Em
2013 - após 15 anos interrompidas - as obras recomeçaram e ainda não
foram concluídas. Com um investimento de R$ 36,8 milhões, há um mês as
obras foram novamente desativadas. Desde 2003 o TCU requer a conclusão
das obras. Até hoje os cerca de 50 mil habitantes das quatro cidades que
deveriam ser beneficiadas precisam apelar para água de carros pipa e
poços artesianos.
Em
três décadas e meia, a barragem agora apresenta 63% das obras
concluídas, conforme informou o Ministério da Integração. Segundo o
órgão ligado ao Governo Federal, ainda não há previsão para a conclusão
total da construção e será discutida "a ampliação de recursos
orçamentários" para que o reservatório seja finalizado.
No dia 11 de abril de 2013 foi publicado no Diário Oficial da União o contrato de licitação para execução das obras da barragem.
No
documento consta que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
(DNOCS) contratou os serviços da empresa Consórcio Novatec/GMEC para a
construção. Por e-mail, o G1 solicitou um posicionamento do DNOCS e da
empresa de construção, mas - até a publicação desta matéria - não
tivemos resposta.
Conforme
constam nos dados do DNOCS, a barragem deveria beneficiar cerca de 50
mil pessoas residentes nos municípios de Ingazeira, São José do Egito,
Tabira e Tuparetama - todos no Sertão do estado. Uma das beneficiadas
seria a aposentada Luzinete Lira da Silva. "[A construção da barragem] é
um sonho que a gente nem imagina que vai ser realizado", disse
emocionada.
No
local das obras do reservatório - cuja capacidade será de 49 milhões m³
de água - não há nenhum operário trabalhando. Os caminhões e máquinas
estão encostados. Em frente à construção, o escritório do DNOCS está
fechado. Para o agricultor Luiz Siqueira, a obra não irá beneficiar o
homem do campo. "Não vai ser bom porque a barragem não é de irrigação.
Se agente for precisar fazer uma roça, não temos como fazer porque não
podemos puxar a água da barragem", explicou.
Relatório do TCU
Em
2003 o Tribunal de Contas da União realizou um relatório de auditoria
devido à paralisação das obras em 1998. O TCU constatou que a construção
da barragem geraria 560 empregos diretos e 1.120 indiretos, e ainda
possibilitaria a produção de aproximadamente 83 toneladas de peixes por
ano.
Desapropriação dos terrenos
Em
2014, um grupo de pessoas realizou um protesto sobre o pagamento da
indenização para deixar as propriedades nas proximidades das obras. Ao
G1, o Ministério da Integração informou que "a desapropriação é
realizada de acordo com o andamento das obras. O DNOCS possui um
planejamento de desapropriação que será finalizado antes da conclusão
das obras e do enchimento da barragem".
A
indenização de moradores do local como a agricultora Zuleide Bezerra
ainda não saiu. "Não recebi, não tem promessa de quando vão pagar. A
gente espera que resolvam este problema. Porque agora, com a barragem
parada, fica mais difícil", destacou.
Em
nota, a Integração Nacional ainda destacou que - até o momento - 42
proprietários de terras receberam as benfeitorias e que as outras
propriedades não receberam o pagamento devido à ausência da posse das
terras, documento obrigatório para a indenização.
Fonte: G1
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