Após enfrentar problemas logísticos e violar o manual das invasões militares, as forças de Vladimir Putin chegam ao sexto dia da guerra na Ucrânia numa nova etapa, potencialmente mais destrutiva para Kiev. O surgimento do comboio de 64 km de comprimento rumo à capital ucraniana e a intensificação do bombardeio sobre Kharkiv, a segunda maior cidade do país, são o símbolo dessa mudança.
A resistência local deverá ter problemas para segurar o assalto que se ensaia. Não que ela não tenha tido seus momentos de glória, apesar da romantização exacerbada na mídia ocidental, mas eles parecem ter derivado mais de erros de Moscou do que de sua qualidade técnica intrínseca.
Em novembro de 2020, após a derrota armênia na guerra contra o Azerbaijão, o analista militar russo Konstantin Makienko, do Centro de Análises de Estratégias e Tecnologias, de Moscou, escreveu um texto profético no jornal Vedomosti.
Em uma declaração publicada nesta segunda-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores da Rússia ameaçou retaliar países europeus que enviarem armas, equipamentos militares e combustíveis para as Forças Armadas da Ucrânia, como forma de auxiliar na resistência à invasão ordenada por Vladimir Putin.
Segundo a rede de TV americana CNN, a chancelaria russa afirma que cidadãos e organizações da União Europeia “não podem deixar de compreender o nível de perigo” de fornecer esse tipo de auxílio aos ucranianos.
“Cidadãos e organizações da União Europeia envolvidas em fornecer armas letais, combustíveis e lubrificantes para as Forças Armadas da Ucrânia serão responsáveis por todas as consequências de suas ações no contexto da operação militar especial em curso. Eles não podem deixar de compreender o nível de perigo das consequências”, alertou o documento.
De acordo com o governador Ibaneis Rocha, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, cassou uma recomendação em que promotoras do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios classificavam a vacinação de crianças contra a covid-19 como ‘experimental’ e se posicionavam contra a imunização em escolas públicas e a exigência do passaporte da vacina para a volta às aulas.
A informação foi anunciada pelo chefe do Executivo do DF na noite deste domingo, 27, no Twitter. Segundo Ibaneis, a decisão ainda determina que o MPDFT “se abstenha de divulgar notícia falsa em relação à vacinação infantil”.
A ação contra a recomendação do MPDFT foi impetrada no Supremo na terça-feira, 22, pelo Partido Verde (PV). A legenda contestou o fato de o governo do DF ter decidido acolher a recomendação da Promotoria “para suspender a exigência do passaporte de vacinação nas escolas públicas do Distrito Federal alegando tratar-se de ‘vacinação experimental'”.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, deixará o governo Bolsonaro neste mês de março para disputar as eleições deste ano. Ele tentará uma vaga de deputado federal por São Paulo, pelo PL, mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro. A confirmação da saída de Pontes dá a largada a uma série de baixas no primeiro escalão do governo.
Pelo menos 10 ministros devem deixar os cargos para buscar um cargo eletivo em outubro, entre eles Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), que deve disputar o governo de São Paulo; e a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), que deve tentar o Senado por São Paulo ou Amapá.
Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro tem defendido uma posição de “neutralidade” do Brasil sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia para evitar prejuízos para negócios do país, mas suas declarações simpáticas ao presidente russo, Vladimir Putin, vão ter o mesmo efeito negativo para o Brasil no médio prazo, alertam aliados do próprio presidente da República.
“As contradições do Bolsonaro vão prejudicar o Brasil. De um lado, ele tenta passar a imagem de que ficará neutro para evitar obstáculos para importação de fertilizantes, mas na prática ele tem um discurso a favor do Putin e isso será levado em conta, no médio prazo, pelos Estados Unidos e países europeus nas nossas negociações com eles”.
Segundo interlocutores do presidente da República, se Bolsonaro desde o início tivesse mantido realmente uma posição de “imparcialidade”, como disse o ministro Carlos França (Relações Exteriores), estaria tudo bem para o Brasil buscar manter sua linha diplomática tradicional.
A Microsoft é outra das gigantes tecnológicas a tomar medidas contra a invasão da Ucrânia. A companhia americana revela que detectou ataques cibernéticos contra a infraestrutura tecnológica ucranianos na quinta-feira (24), horas antes do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenar a invasão do país.
A companhia tem o governo da Ucrânia como cliente e afirma que vem acompanhando a situação de perto no país. A empresa classifica a ação dos russos como “trágica, ilegal e injustificada”.
“Nos últimos dias, fornecemos inteligência sobre ameaças e sugestões defensivas para as autoridades ucranianas sobre ataques a vários alvos, incluindo instituições e fabricantes militares ucranianos e várias outras agências governamentais”, informa um comunicado, publicado no blog oficial da companhia na terça-feira (28).
