O fortalecimento político do bolsonarismo teria reduzido a necessidade de uma participação direta das Forças Armadas na política, segundo avaliação do cientista político João Roberto Martins Filho, professor titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Em entrevista à BBC News Brasil, o especialista afirmou que os militares voltaram aos quartéis durante o governo Lula e que esse distanciamento da política institucional tende a continuar mesmo diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.
Segundo Martins Filho, a principal diferença em relação ao governo de Jair Bolsonaro é que o movimento político ligado à família Bolsonaro teria adquirido força própria, especialmente após o desempenho eleitoral de seus candidatos.
Para o pesquisador, o cenário atual indica que o bolsonarismo poderia chegar ao poder sem depender da participação política dos militares. Ele também avalia que Flávio Bolsonaro tenderia a evitar a presença de generais no núcleo do governo, justamente para se diferenciar da experiência de seu pai.
Durante o governo Jair Bolsonaro, mais de 6 mil militares da ativa e da reserva ocuparam cargos na administração federal, segundo levantamento citado pela BBC com base em dados do Tribunal de Contas da União (TCU).
Martins Filho considera que a intensa participação de militares no governo anterior teve consequências negativas para as Forças Armadas e afirma que, atualmente, os comandos das Forças têm adotado uma postura mais distante da atividade política.
Fonte: BBC News Brasil — entrevista com João Roberto Martins Filho

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