sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Marina Silva emite opinião em artigo após impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff


Foto: Léo Cabral/REDE Sustentabilidade
Foto: Léo Cabral/REDE Sustentabilidade
Blog da Marina Silva
A democracia, assim como toda a ação política que se realiza dentro dela e por meio dela, pressupõe profundo respeito e o cumprimento das regras que a sustentam. Uma ação ou um determinado processo político não se transforma em democrático apenas por declarações inflamadas ou meramente retóricas a respeito da democracia. No entanto, está parece ser a visão de muitos políticos ou de seus seguidores que confundem democracia com seus próprios interesses. Em seu discurso é democrático apenas o que está de acordo com a sua vontade.
É democrático montar um pesado sistema de desvio de recursos públicos, fraudes, tráfico de influência, caixa 2 para amealhar centenas de milhões de reais e assim financiar campanhas que já vêm marcadas pela venalidade da relação entre políticos e seus financiadores?
É democrático mentir, caluniar, difamar, armar simulacros de programas ou lançar mão de técnicas de marketing para maquiar a realidade, com a finalidade de perpetuar-se no poder, burlando regras que deveriam ser seguidas por todos?
É democrático mudar a Constituição Federal por meio de um destaque e anular o preceito constitucional que instituiu – em seu artigo 52, parágrafo único – expressamente como consequência de uma decisão de impeachment: “(…) perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício da função pública”?
É democrático fragilizar a base constitucional da nação por motivos casuísticos, para satisfazer interesses políticos e fortalecer jogos políticos que tanto mal já causaram à sociedade?
O que avilta a democracia é a relativização dos valores para facilitar a convivência cínica com vários pesos e medidas. O que avilta a democracia é a existência de visões e estruturas políticas e ideológicas autoritárias, que se arvoram do poder de decretar o que é o bem e o que é o mal, sempre em benefício próprio e das ambições pessoais ou de um grupo.
O que avilta a democracia é a frouxidão e o descaso com os valores da ética e da justiça. É sacrificar a vida de pessoas, submetendo-as a situações de profunda angústia, como a gerada pelo desemprego, sem sequer fazer uma autocrítica de erros, de desvios, de assalto ao patrimônio público.
O que avilta a democracia é a falta de atenção prioritária à saúde, à educação, à proteção ao meio ambiente e outros requisitos para que todos tenham uma vida digna.
O que avilta a democracia é a lógica populista, quer de direita ou de esquerda, de fulanizar e partidarizar conquistas importantes para a sociedade em lugar de institucionalizá-las como direitos, em respeito à cidadania.
Uma das formas de golpear a democracia acontece quando um grupo político decide desviar recursos públicos para financiar ilicitamente campanhas e assim fraudar resultados eleitorais, interferindo de forma ilegítima na vontade soberana da maioria.
Na presente conjuntura, esse golpe aconteceu e só poderá ser reparado e verdadeiramente punido com outro julgamento, que não é o do impeachment da, então agora, ex-presidente Dilma. Trata-se do julgamento do TSE sobre as fraudes da campanha de Dilma e Temer em 2014. O TSE tem em suas mãos o poder de desfazer o malfeito, demonstrando que acabou o tempo das apostas de que tudo pode ser feito e nenhuma punição virá para aqueles que, efetivamente, aviltam a democracia.

 http://macaibanoar.com.br/

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