Pelo quinto ano seguido o Brasil perdeu posições na lista das economias mais competitivas do mundo. Está entre os últimos, num grupo de 61 países.
Para você, competitividade é tipo jogar num time que tem uma baita chance de ganhar o campeonato? É estar no grupo de elite durante toda uma maratona? É estar na pista pilotando um carro que parece um avião de tão rápido?
Para os economistas, competitividade é a capacidade que uma empresa tem de competir com outra de fora de igual para igual. Os economistas falam que isso chama ambiente de negócios. Ou seja, quanto mais fácil for pra uma empresa funcionar num país, mais competitivo ele é. Mas são muitos os ingredientes que fazem essa receita dar certo ou não. Uma alternativa é pensar numa receita de bolo. E, sendo assim, a receita brasileira já erra no começo, nos primeiros ingredientes.
“O sistema regulatório é desfavorável, a carga tributária é alta, é difícil achar mão de obra na qualificação que a empresa pode estar precisando. Então, o problema não é entrar, o problema é operar, e isso vale pras empresas estrangeiras e pras empresas nacionais”, diz o professor de inovação e competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda.
E, trazendo isso pro mundo culinário, quer dizer que... “A nossa farinha está velha e ela está baseada numa forma de moer antiga. E não é uma farinha compatível com a qualidade do bolo que eu estou querendo fazer”, compara Arruda.
Palavra de quem participou de uma pesquisa mundial que analisou a fundo os nossos indicadores de economia, governo e infraestrutura. E, nesse jogo da gente contra o resto do mundo, o bolo brasileiro não segue a receita correta. O certo seria misturar a tal farinha e os outros ingredientes na batedeira, só que é como se a gente batesse na mão por causa da nossa infraestrutura ruim.
E tem outra: nossos juros são muito além da conta. O que também anda acontecendo com a nossa inflação. E também tem algumas boas notícias: o investimento internacional veio maior que o esperado e a taxa de desemprego ainda está melhor que a média mundial. “O Brasil está na quinta posição entre os países que mais atraem investimentos estrangeiros entre os 61 colocados. É interessante entrar no Brasil. Brasil tem mercado, tem potencial e tem perspectiva de futuro. O presente do Brasil que é difícil”, explica Carlos Arruda..
O fundamental pra nossa receita foi frustrante no ano passado. Em vez de uma colher cheia de fermento pro crescimento da economia, a gente só pôs uma pitadinha de nada. E tem um problemão. A gente acrescentou a essa receita o mais podre dos componentes: a corrupção.
Mesmo assim, a massa vai pro forno, é assada, desenformada e montada do jeito que dá. E a produtividade, que podia esconder essa feiura toda, não cumpre esse papel.
Pronto, eis o 56º pior bolo do mundo. E o que a gente faz é colocar esse bolo na vitrine junto com outros 60, que cuidam bem melhor do processo de produção. Diante de todos esses bolos, você compraria o brasileiro? O jeito é torcer pra, no futuro, ele ser melhor preparado.
Jornal Nacional
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