As equipes de resgate lutavam para chegar nesta terça-feira nas
regiões afetadas pelo terremoto que atingiu ontem o Paquistão e o
Afeganistão e que já matou 363 pessoas e feriu mais de 2 mil.
Helicópteros foram necessários para levar ajuda e suprimentos, uma vez
que as regiões estão localizadas em locais remotos e estradas foram
bloqueadas.
De acordo com autoridades afegãs e
paquistanesas, 248 pessoas morreram no Paquistão e 74 no Afeganistão, de
acordo com Ismail Kawusi, porta-voz do Ministério da Saúde do
Afeganistão. Mais de 10 mil edifícios foram danificados ou destruídos. O
número de mortos deve subir, uma vez que equipes de resgate tem chagado
somente agora em comunidades isoladas na região montanhosa.
O
tremor, de magnitude 7.5, teve o epicentro nas profundezas das
montanhas Hindu Kush, que faz parte da cordilheira do Himalaia,
localizada de uma província pouco povoada de Badakhshan, no Afeganistão,
que faz fronteira com o Paquistão, Tajiquistão e China.
O governador de Badakhshan, Shah Waliullah Adeeb, disse que, ao todo, 13 distritos da
província
tinham sido afetados, com mais de 1.500 casas destruídas ou
parcialmente destruídas. Segundo ele, o número de mortos deve subir, uma
vez que as equipes de resgate ainda estão chegando em algumas áreas
remotas e aldeias.
Helicópteros foram necessários para
atingir as aldeias mais remotas, que são inacessíveis pelas estradas.
Além disso, deslizamentos de terra e queda de rochas bloquearam as
poucas estradas existentes. Alimentos e outros itens essenciais estavam
prontos para serem enviados, mas "chegar até lá está difícil", disse
Adeeb.
Os militares também estava distribuindo alimentos e
cobertores para as pessoas de regiões remotas no noroeste e norte, onde
foram registrados a maioria dos acidentes e danos.
Badakhshan
é uma das regiões mais pobres do Afeganistão e é frequentemente
atingida por terremotos, mas os números de vítimas são geralmente baixos
porque não possui muitos habitantes. Menos de 1 milhão de pessoas vivem
pelas vastas montanhas e vales. A região também sofre com inundações,
tempestades de neve e deslizamentos de terra.
No Paquistão,
o Vale do Swat e áreas ao redor das vilas de Dir, Malakand e Shangla,
nas montanhas da província de Khyber Pakhtunkhwa, também foram duramente
atingidas pelo terremoto. A cidade paquistanesa mais próxima do
epicentro é Chitral, enquanto no lado afegão é o distrito de Jurm de
Badakhshan. Mais de 2.500 casas no Paquistão foram danificadas.
Os Estados Unidos ofereceram abrigos de emergência e kits de abastecimento armazenados em
armazéns
em todo o Afeganistão. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Josh
Earnest, o governo dos EUA está em contato com autoridades do
Afeganistão e do Paquistão e está pronto para prestar qualquer apoio
adicional.
O Paquistão disse que não vai emitir apelo à
comunidade internacional por ajuda, uma vez que o país tem recursos
necessários para realizar o resgate e trabalho de socorro.
Além
das dificuldades em chegar até as regiões afetadas, há também receios
de um aumento contínuo no número de paquistaneses e afegãos que ficaram
desabrigados e expostos a temperaturas muito baixas.
"Nós
estávamos prevendo um inverno rigoroso", disse Zafar Hashemi, porta-voz
do presidente afegão, Ashraf Ghani. Ele disse que as províncias afetadas
receberão financiamentos adicionais para responder à crise humanitária
crescente.
Fonte: Associated Press.
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