Presença confirmada na festa do 1º de Maio promovida neste domingo
pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), no centro de São Paulo, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu ao último grande
ato popular da presidente Dilma Rousseff antes da votação sobre o
prosseguimento do processo de impeachment pelo Senado. No evento, Dilma
prestou reconhecimento aos movimentos sociais e sindicais que foram às
ruas contra seu afastamento e anunciou um "pacote de bondades" que foi
recebido pelas entidades como uma iniciativa tardia.
"É
como se fosse um jogo de futebol. Em um time estão a 'república de
Curitiba', o Congresso e os coxinhas. No outro estão os movimentos
sociais, setores da sociedade que estavam fora da política e o governo. O
problema é que o governo no último ano só fez gol contra. Isso (o
pacote de bondades) não significa que fez um gol a nosso favor. Mas hoje
ela (Dilma) pode marcar um de pênalti", comparou João Paulo Rodrigues,
da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST).
A
presidente anunciou um reajuste médio de 9% no Bolsa Família, correção
de 5% na tabela do Imposto de Renda, contratação de 25 mil unidades do
Minha Casa Minha Vida (1,2% dos 2 milhões de casas prometidas),
ampliação de 5 para 20 dias da licença paternidade dos funcionários
públicos, criação de um Conselho Nacional do Trabalho formado por
governo, empregados e patrões, e a liberação do Plano Safra para a
agricultura familiar.
Com isso, tentou agradar aos
movimentos por moradia, MST e sindicatos, principais defensores de seu
mandato nas ruas. Antes de subir ao palco, Dilma disse a sindicalistas
que sua presença era uma forma de prestigiar e "prestar reconhecimento"
aos movimentos que "lutaram pela democracia". Segundo Dilma, as medidas
estavam previstas no Orçamento da União e "não prejudicam o cenário
fiscal".
Além de anunciar o "pacote de bondades", Dilma
voltou a martelar a tecla de que é vítima de "golpe" e atacou o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hostilizado pela plateia
estimada em 100 mil pessoas pelos organizadores - a Polícia Militar não
calculou o público.
A presidente comparou os decretos de
suplementação orçamentária pelos quais é acusada de crime de
responsabilidade a medidas da gestão tucana. "O Fernando Henrique
Cardoso, em 2001, assinou 101 decretos. Para ele não foi nenhum golpe
nas contas públicas. Isso se chama ter dois pesos e duas medidas."
Sem voz
Lula,
um dos principais articuladores da reaproximação entre governo e
movimentos, havia confirmado presença no ato que, no governo, era
tratado como "último grande comício de Dilma". Entretanto, o
ex-presidente não apareceu no palco da CUT. Aos dirigentes da central
sindical, alegou problemas com a garganta.
O ex-presidente
enfrentou um câncer na laringe em 2011 e tem apresentado dificuldades
para falar nos últimos dias - nos últimos discursos públicos, mostrou
forte rouquidão. Por ordem médica, Lula tem procurado poupar a voz e
feito sessões de fonoaudiologia.
No ato de domingo, porém,
também houve explicação política para Lula não acompanhar Dilma no
palanque da CUT. "Seguramente o ex-presidente queria dar mais
protagonismo à Dilma para o anúncio das medidas", disse o ministro da
Educação, Aloizio Mercadante.
A CUT e movimentos sociais
promoveram atos em diversas capitais, como Recife, Belo Horizonte e
Porto Alegre. Parlamentares aliados do governo protestaram contra o
processo de impeachment de Dilma e criticaram Cunha e Temer. Em Belém,
houve confronto no centro da cidade entre manifestantes favoráveis e
contrários ao afastamento da presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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