A quantidade de lixo reciclado na cidade de São Paulo mais do que
dobrou nos últimos três anos, mas a gestão Fernando Haddad (PT) vai
terminar o atual mandato sem cumprir a meta de reaproveitar 10% de todo o
material produzido na capital. Passado mais de um ano da lei das
sacolinhas de supermercados, nenhuma multa foi aplicada até agora por
seu uso incorreto. O item, agora comprado nos caixas dos
estabelecimentos, são vistos como material de educação ambiental pela
Prefeitura.
A capital fechou o ano passado com 85 mil
toneladas processadas de lixo nas usinas de triagem ou nas cooperativas
de catadores. Em 2013, primeiro da gestão petista, eram 40 mil
toneladas. O aumento de 112%, no entanto, fará com que a cidade recicle
apenas 2,5% das 3,4 milhões de toneladas geradas anualmente pelos
paulistanos.
"A meta existe para ser perseguida. Desde o
ano passado e no primeiro semestre deste ano, toda a infraestrutura para
que ela seja alcançada foi desenvolvida", diz o diretor de Planejamento
e Desenvolvimento da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb),
Samuel Oliveira.
As sacolinhas, lançadas para incentivar a
reciclagem, tinham como propósito facilitar a separação do lixo nas
residências. Nas de cor verde, o paulistano deveria colocar o material
reciclável e, na de cor cinza, o lixo comum e também orgânico, a ser
levado para o aterro sanitário. Pela lei, estabelecimentos comerciais
que descumprem a regra podem receber multa de R$ 500 a R$ 2 milhões -
para os moradores da capital, a punição varia de R$ 50 a R$ 500.
Oliveira
reconhece que os itens impostos pela lei não são responsáveis pelo
aumento da reciclagem. "Ela (a sacolinha) é um diferencial para chamar a
atenção, assim como os jingles que tocam nos caminhões de coleta", diz o
diretor da Amlurb.
Uma explicação para a evolução da
reciclagem é a expansão do número de ruas atendidas por caminhões de
coleta seletiva. "Chegamos a 89 dos 96 distritos da cidade com coleta
porta em porta. Em 40, a coleta é universalizada (realizada em todas as
ruas). Até 2012, eram 14", conta Oliveira.
Justificativa
O
resultado aquém do esperado é justificado pela "lei da oferta e
procura". "Estamos oferecendo uma estrutura adequada à demanda existente
hoje. Conforme a população passe a separar mais o lixo, já temos as
bases para que consigamos processar mais material", diz Oliveira. O
argumento é para justificar o fato de que caminhões de recicláveis
passem tão poucas vezes pelas ruas - em geral, é apenas um dia da
semana, contra seis do lixo comum. "Vamos passando uma vez. Quando vemos
que a quantidade é insuficiente, porque a demanda cresceu, podemos
aumentar a oferta", afirma.
Da forma como a coleta foi
organizada na cidade, os caminhões podem ser operados pelas 32
cooperativas ou pelas duas concessionárias do serviço de lixo. Por não
compactar o material coletado nas ruas, os caminhões transportam carga
máxima de 3 toneladas de resíduos ante às 11 toneladas que podem levar
os caminhões de lixo comum.
Atitude
Há
na cidade moradores que têm de brigar para ter o lixo separado coletado
em sua casa. Um deles é Claudio Spinola, diretor de uma empresa que
fornece composteiras para processar lixo doméstico.
Desde
2009, ele pede caminhões de coleta seletiva em sua rua, no Butantã, na
zona oeste da capital. Spinola chegou a procurar diretamente a
cooperativa que atende a sua região para buscar ajuda. "Disseram que a
quantidade que eu produzia não valia a pena. Então, organizei toda a
vizinhança, a rua de cima e a rua de baixo, e montei um ponto de entrega
voluntária em casa. Aí, sim, passaram a retirar", conta.
Animais
Montar
um ponto de entrega de material reciclável, no entanto, causou uma
série de transtornos. "Tivemos de tampar os latões, colocar cadeado,
limpar tudo duas vezes por dia", diz. Diante das reclamações dos
vizinhos, Spinola desistiu da ideia e a coleta parou de ser feita em sua
rua. "Agora, estamos esperando pela empresa e pela Prefeitura", diz.
O
conteúdo das sacolas que chegam às unidades de reaproveitamento de lixo
precisa melhorar. Em apenas uma tarde na Central Mecanizada de Triagem
de Santo Amaro, na zona sul da capital, é possível ver de tudo passar
pelas esteiras de processamento. São chuveiros, guarda-chuvas, torneiras
plásticas, fitas K7. Até corpos de animais chegam aos centros.
"É
comum a gente achar sapatos, ratos, gatos e já achamos até cães", conta
um funcionário. Esse material vai para os contêineres de rejeitos, que
são levados para o aterro sanitário.
Nos primeiros meses de
operação da usina, segundo a administração, 70% dos itens eram de
rejeitos sem utilidade. Atualmente, o porcentual é de 40%.
"Um
mito que existe é que não adianta separar porque todo o lixo vai para o
mesmo lugar. Não é verdade. Precisamos que as pessoas separem o lixo e
coloquem para a coleta no dia certo", diz Samuel Oliveira, diretor de
Planejamento da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb). O
horário da coleta pode ser consultado em www.capital.sp.gov.br.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Caiado lidera aprovação em levantamento da Quaest; Castro registra maior rejeição entre governadores avaliados
A primeira rodada de pesquisas da Quaest sobre as eleições para governador, divulgada nesta semana, também trouxe um panorama sobre os ín...
-
De longe, avisto uma mulher sentada em um banco sozinha. Vestida de forma elegante, mas bem simples, ela espera pacientemente pelo horário ...
-
A senadora Simone Tebet (MDB) deve anunciar seu apoio à candidatura de Lula (PT), na tarde de Hoje. Ontem, a senadora teria conversado, po...
-
Brasileirão Série A 16h - América-MG x Internacional - Premiere 16h - Athletico x Goiás - Furacão Live 19h - Atlético-GO x Santos - ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário