O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria resistindo à adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal, mesmo diante do aumento das pressões sobre as contas públicas. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o petista avalia que propostas de maior contenção de gastos poderiam ser interpretadas como uma espécie de “estelionato eleitoral”, por contrariar compromissos assumidos durante a campanha.
A resistência presidencial já teria sido comunicada à equipe econômica, com a orientação de que nenhuma medida que represente um recuo em relação às promessas eleitorais receberá seu aval.
A pressão sobre o Orçamento, entretanto, já impõe desafios ao governo. Pelas estimativas mencionadas, será necessário remanejar pelo menos R$ 20 bilhões de outras áreas para financiar iniciativas como o Pix de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs), o programa Pé-de-Meia e a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Outros R$ 10 bilhões deverão vir de economias previstas no Bolsa Família e na Previdência.
No mercado financeiro, a perspectiva de maior pressão fiscal contribuiu para aumentar a preocupação dos investidores, em meio à queda da Bolsa e à alta do dólar e dos juros após o resultado eleitoral.
Enquanto isso, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou as propostas de contenção de despesas e afirmou que “o tesouraço foi derrotado nas urnas”.
O cenário coloca o governo diante de um dilema: preservar as promessas de campanha ou adotar medidas de ajuste para conter o crescimento das despesas públicas. No centro dessa discussão está uma questão que preocupa economistas e investidores: quem arcará com o custo das escolhas fiscais do governo?
Fonte: Folha de S.Paulo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário