Com a bancada reunida desde o começo da manhã desta quinta-feira (18), o PSDB acompanha todos os passos da operação que tem o senador Aécio Neves (MG) no foco e aguarda a divulgação dos áudios que teriam captado conversa do empresário Joesley Batista com o presidente Michel Temer.

Se confirmado o estímulo de Temer para o pagamento de mesada a Eduardo Cunha em troca do silêncio do ex-deputado, o partido que foi o principal fiador do atual governo deverá se afastar da base aliada, defenderá a saída do presidência da República e a realização de eleições indiretas para a escolha do sucessor do peemedebista.

"A saída terá de ser sempre constitucional", disse um senador, informando que o caminho a ser seguido pelo PSDB é o de os três ministros do partido entregarem seus cargos: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades) e Antonio Imbassay (Relações Institucionais).

Para ter autoridade de pedir o afastamento de Temer, o PSDB terá de substituir Aécio Neves da presidência da legenda. Isso poderá acontecer nas próximas horas, ainda no começo desta tarde, em Brasília.

Aécio está recolhido em casa e teve seus telefones celulares recolhidos pela Polícia Federal na ação de busca e apreensão desta manhã. Mas ele tem conversado com correligionários que devem procurá-lo para definir o processo de seu afastamento da presidência do partido.

O PSDB deve divulgar uma nota ainda nesta quinta. Os senadores da bancada tucana estão em permanente conversa com o ex-presidente Fernando Henrique, a principal liderança tucana.

FHC já vinha manifestando contrariedade com a proximidade excessiva do partido com o governo, que, aliás, tinham como principal contato Aécio.