Após três dias de ocupação da sede do Centro Paula Souza por
estudantes, a autarquia que administra as Escolas Técnicas Estaduais
(Etecs) anunciou neste domingo, 1, que vai construir cozinhas e
refeitórios para oferecer a merenda padrão aos alunos de dez unidades,
todas fora da capital paulista. Esta é a segunda tentativa da gestão
Geraldo Alckmin (PSDB) de convencer os estudantes a deixar o local
invadido na quinta-feira passada em protesto contra a falta de
alimentação escolar.
Na sexta-feira, 29, um dia após cerca
de 150 jovens ocuparem o prédio no bairro da Luz, no centro de São
Paulo, o Centro Paula Souza já havia prometido oferecer merenda seca -
bolacha, barra de cereal e suco - para quatro escolas da capital a
partir desta segunda-feira, 2, e para outras sete unidades até o fim
desta semana. Ao todo, 23 das 219 escolas não recebem nenhuma
alimentação escolar.
A proposta foi criticada pelos
estudantes, que decidiram manter a ocupação e impediram a entrada de 500
funcionários da administração e segurança na sede, que fica na Rua dos
Andradas.
A autarquia aumentou a oferta e se comprometeu a
distribuir merenda seca para 23 escolas e a iniciar processo de
licitação para construir a estrutura necessária para produzir a merenda
padrão, com arroz, feijão e mistura.
As unidades beneficiadas são
das cidades de Americana, Cachoeira Paulista, Cruzeiro, Cubatão,
Lorena, Osasco (2), Ribeirão Pires, São José dos Campos e Taubaté. A
instituição não informou, contudo, o prazo para conclusão das
instalações nessas unidades.
"A nossa reivindicação é para
que tenha refeitório com merenda de verdade em todas as Etecs. Essa
merenda seca não resolve nosso problema. Não dá para ficar oito horas na
escola e receber bolachinha", disse um aluno que se identificou apenas
como Chablau, de 16 anos, que estuda na Escola Técnica de São Paulo
(Etesp).
Vale-refeição
Os alunos pedem
que, até a conclusão dos refeitórios nas unidades, o governo providencie
uma espécie de vale-alimentação. Segundo a direção do Centro Paula
Souza, a proposta "é inviável".
A autarquia afirmou ainda
que vai revisar o cardápio da merenda seca, informatizar o controle de
estoque e acompanhar o serviço por meio dos diretores de escolas. "A
partir desta semana todas as Etecs passarão a oferecer alimentação aos
estudantes. Nesse primeiro momento, as escolas que não recebiam
alimentação oferecerão merenda sem necessidade de manipulação", informou
o centro, em nota.
Ainda segundo a instituição, será
criada uma "comissão intersetorial de governança da alimentação
escolar", com a participação de alunos, para discutir e implementar
propostas de melhorias imediatas na distribuição e oferta de alimentação
escolar.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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