Uma organização não governamental (ONG) argentina que representa
investidores locais tenta bloquear a venda de 67% dos ativos da
Petrobras Argentina à Pampa Energia, anunciada em maio. Representante de
acionistas não profissionais prejudicados pela desvalorização da
multinacional brasileira, a Consumidores Financieros Asociación Civil
para su Defensa busca desde o ano passado uma indenização de cerca de
US$ 1 bilhão da Petrobras.
O argumento é que houve perdas
expressivas decorrentes de corrupção e que os bens da estatal na
Argentina deveriam ser mantidos em garantia até uma auditoria.
Depois
do anúncio, em 3 de maio, do negócio de US$ 892 milhões entre Petrobras
e Pampa, a ONG reforçou a ofensiva na Justiça e procurou a Comissão
Nacional de Valores, o órgão regulador do mercado de ações na Argentina,
repetindo as alegações. A tentativa não ganhou atenção da mídia local
especializada no setor e especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de
S. Paulo consideram remota a chance de êxito.
A
Consumidores Financieros especializou-se em ações coletivas contra
companhias privadas e estatais na área de energia. A concretização da
venda do braço argentino da Petrobras prejudicaria, segundo a ONG
formada por advogados e economistas, a tentativa de cobrar a
indenização.
Em outra frente, a associação abriu em 25 de
abril deste ano uma denúncia na Procuradoria de Criminalidade Econômica e
Lavado de Dinheiro, na qual acusa a Petrobras de infringir o artigo 309
do Código Penal, que pune autores de transações fraudulentas.
Manobra
Ao
Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, um funcionário
ligado à direção da Pampa afirmou ontem que, internamente, se trata a
manobra da ONG como um recurso "para recuperar algum dinheiro" de quem
investiu em ações da Petrobras, mas sem risco para o negócio.
Analista do setor na região petrolífera de Neuquén, Roberto Aguirre opina que "denúncias desse tipo tendem a não ter sucesso".
Logo
após o negócio, a Pampa lidou com rumores de que havia sido apenas uma
intermediária em um plano para revender os ativos à estatal YPF.
Integrantes do PSDB no Brasil consideraram baixo o valor do negócio,
diante de uma perspectiva de valorização com a abertura na economia
promovida por Mauricio Macri, e pediram investigação.
A
venda de ativos da Petrobras na Argentina e no Chile (US$ 490 milhões)
foi uma das últimas decisões da diretoria antes do afastamento da
presidente Dilma Rousseff.
Em comunicado, a Pampa, empresa
de Marcelo Mindlin, negou na semana passada ter um plano de revenda.
Pela transação, a empresa ficará com poços de petróleo, uma refinaria,
duas centrais térmicas e hidrelétricas, plantas petroquímicas e uma rede
de 100 postos de gasolina, dos quais a marca Petrobras desaparecerá
depois de 180 dias.
Outras ações
A
Petrobras já é alvo de algumas ações coletivas e individuais nos Estados
Unidos e o julgamento desses questionamentos, pedindo recuperação de
prejuízos por conta da Operação Lava Jato, está marcado para o dia 19 de
setembro.
O advogado do escritório Pomerantz, responsável
pelas ações na corte em Nova York, Jeremy Lieberman, fala que a
companhia, caso queira um acordo, terá de buscar uma solução com os
investidores para resolver o imbróglio até essa data.
Se
deixar o caso ir para julgamento, o valor determinado pelo juiz para a
empresa pagar aos investidores internacionais pode ser muito maior. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo
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