Um deputado eleito pelo PL afirmou, em conversa reservada, que a possibilidade de um “acordão” em um eventual governo de Flávio Bolsonaro seria praticamente inexistente. Segundo o parlamentar, o futuro governo precisaria construir uma base sólida no Congresso já no primeiro ano de mandato para garantir sustentação política.
De acordo com o relato, a estratégia defendida dentro do partido passaria pela abertura de um processo de impeachment contra pelo menos um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nos primeiros meses de governo.
Na avaliação atribuída ao deputado, a medida seria importante para manter coesa a base política formada em torno de Flávio Bolsonaro. Sem o avanço de um processo de impeachment, haveria o risco de desgaste precoce do governo e de queda de popularidade já no primeiro ano.
O parlamentar afirmou ainda que, dentro desse grupo, o afastamento de ao menos um ministro do STF não estaria sendo tratado como uma medida excepcional, mas como parte da estratégia política de um eventual governo Flávio.
O relato ocorre em meio a um novo cenário no Congresso Nacional. O PL elegeu a maior bancada do Senado para a próxima legislatura, com 28 senadores, e também terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados. Além disso, setores do Centrão passaram recentemente a defender publicamente a possibilidade de impeachment de pelo menos um ministro do Supremo.
A estratégia, contudo, não é consenso nem mesmo entre aliados. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido precisa agir com “equilíbrio” e declarou que “não podemos pôr fogo no país” ao comentar a possibilidade de impeachment de ministros do STF.
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