Para economistas ouvidos pela reportagem, faz todo o sentido um
eventual governo de Michel Temer ter uma agenda econômica objetiva. Em
primeiro lugar, porque será um governo de transição com prazo mais curto
de existência. Em segundo, porque agora o cenário não é evitar um
estrago, como foi na gestão do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, é
corrigir o estrago já feito. "Levy tinha uma agenda de reformas de longo
prazo e, obrigatoriamente, uma agenda de curto prazo para tentar evitar
que o Brasil perdesse o grau de investimento: ele tentava apagar o
início de um incêndio. O PMDB agora encontra tudo queimado", diz a
economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for
International Economics.
Nesse cenário, rever a estrutura
de gastos é prioridade, na avaliação do especialista em contas públicas
Raul Velloso. "O gestor público precisa ter liberdade para poder gastar e
para escolher o que vai cortar, onde e quando. A desvinculação é uma
das melhores medidas a serem tomadas", diz ele.
O
ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas avaliou que a estratégia da
equipe de Temer de reduzir a taxa de juros rapidamente está correta, mas
o BC tem de avaliar as condições técnicas para isso. "Se o vice gerar a
expectativa de que vai fazer o que é preciso, os juros cairão, mas
cairão mais rapidamente quanto mais a parte fiscal ajudar", afirmou. E
essa queda pode ajudar, sim, na recuperação. "É uma medida imediata para
retomar algum nível de atividade e conseguir fazer com que a recessão
ao menos pare de se aprofundar - e se não conseguir reverter o quadro
recessivo num prazo razoável, o governo Temer estará perdido", diz o
economista José Luís Oreiro.
Apesar de a composição da
agenda e da equipe ser importante, alguns economistas frisam que o
ponto-chave ainda é político. "No final do dia, o grande desafio é saber
a capacidade do PMDB de aprovar uma agenda mínima no Congresso,
qualquer cenário econômico depende disso", avalia Zeina Latif,
economista-chefe da XP Investimentos. "Eu sou otimista, para mim, o PMDB
entende a gravidade da crise e vai tentar estabelecer uma agenda
mínima." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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