Um sacerdote morreu decapitado nesta terça-feira, após ser feito refém
com mais pessoas em uma igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, junto à
cidade de Rouen, na Normandia, França. Os dois criminosos foram mortos
pela polícia.
Dois homens armados sequestraram o padre junto a duas religiosas e dois
fiéis quando era realizada uma missa matinal na igreja, pouco antes das
9h45 local (4h45, em Brasília). Segundo uma das freiras, a decapitação
do padre foi filmada.
Outro homem que foi ferido está entre a vida e a morte, segundo informou
à imprensa o porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet.
O padre assassinado, identificado como Jacques Hamel, tinha 84 anos e
trabalhava há dez nessa igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, onde era
muito apreciado pelos frequentadores, segundo o vigário geral da
arquidiocese de Roeun, Philippe Maheut.
Os dois homens que fizeram reféns eram "soldados do (grupo jihadista)
Estado Islâmico", segundo a agência "Amaq", vinculada aos terroristas.
A agência afirmou que ambos sequestradores realizaram esta operação, na
qual mataram um sacerdote e acabaram mortos, "em resposta às chamadas
para atacar os países da coalizão cruzada", em alusão à aliança
internacional que ataca posições jihadistas no Iraque e Síria.
A seção antiterrorista da Promotoria de Paris assumiu hoje a
investigação e encomendou à Subdireção Antiterrorista (SDAT) e à direção
geral da Segurança Interior (DGSI) as tarefas de investigação do
ocorrido, afirmou em comunicado.
Uma terceira religiosa que conseguiu fugir deu a voz de alarme às
autoridades, que rodearam o templo com agentes do corpo de elite da
Brigada de Investigação e Intervenção (BRI) da Polícia, que mataram os
sequestradores quando estes saíam da igreja em circunstâncias que ainda
não foram esclarecidas.
A freira que conseguiu fugir de uma igreja católica de Saint-Étienne du
Rouvray, na França, para alertar que dois homens haviam feito reféns no
local contou que os terroristas fizeram o padre se ajoelhar, o
decapitaram e filmaram o crime.
Em entrevista à emissora de rádio "RMC", a irmã Danielle explicou que os
assassinos ordenaram aos cinco religiosos que estavam dentro da igreja
para ficarem juntos. Apesar das súplicas dos reféns para que não
cometessem o assassinato, eles não hesitaram em nenhum momento.
Os homens forçaram o sacerdote Jacques Hamel, de 84 anos, a se ajoelhar,
e quando este tentou se defender, "começou o drama", segundo a freira.
"Gravaram em vídeo. Fizeram uma espécie de sermão em árabe em torno do
altar. Foi horroroso", disse Danielle, que acrescentou que conseguiu
fugir no momento em que os homens atacaram o sacerdote e depois pediu
socorro a uma pessoa que passava de carro pela rua da igreja.
Em relação a Hamel, a freira lembrou que "era um padre extraordinário".
O presidente da França, François Hollande, declarou que os "dois
terroristas, que disseram ser do Estado Islâmico", cometeram "um covarde
assassinato".
Um dos terroristas da igreja tinha sido fichado pela polícia
Um dos dois terroristas que mataram nesta terça-feira um sacerdote em
uma igreja em Saint-Étienne-du-Rouvray, junto à cidade de Rouen, tinha
sido fichado pela polícia e usava um bracelete eletrônico.
Segundo informou uma fonte judicial à emissora "France Info", o homem,
cuja identidade ainda não foi confirmada da mesma forma que a de seu
companheiro, tinha permissão para sair de casa de seus pais, onde
residia, entre 8h30 e 12h30 locais.
O terrorista teve a prisão preventiva decretada em 2015, quando foi frustada na Turquia sua tentativa de se unir ao EI na Síria.
No entanto, em março deste ano ele ficou livre, controlado desde então pelo bracelete eletrônico, acrescentou a fonte.
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