógica e está feita".
Outro
fator que tornou Milton um desafeto da diretoria é sua relação próxima
com Abílio Diniz. O empresário, que o tinha como homem de confiança
dentro do clube, foi um importante aliado na queda de Aidar e também
rompeu recentemente com Leco.
A
saída de Milton pode ter repercussão até entre os torcedores e tornar a
relação entre a diretoria e a torcida Independente ainda mais
conturbada. Neste ano, a maior organizada do clube já havia feito
protestos contra a atual cúpula, especialmente ao diretor Gustavo Vieira
de Oliveira, e pedindo que Milton retomasse seu cargo anterior.
O UOL Esporte apurou
que a diretoria tricolor já espera que a saída de Milton traga ainda
mais problemas com o grupo ligado a Abílio Diniz e com a Torcida
Independente. Porém, acreditam que estão preparados para as críticas que
virão.
Retrospecto
No
clube, Milton assumiu o cargo de técnico interino por várias vezes. Na
última delas, no fim de 2015, ajudou o clube a conseguir a vaga na
Libertadores deste ano. Neste período, ele comandou a equipe em 20 partidas, com 13 vitórias, um empate e seis derrotas. O aproveitamento foi de 66,7%. Em todos os 42 jogos à frente do São Paulo, foram 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas com um rendimento de 58,7%.
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