O PT realizou pesquisas para medir o impacto eleitoral da decisão de acabar com as bets. Os levantamentos indicam que a proibição conta com forte apoio da população: uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana apontou que 75% dos entrevistados são favoráveis à proibição das apostas online no país.
Apesar da popularidade da medida, o movimento envolve riscos políticos e eleitorais que precisam ser considerados.
Um dos principais é a possibilidade de a oposição explorar a proximidade da decisão com o primeiro turno das eleições e convencer parte do eleitorado de que se trata de uma iniciativa predominantemente eleitoral. Flávio Bolsonaro, por exemplo, já classificou a medida como “eleitoreira” e questionou se uma eventual proibição seria mantida após as eleições.
Outro ponto de atenção é a reação dos clubes de futebol. As bets se tornaram uma importante fonte de receitas para as equipes brasileiras, e uma ruptura dos contratos de patrocínio pode provocar uma reação direta de dirigentes, jogadores, torcedores e outros setores ligados ao esporte. Em 2025, os patrocínios das casas de apostas aos clubes da Série A somaram cerca de R$ 1,03 bilhão, segundo levantamento citado pela Folha.
O tema, portanto, apresenta uma equação eleitoral complexa: de um lado, existe uma ampla rejeição social às apostas online; de outro, a medida pode gerar resistência entre grupos diretamente afetados e abrir espaço para uma disputa política sobre suas consequências.
O ponto central será saber até que ponto o apoio à proibição das bets se transforma em percepção positiva para o governo — e até que ponto a reação dos setores atingidos consegue transformar o tema em um problema eleitoral.
A popularidade da medida é um dado. O seu efeito nas urnas, porém, ainda é uma incógnita.
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