Nas alegações finais apresentadas ao Conselho de Ética do Senado,
onde responde a processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, o
senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) disse que foi "explorado para
benefício de terceiros", citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Os advogados de Delcídio pedem que o processo contra ele seja
anulado e indicam suspeição de senadores que compõem o colegiado.
O
julgamento no conselho está previsto para esta terça-feira, 3, mas um
adiamento ainda é possível, já que as discussões no Senado têm sido
dominadas pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No
documento de 155 páginas, os advogados de Delcídio defendem que não há
provas contra o parlamentar.
"A única frágil base
probatória é um documento, além de apócrifo, anônimo", afirma a defesa,
em referência à gravação feita pelo filho do ex-diretor da Petrobras
Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, em reunião com Delcídio, na qual o
senador revelava plano para conseguir um habeas corpus no Supremo
Tribunal Federal para tirar Cerveró da prisão e enviá-lo para fora do
País.
Foi essa gravação que levou Delcídio à prisão em
novembro, sob a acusação de tentar obstruir as investigações da Operação
Lava Jato. Em fevereiro, a prisão preventiva foi revogada. Ele fechou
um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
"Delcídio
Amaral foi explorado para benefícios de terceiros: de um lado, de Lula
para proteger a família do amigo (o pecuarista José Carlos) Bumlai; de
outro lado, de Bernardo Cerveró, que o atraiu por truques cênicos para
criar a 'cama de gato' e conseguir o trunfo da sua colaboração do pai",
diz a defesa.
O documento pede que seja declarada a
suspeição do relator, senador Telmário Mota (PDT-RR), e de todos os
integrantes do Conselho que publicamente anteciparam juízos de valor
sobre o mérito da causa em julgamento.
O Instituto Lula
informou que o ex-presidente já esclareceu, em depoimento prestado à
Procuradoria-Geral da República, que não praticou qualquer ato
objetivando interferir na Operação Lava Jato. Mota disse que vai se
posicionar de maneira formal na terça-feira. Sobre a suspeição, informou
que foi escolhido relator por meio de sorteio e será imparcial.
Bernardo Cerveró e José Carlos Bumlai não foram localizados.
Faltas
Na
semana passada, Delcídio não compareceu à reunião do conselho. Foi a
sexta vez que o senador faltou a uma sessão marcada para ouvir seu
depoimento. Com isso, o relator resolveu adiantar o processo para que o
parecer seja votado já nesta semana.
Caso o Conselho de
Ética decida pela cassação, o processo segue para a Comissão de
Constituição e Justiça. Lá, os senadores terão até cinco sessões para
avaliar e votar a matéria. Por último, o processo segue para o plenário
do Senado, onde Delcídio pode ter o mandato definitivamente cassado. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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