Com o feriado de Carnaval, a Rodoviária de Natal apresentou um fluxo maior de passageiros neste sábado (26), sejam para desembarcar na capital ou começar viagem a caminho de seus destinos finais. A administração do local não esteve disponível para informar dados específicos sobre o movimento no terminal mas funcionários do local apontaram que embarques e desembarques estavam equilibrados. Potiguares entrevistados planejam um Carnaval tranquilo com amigos e família.
O avanço da vacinação contra a covid-19 permitiu um maior sentimento de segurança para aqueles viajantes que passaram pelo local. Uma certa melhora nos quadros relacionados as síndromes respiratórias no Rio Grande do Norte foi visto como algo positivo para aqueles que estavam saudosos pela celebração do Carnaval.
A Policia Rodoviária Federal esteve presente na Rodoviária de Natal para promover uma ação de conscientização com os passageiros de ônibus, parte da programação da Operação Carnaval 2022. Segundo Nazir Araújo, chefe substituto do Núcleo de Segurança Viária da PRF, essa operação educativa visa reduzir o número de mortes nas rodovias federais.
Chegaram ao Brasil na manhã de hoje (1) os jogadores de futebol Pedrinho e Maycon, que atuam no time Shakhtar Donetsk, da Ucrània. Os dois tentavam sair do país desde o início dos ataques das tropas da Rússia. Eles desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
Maycon expressou o alívio por chegar ao país natal, junto com sua família. “Graças a Deus. Foram momentos difíceis com muitas famílias. É um momento de alívio e felicidade poder encontrar todos. Os meninos [outros jogadores que ainda estão na Ucrânia] vão conseguir chegar bem também”, disse.
Maycon disse que o aviso da Embaixada do Brasil sobre o trem que sairia da Ucrânia foi dado com pouca antecedência, o que gerou uma corrida contra o tempo para reunir as famílias. “A embaixada deu a opção de um trem, e no desespero decidimos sair rápido. Esse trem sairia às 16h e já eram 15h, então tivemos que acelerar todo mundo com criança com tudo e conseguimos chegar. Depois de 17 horas de trem e mais umas 15 horas de ônibus conseguimos passar a fronteira da Moldávia e depois a Romênia”, disse.
A Ucrânia está enfrentando uma escassez de produtos médicos importantes e teve que interromper uma campanha urgente para conter um surto de pólio desde que a Rússia invadiu o país, disseram hoje (1º) especialistas de saúde pública. Necessidades médicas já são agudas e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que os suprimentos de oxigênio estão acabando.
Temores de uma crise de saúde pública mais ampla estão crescendo, com as pessoas fugindo de suas casas, serviços de saúde sendo interrompidos e entregas de suprimentos não conseguindo chegar à Ucrânia, que já havia sido atingida pela pandemia de covid-19.
O porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, disse que a imunização de rotina e as tentativas de controlar um surto de pólio haviam sido suspensas na Ucrânia por causa da guerra. A OMS recebeu relatórios indicando que as campanhas de vacinação contra o novo coronavírus também foram suspensas em muitas partes do país.
Após prazos expandidos em 2020 e 2021, o contribuinte terá menos tempo para declarar o Imposto de Renda em 2022, que terá início no próximo dia 7 de março e vai se encerrar dia 29 de abril. O programa do IRPF 2022 pode ser baixado aqui, mas só será liberado para download às 8h do primeiro dia de declaração.
Entre as novidades da declaração deste ano está que os contribuintes terão acesso à declaração pré-preenchida em todas as plataformas, não só pelo portal e-cac como era antigamente. Tanto a restituição quanto o pagamento de imposto devido poderão ser feitos via PIX. A tabela do IR não foi atualizada e as regras de quem deve declarar seguem as mesmas.
Mais de 660 mil pessoas já deixaram a Ucrânia, fugindo das consequências do ataque militar russo ao país. A informação foi divulgada hoje (1), pela agência da Organização das Nações Unidos para Refugiados (Acnur).
A ONU teme que a ofensiva russa cause “a maior crise de refugiados da Europa neste século”, já que milhares de pessoas de várias nacionalidades que vivem na Ucrânia, incluindo brasileiros, estão se deslocando em direção a países vizinhos.
Segundo equipes da agência, na fronteira com a Polônia, a fila de pessoas tentando deixar o país já chega a quilômetros, com relatos de pessoas que afirmam estar há mais de 60 horas expostas ao frio intenso, tentando ingressar em território polonês.
Após a suspensão de atividades e pagamentos durante de Carnaval, a Caixa Econômica informou que o saque-aniversário do Fundo de Garantia por tempo de Serviço (FGTS) — modalidade de retirada anual de parte dos recursos do fundo — para trabalhadores nascidos em março será liberado na Quarta-Feira de Cinzas (2).
