Vamos aos dados.
Ontem, Lula apostou em um vídeo no estilo “influenciador” e alcançou um recorde de métricas nas redes sociais. O problema, segundo uma análise do comportamento digital das publicações, está em quem efetivamente interagiu com o conteúdo: a maior parte já fazia parte de sua base de apoio.
Cerca de 89% dos comentários nas publicações foram feitos por pessoas que já costumavam engajar com conteúdos relacionados a Lula.
O dado levanta um questionamento estratégico para a campanha: alto engajamento significa, necessariamente, ampliação de alcance eleitoral?
A avaliação é de que não.
A estratégia de recorrer a deputados eleitos e parlamentares com forte atuação em nichos específicos pode produzir números expressivos nas redes, mas não necessariamente ajuda a alcançar o eleitor indeciso ou aquele que ainda está distante da disputa.
Em eleições proporcionais, como a de deputado, a conquista de votos costuma depender fortemente da mobilização de nichos políticos, grupos ideológicos e bases eleitorais específicas. Nesse cenário, falar com a audiência de um parlamentar de nicho tende a significar, na prática, falar novamente com um público que já está politicamente engajado.
Assim, Lula pode até aprofundar a conexão com sua própria base, mas dificilmente conseguirá furar a bolha apenas repetindo esse modelo de comunicação.
Se o objetivo da campanha fosse alcançar eleitores indecisos ou pessoas que sequer participaram da última eleição, a estratégia precisaria mirar comunicadores, lideranças e canais capazes de dialogar com públicos que não estão previamente alinhados ao lulismo.
O desafio, portanto, não é apenas produzir números impressionantes de visualizações, comentários ou curtidas. É transformar engajamento digital em expansão real da base eleitoral.
Porque, quando a campanha conversa apenas com quem já está convencido, os números podem até ficar bonitos — mas isso não significa, necessariamente, que a campanha esteja avançando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário