segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Rompeu ou não rompeu? Pérola de um desastre político anunciado


Amélia Ciarlino chororôE o prefeito, hein? Rompeu ou não rompeu com o governador?
O dramalhão político-eleitoral-administrativo-pessoal do final de semana foi uma pérola, daquelas que não dizem nada com coisa alguma, mas ajuda a clarear detalhes até então escondidos na pouca luz dos bastidores.
A carta-pronunciamento da primeira-dama Amélia Ciarlini foi revisada na mansão número 1 do município de Mossoró. Ela leu o que deveria ser dito em desabafo “natural”, mas a sua dificuldade de retórica a obrigou a leitura.
Amélia rompeu politicamente com o governador Robinson Faria (PSD). Com olhos inchados de chorar (era para tudo isso?) chamou o agora ex-parceiro político de “ingrato”, por não socorrer o seu marido na presente campanha eleitoral.
Isso no sábado (3) pela manhã, depois de a primeira-dama, segundo ela, ter decidido falar para Robinson, via face live, sem Silveira saber, apesar de ter sido no aparelho virtual do prefeito.
No drama, Amélia queixou-se que o governador sequer atendeu ou respondeu o seu contato, “apesar de ter lido”. Sentiu-se humilhada. Porém, tornar a situação pública foi uma desmoralização.
Sequenciando a novelesca de quinta categoria, no domingo (3), 24 horas depois do chororô da esposa, Silveira, que não sabia de nada, apareceu no mesmo dispositivo da rede social facebook, ao lado dela, para dizer que está “aguardando” o governador se pronunciar sobre o episódio, e que acha que tudo não passa de um mal-entendido.
Como assim?
amélia e silveirinhaNo mesmo vídeo, a primeira-dama pede a palavra para dizer que a sua opinião não é a mesma do marido. Ou seja, Silveira Júnior é “light” com Robinson, mas Amélia desce a pua.
Pode isso, Arnaldo?
Bom. Vamos traduzir:
O choro da primeira-dama é consequência da fracassada campanha eleitoral de Silveira. O ataque ao governador foi uma tentativa de, na marra, obrigar Robinson a mandar a “estrutura” que está faltando para o prefeito seguir a sua caminhada.
Como se a essa altura do campeonato a dita “estrutura” resolvesse alguma coisa. Mudasse a vontade do povo de Mossoró, exposta nas ruas da cidade e verificada nas pesquisas, publicadas ou não.
O fato é que o desespero chegou a ponto crítico no final de semana porque o prefeito não teve como cumprir (com raríssimas exceções) a segunda parcela do compromisso assumido com os partidos e candidatos a vereador do seu palanque, vencida no dia 20 de agosto.
A esperança era o “fôlego” vindo de Natal, embora o governador não tenha feito essa promessa ou dado alguma garantia.
Aliás, Robinson foi contra à candidatura de Silveira desde o primeiro momento, por entender que uma gestão com 80% de reprovação popular não tinha condições de pedir ao eleitor mossoroense uma nova oportunidade.
O “recuo” de Silveira ao transferir para o governador a decisão de romper ou não, mesmo dizendo que respeita a opinião da primeira-dama, foi o freio urgente e necessário imposto por familiares e amigos que estão alojados na estrutura do Governo do Estado em Mossoró.
Dois exemplos dentro da própria casa:
1 – Rina Márcia, mãe de Amélia, é a diretora da 2a Diretoria Regional de Educação, comandando as escolas de Mossoró e de mais 15 municípios jurisdicionados.
2 – Lúcia Bessa, mãe de Silveira, é a diretoria administrativa-financeira do Hospital Regional Tarcísio Maia, com influência em toda a região Oeste potiguar.
Julianne FariaInclusive, a primeira-dama do Estado, Julianne Faria, usou seu endereço nas redes sociais para rebater a acusação de “ingratidão”, afirmando que o prefeito Silveira foi muito bem atendido por Robinson. “O prefeito indicou todos os cargos de confiança no município de Mossoró sabia?”, escreveu Julianne.
Julianne também tornou público que Amélia pediu o controle do Programa do Leite em Mossoró, o que foi recusado, porque “na Sethas o critério é republicano, o município tem que fazer a sua parte.”
Portanto, a reclamação de que Robinson não foi atencioso com o casal, não se ampara na verdade. O governador foi, sim, parceiro, e  pode ser dito que o prefeito deve favores a Robinson de antes mesmo de se eleger prefeito.
São favores que resolveram situações delicadas, da época que Silveira era presidente da Câmara Municipal, que quem frequenta os bastidores da política conhece muito bem.
Pois bem.
A primeira-dama mandou o governador para o “inferno”.
E o prefeito? Vai ficar com a companheira ou com Robinson?
Por enquanto, o silêncio.


Blog do César Santos


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