O depósito dos recursos também será feito no dia 2, segundo a Caixa. Geralmente, os pagamentos começam no dia 1 de cada mês. Mas desta vez o feriado adiou seu início. Os trabalhadores nascidos em março também podem aderir o saque-aniversário para retirar o dinheiro ainda neste ano. Para isso, é preciso comunicar à Caixa Econômica Federal sua adesão à modalidade.
Os interessados podem fazer a solicitação e receber parte do saldo do FGTS ainda em 2022. Pelas regras do sistema, os saques podem ser efetuados a partir do primeiro dia útil do mês de aniversário e até dois meses após o mês de nascimento do trabalhador – por exemplo, quem nasceu em março pode sacar do início do mês até 31 de maio.
O prazo para aderir é o último dia do mês de aniversário, e a opção precisa ser comunicada à Caixa. A solicitação pode ser feita pelo site da Caixa, pelo aplicativo do FGTS. pelo internet banking da Caixa ou nas agências.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança, na Quarta-feira de Cinzas, 2 de março, a Campanha da Fraternidade de 2022, com o tema: “Fraternidade e Educação” e o lema bíblico, extraído de Provérbios 31, 26: “Fala com sabedoria, ensina com amor”.
A abertura oficial ocorrerá com a divulgação de um vídeo às 10h, com pronunciamentos dos membros da presidência da CNBB e convidados. Será possível acompanhar o vídeo por meio das redes sociais da entidade (Youtube e Facebook) e emissoras de televisão de inspiração católica. A abertura virtual, assim como a do ano passado, deve-se à escolha da CNBB, como forma de prevenção à Covid-19.
Para os veículos de comunicação, a Assessoria de Comunicação da CNBB organiza uma coletiva de imprensa, com representantes da direção da entidade, por meio da plataforma Zoom. A sala virtual, onde os jornalistas poderão assistir ao vídeo de lançamento da CF, será aberta às 9h50. Um cadastro será necessário para acessá-la e receber o texto-base da CF. Caso tenha interesse em participar, preencha o formulário para o acesso: https://forms.office.com/r/UMK5mn5KBN.
Policiais civis e o Governo do Rio Grande do Norte decidiram iniciar a criação de uma nova proposta em relação ao Adicional por Tempo de Serviço (ADTS).
As partes iniciaram a criação de uma minuta de projeto de lei. No entanto, ficou definido que o SINPOL-RN, a Adepol-RN e a Assesp-RN vão finalizar esse texto, com as assessorias jurídicas, e protocolar oficialmente para o Governo.
O poder público estadual terá até 72 horas para apresentar uma resposta.
“Abrimos mão de vários pontos que a categoria considerava justo, mas estamos criando um projeto que leva em conta a preservação da carreira, evitando redução de salário e impedindo retrocesso nos direitos já conquistados”, afirma Edilza Faustino, presidente do SINPOL-RN.
Medida entra em vigor na quarta-feira (2) e proibirá saída para valores acima de US$ 10 mil
Medida ocorre em meio a uma série de sanções econômicas contra a RússiaDado Ruvic/Reuters
O governo da Rússia anunciou nesta terça-feira (1º) a publicação de um decreto que proíbe a saída de moeda estrangeira no país, em meio a uma série de sanções impostas por países ocidentais que restringiu o acesso russo a suas reservas internacionais.
A medida entra em vigor na quarta-feira (2) e é válida para valores acima de US$ 10 mil (o equivalente a cerca de R$ 51,6 mil, na cotação atual), e engloba apenas recursos financeiros, ou seja, não impede a exportação de produtos que tenham um valor superior ao estabelecido pelo decreto.
Segundo o diretor do CNN Brasil Business, Fernando Nakagawa, o decreto é uma resposta do governo a uma série de medidas econômicas anunciadas pelo Ocidente, como a impossibilidade de movimentação financeira de empresas e indivíduos russos a partir da exclusão do país no Swift, um sistema de pagamentos global, e o congelamento das reservas internacionais do país.
“Desde então, o governo tem anunciado medidas para tentar reagir a essa falta de capitais e impedir a saída, fuga de capital do território russo. Ontem, o governo passou a obrigar exportadoras a vender 80% dos recursos em moedas estrangeiras”, diz Nakagawa.
Ele avalia o novo decreto como “duro”, e deve atingir em especial as empresas russas. “Para uma empresa, movimentar só US$ 10 mil não quer dizer nada, é muito pouco. A depender dos detalhes, inviabilizaria que filiais de multinacionais pudessem enviar lucros ou pagamento de royalties a sua sede em outro país”.
