Um dia depois de o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitar, por 5 votos a 4, a abertura de uma investigação sobre sua atuação no caso Banco Master, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, participou, no sábado (26), do casamento do filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em São Paulo.
A presença de Gonet na cerimônia ganhou relevância em meio à controvérsia envolvendo sua atuação no caso Master. O PGR foi citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e aparece em uma fotografia ao lado do banqueiro durante um evento privado em Londres, no qual houve degustação de uísque e charutos.
O episódio de sexta-feira terminou com duas decisões distintas do CSMPF: por 5 votos a 4, o colegiado rejeitou a abertura de procedimento investigativo contra Gonet; em outra votação, por 9 votos a 0, decidiu mantê-lo na condução dos processos relacionados ao Banco Master.
No sábado, Gonet esteve na cerimônia realizada na Casa Fasano, em São Paulo, ao lado de autoridades do Judiciário. Entre os convidados estavam também Gilmar Mendes e Flávio Dino, ministros do STF, além de integrantes do Superior Tribunal de Justiça.
A sequência dos acontecimentos — a decisão do Conselho na sexta-feira e a presença de Gonet na celebração familiar no dia seguinte — reacende, no debate público, questionamentos sobre a percepção de independência e imparcialidade do procurador-geral na condução do caso Master. Esses questionamentos, contudo, não equivalem, por si só, à comprovação de impedimento ou suspeição jurídica.
A controvérsia ganhou força depois que vieram a público informações sobre a relação de Gonet com Vorcaro. Segundo dados divulgados a partir de material apreendido pela Polícia Federal, Gonet participou, em abril de 2024, de uma degustação de Macallan e charutos em Londres que também contou com a presença de Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades.
Em mensagens obtidas pela PF, Gonet chegou a demonstrar entusiasmo com o evento, escrevendo: “Que tenha charuto e Macallan!”. O episódio passou a integrar o conjunto de fatos analisados no debate sobre sua atuação no caso Master.
A decisão do CSMPF, por sua vez, teve fundamentação diferente da interpretação de que teria ocorrido uma simples “blindagem”. O relator, Francisco Sanseverino, afirmou não identificar elementos suficientes para justificar a abertura de investigação, entendimento acompanhado pela maioria do colegiado.
O caso, portanto, reúne uma sucessão de episódios que colocaram sob escrutínio as relações institucionais e pessoais entre integrantes das principais estruturas do sistema de Justiça. A discussão agora ultrapassa a existência ou não de uma investigação formal contra Gonet e envolve também a confiança pública na independência daqueles responsáveis por conduzir processos de grande repercussão nacional.
Fontes: Agência Brasil
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