Muito se falou sobre o incidente na Mercedes nas últimas voltas do GP de Mônaco, após a entrada do safety car causada pelo acidente do holandês Max Verstappen na curva Sainte Devote. Pois o tradicional vídeo editado pelo site oficial da Fórmula 1 serviu para tirar todas as dúvidas sobre o que aconteceu. Eis a transcrição da conversa entre Lewis Hamilton e o engenheiro Peter Bonnington.
Peter Bonnington: "Safety car, safety car... Então nós permaneceremos na pista."
Lewis Hamilton: "Você tem certeza que a melhor coisa a se fazer é continuar na pista? Estes pneus perderam toda a temperatura e todos os outros estarão com os pneus supermacios agora."
Peter Bonnington: "OK, entendido, entendido. Box. Box."
Clique aqui e assista ao vídeo do GP de Mônaco no site oficial da Fórmula 1
Ou seja: a revelação da conversa pelo rádio da Mercedes é decisiva. Foi, realmente, um erro coletivo, coisa que o próprio Hamilton já havia admitido, de cabeça mais fria, nas entrevistas à imprensa escrita após a prova, cerca de uma hora após o pódio. E, de acordo com a frase do inglês no rádio, ele teve participação decisiva no equívoco. O que me deixa ainda mais incrédulo quanto à reação de Hamilton após a bandeirada. Todo aquele comportamento serviu para jogar o público contra a equipe, com a criação, inclusive, de teorias da conspiração. A principal delas? De que a Mercedes teria invertido as posições de seus pilotos para "animar o campeonato". Pura baboseira, pois Vettel acabou beneficiado indiretamente.
No domingo, aqui no Voando Baixo, fiz uma dura crítica ao comportamento do piloto inglês após o encerramento da corrida (leia!). Várias reclamações chegaram por meio dos comentários do post, pelo Twitter e pela fanpage do blog no Facebook. Quando soube do conteúdo das conversas pelo rádio entre Hamilton e a equipe, tive a certeza de que estava correto no que disse. O inglês jogou o mundo contra a Mercedes, sendo que ele, repito, teve participação decisiva no erro do time. O comportamento dele na volta de desaceleração, no pódio e na entrevista dos três primeiros foi lamentável. Comportamento típico daquelas pessoas que não sabem jogar em equipe, adeptas daquela frase: "Eu ganho, vocês perdem."
Hamilton tinha todo o direito de ficar chateado, frustrado com a perda de uma vitória quase certa. Mas nada justifica o descumprimento de certos protocolos, como estourar a champanhe e dar a entrevista no pódio. Após a execução do hino alemão para o companheiro Nico Rosberg, o inglês saiu andando para longe dali e teve de ser interceptado por Matteo Bonciani, chefe de imprensa da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que o obrigou a voltar para dar declarações ao público e ao mestre de cerimônias Martin Brundle, ex-piloto e atual comentarista da inglesa Sky Sports. Isso sem falar no desrespeito à família real de Mônaco, anfitriã do pódio. Inaceitável. Comportamento parecido com o de uma criança mimada. Era só cumprir seu papel de forma correta, mesmo sem sorrisos ou comemorações, e estaria tudo certo.
O mundo todo viu isso na transmissão oficial. Só uma hora depois, Hamilton deu as explicações necessárias e assumiu parte da culpa. Muito pouco diante da cena lamentável protagonizada por ele no pódio. O inglês é um grande piloto. Como digo sempre, o que mais tem talento natural na Fórmula 1. O problema é que, mesmo depois de dois títulos mundiais, ainda lhe falta maturidade para encarar este tipo de situação. Automobilismo - principalmente a F-1 - é um esporte coletivo. Hamilton, depois de oito anos, parece ainda não ter entendido isso. O incidente de Mônaco é mais uma prova.
Nenhum comentário:
Postar um comentário