quarta-feira, 29 de abril de 2026

RN registra aumento de casos de ciguatera e autoridades reforçam alerta após novo episódio em Natal

 

O Rio Grande do Norte voltou a registrar novos casos de intoxicação por ciguatera, doença associada ao consumo de pescado contaminado. Na última segunda-feira (27), cinco pessoas de uma mesma família foram notificadas em Natal, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN. Com o novo episódio, o estado soma 115 ocorrências desde 2022, quando foi identificado o primeiro surto em território potiguar.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar provocada por toxinas produzidas por microalgas que habitam regiões de corais e recifes. Essas substâncias entram na cadeia alimentar marinha e se acumulam principalmente em peixes de maior porte e de hábito carnívoro. No histórico recente do estado, casos foram associados ao consumo de espécies como barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, o que amplia a preocupação das autoridades sanitárias com o consumo de pescado de origem desconhecida.

Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do alimento contaminado. Entre os principais sinais estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e sensação de gosto metálico na boca. Em alguns casos, os efeitos podem persistir por semanas ou até meses, aumentando o impacto da doença sobre a saúde dos pacientes.

Diante do avanço dos registros, a Sesap emitiu nota técnica com orientações à população, comerciantes e profissionais de saúde. A recomendação é buscar atendimento imediato ao apresentar sintomas, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas. Também é indicado preservar amostras do alimento para análise e evitar o consumo de espécies associadas a episódios anteriores, especialmente quando não há garantia de procedência.

As equipes de saúde devem notificar casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e às autoridades sanitárias. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN mantém atendimento permanente para suporte técnico. Não há antídoto específico para a ciguatera, e o tratamento é baseado em medidas de suporte clínico, como hidratação e controle dos sintomas, reforçando a importância da prevenção e da vigilância epidemiológica.

Fonte:  ANNA RUTH DANTAS

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