O consumo das famílias caiu pela primeira vez em sete anos. Mas essa má notícia pode ajudar a combater a inflação. O desafio agora é recuperar os investimentos para gerar emprego e melhorar os salários.
A taxa de desemprego no mês passado foi a maior desde 2011. O desafio é grande, no momento em que a economia está parada. Este é um quebra-cabeças complicado. Diminuir o consumo ajuda a combater a inflação, mas não ajuda a economia girar.
A publicitária Rebeca Schmidt começou no ano passado. Ela decidiu mudar hábitos da família para cortar gastos. Transferiu o filho para uma escola pública. E o escritório de uma sala alugada para dentro de casa. Agora reduziu drasticamente as idas ao salão de beleza e as compras de produtos supérfluos. “Olha eu queria ter diminuído mais. Mas como as coisas ficaram muito caras, eu acho que se a gente diminuiu uns 30% assim foi muito”, conta
Foi o que aconteceu com quase todas as famílias brasileiras. Elas diminuíram o consumo em 1,5% no primeiro trimestre deste ano na comparação com os últimos três meses do ano passado. “Eu ando gastando menos. Eu acho que as coisas encareceram um pouco e devido toda essa crise que o nosso país está passando, acho que a gente tem mais é que economizar”, afirma a calculista Tatiana Rodrigues.
Shopping center? “Mais para passear, olhar a vitrines, se vê uma promoção que realmente seja promoção e que valha a pena, ai a gente pode até dar uma olhada”, conta a professora Carla Adriana.
Foi a maior redução do consumo das famílias desde o último trimestre de 2008 e o que mais pesou para a redução de, 0,2% no Produto Interno Bruto.
Essa queda no consumo já era esperada, entre outros motivos porque desde de setembro o Banco Central vem aumentando a taxa básica de juros, a Selic. E com os juros em alta, fica tudo mais caro mesmo e mais difícil conseguir dinheiro emprestado para financiar carros, imóveis, comprar a prazo. Desse jeito o governo espera combater a inflação.
O professor da Universidade de Brasília Roberto Piscitelli acredita que o remédio amargo dos juros altos ajuda a frear a inflação, mas lembra que ele também provoca aumento da dívida pública e redução nos investimentos das empresas. “A tendência clara, até pelo nível de atividade econômica atual é de que haja uma desaceleração da inflação. Agora, em prejuízo, sem dúvida, do mercado de trabalho. Não há dúvida de que a gente vai ter um aumento de desemprego, de que pode haver um aumento da rotatividade dos trabalhadores com substituição de trabalhadores de salários mais altos por trabalhadores de salários mais baixos”, prevê o economista.
O economista Roberto Padovani diz que, além de combater a inflação é fundamental resgatar a confiança dos brasileiros na recuperação da economia. “Quando a gente resgata essa confiança de empresários e consumidores, as coisas começam a melhorar. Quando a inflação cai, as coisas começam a melhorar. O que a gente está fazendo é preparando terreno pra essa retomada, a inflação vai começar a cair, os empresários vão começar a enxergar um horizonte mais claro, previsível, vão voltar a investir”, analisa.
Para o ano que vem, o ministro da Fazendo diz que o cenário será de inflação mais baixa.
Bom Dia Brasil
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