segunda-feira, 1 de junho de 2015

Caçadores desafiam vigilância dos fiscais em reserva no Espírito Santo Invadir a reserva e caçar animais é crime, que pode dar cadeia. Mas a sensação é de impunidade.


No Espírito Santo, o risco para os animais não vem só das estradas. Caçadores desafiam a vigilância dos fiscais de uma reserva de Mata Atlântica.
Na estrada que corta a reserva de Mata Atlântica, em Sooretama, no norte do Espírito Santo, o perigo para os animais passa acelerado.
“Animais raros, animais que tem pouquíssimos exemplares na natureza, principalmente na Mata Atlântica. Eles encontram aqui seus últimos refúgios. Vieram a ser atropelados nos últimos meses”, explica Áureo Banhos, pesquisador UFES.
Aconteceu com a onça parda e com a anta.
As câmeras na floresta servem para monitorar os passos dos animais. Os túneis, construídos para o escoamento de água, hoje são um caminho seguro para muitos bichos atravessarem a BR-101. Tudo é gravado.
Só que as câmeras, espalhadas em locais estratégicos na mata, começaram a registrar a presença não só dos animais. O que apareceu em cena virou motivo de preocupação para os pesquisadores. Ficou nítido que a ameaça não passa só pela estrada.
Repare a paca no vídeo. Ela vai ser abatida. Difícil reconhecer o caçador. Ele está encapuzado. Usa roupa camuflada e até silenciador na arma.
A possibilidade da gravação de flagrantes parece ter incomodado os caçadores. O suporte que protege as câmeras teve que ser reforçado: ganhou correntes e cadeados.
Os caçadores não se intimidam. Na beira da rodovia, a placa de identificação da reserva tem marcas. Foram seis tiros. A outra placa também virou alvo de tiro. E ainda foi arrancada e queimada.
“As pessoas agem em retaliação e até como uma forma de provocar as equipes de fiscalização”, afirma o analista ambiental Marcel Redling.
Os caçadores miram para todos os lados. Recentemente, uma harpia, a maior águia das Américas, mais uma espécie ameaçada de extinção, foi encontrada, ainda com vida, na beira da estrada. O raio-X revelou que havia chumbo no corpo dela. Marcas de dois tiros. A harpia acabou morrendo.
A fiscalização não é suficiente para inibir os caçadores. Eles deixam rastros. É comum os fiscais também encontrarem frutas e raízes amontoadas em alguma área da reserva. É um banquete para pacas. Bem perto, um "poleiro" feito com pedaços de pau.
“Poleiro é uma estrutura extremamente simples. Feita com madeira amarrada em árvores. O caçador se posiciona nela e aguarda os animais chegarem para efetuar a atividade de caça”, explica o analista.
Invadir a reserva e caçar animais é crime, que pode dar cadeia. Mas a sensação é de impunidade.
“Se você pegar a lei de crimes ambientais, ela prevê detenção de seis meses a um ano e multa. Em um julgamento, é normal a pessoa ter a conversão de multa em cesta básica e alguma pena alternativa”, afirma o analista.


 

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