A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para anular um relatório da Polícia Federal e a ofensiva do ministro Alexandre de Moraes contra o colega André Mendonça.
Na avaliação da jornalista Lygia Maria, da Folha de S.Paulo, os dois episódios acabaram alimentando uma narrativa de “falsa equivalência” dentro da disputa que envolve o caso Banco Master. Segundo a colunista, a controvérsia também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle e responsabilização dentro da própria Corte.
Gonet argumenta que Mendonça teria determinado diligências envolvendo um ministro do STF sem provocação do Ministério Público ou da Polícia Federal e sem observar, segundo sua interpretação, o rito aplicável aos integrantes do Supremo.
Moraes, por sua vez, passou a questionar a atuação de Mendonça em outro inquérito, relacionado às chamadas fake news. A medida ampliou o embate entre os dois ministros e adicionou uma nova frente à crise institucional que envolve o Supremo.
Lygia Maria sustenta que Mendonça não teria determinado diretamente uma investigação contra Moraes, mas solicitado a identificação de pessoas com foro privilegiado mencionadas em conversas obtidas durante uma investigação já existente. Na avaliação da colunista, caberia posteriormente ao próprio STF decidir sobre eventuais investigações.
O episódio coloca novamente em discussão os limites da atuação dos ministros do Supremo, o papel da PGR e os mecanismos de controle sobre integrantes da mais alta Corte do país.
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