O anúncio também ocorre em meio ao segundo dia de desvalorização do rublo frente a outras moedas, em especial o dólar. A moeda norte-americana valorizou 20% na segunda-feira (28), e já sobe mais de 10%, com 112 rublos valendo US$ 1. A bolsa de valores do país não abriu pelo segundo dia consecutivo.
Autoridades dos EUA alertam que os números absolutos da Rússia podem ser capazes de superar a resistência ucraniana em Kiev
Um enorme comboio russo está se aproximando de Kiev nesta terça-feira (1º), e as autoridades dos EUA alertam que os números absolutos da Rússia podem ser capazes de superar a resistência ucraniana.
A Maxar disse que viu nuvens de fumaça subindo de várias casas e prédios perto das estradas onde o comboio está viajando, embora não esteja claro qual foi a causa.
As novas imagens surgem quando autoridades dos EUA disseram a parlamentares em briefings classificados na segunda-feira que uma segunda onda de tropas russas provavelmente consolidará as posições do país na Ucrânia e, por números absolutos, poderá superar a resistência ucraniana, de acordo com duas pessoas familiarizadas com os briefings.
“Essa parte foi desanimadora”, disse um legislador à CNN.
O comboio russo é visto junto com a fumaça subindo do que parece ser casas em chamas, a noroeste de Invankiv, na Ucrânia. / Maxar
Mas as autoridades americanas temem que o pior ainda esteja por vir. Autoridades norte-americanas que antes estavam surpresas com a feroz resistência ucraniana que viu cidadãos comuns pegarem em armas agora temem que a situação esteja se tornando “muito mais desafiadora” para os ucranianos.
Autoridades dos EUA disseram na segunda-feira que a Rússia provavelmente sitiaria Kiev, levando a cenas feias de guerra urbana, disse uma das pessoas familiarizadas com o assunto.
Em Kherson, onde os militares ucranianos resistiram por dias a um ataque russo, as linhas defensivas ucranianas parecem ter caído e veículos militares russos foram vistos dirigindo dentro da cidade.
Depois de uma reunião no Capitólio na segunda-feira, onde o embaixador ucraniano nos EUA pediu por mais armas, o senador republicano de alto escalão Jim Risch disse que a Ucrânia está lutando.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kubela, disse que “ataques com mísseis russos” causaram a explosão. Ele reforçou, então, o pedido para que outros países “isolem a Rússia totalmente”.
A busca por possíveis vítimas continua em andamento, ainda segundo o governo.
Na segunda-feira (28), pelo menos nove civis foram mortos por ataques com foguetes russos em Kharkiv, disse o prefeito Ihor Terekhov. Segundo ele, três crianças morreram.
“Os mísseis atingiram prédios residenciais, matando e ferindo civis pacíficos. Kharkiv não vê tantos danos há muito tempo. E isso é horrível”, disse ele. Terekhov disse que quatro pessoas saíram do abrigo para pegar água e foram mortas.
Uma família de dois adultos e três crianças foi queimada viva em seu carro, disse ele. Outras 37 pessoas ficaram feridas. A administração da cidade de Kharkiv deu os mesmos números.
Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, declarou que armas americanas "devem retornar para casa" e exigiu que o Ocidente não construa instalações militares em ex-repúblicas soviéticas
A Rússia exigiu, nesta terça-feira (1º), que os Estados Unidos retirem suas armas nucleares de países da Europa.
De acordo com a agência de notícias RIA, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que “já é hora das armas americanas voltarem para casa”. “É inaceitável para a Rússia que alguns países europeus sediem as armas nucleares americanas”, acrescentou.
Ele também disse que o país está pronto para trabalhar com os EUA em uma “estabilidade estratégica”.
Em um discurso gravado exibido na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na Suíça, o chanceler da Rússia declarou que o Ocidente não deve construir instalações militares em ex-repúblicas soviéticas.
Lavrov também destacou que a Ucrânia ainda possui tecnologia nuclear soviética, e que os russos “não podem falhar em responder a esse perigo”.
“A Ucrânia ainda tem tecnologias soviéticas e os meios de entrega de tais armas”, disse. “Não podemos deixar de responder a este perigo real”, concluiu.
Ele fez o discurso para uma pequena multidão, já que muitos diplomatas, incluindo França e Reino Unido, fizeram uma passeata para protestar contra a invasão da Ucrânia pela Rússia .
Eles ficaram em grupo do lado de fora da reunião durante o discurso de Lavrov, segurando uma bandeira ucraniana.
A explosão atingiu um prédio do governo, de acordo com vídeos do incidente postados pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia (MOFA) e funcionários do governo. Os clipes foram publicados também na terça-feira, no horário local, e foram verificados pela CNN.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kubela, disse que “ataques com mísseis russos” causaram a explosão. Ele reforçou, então, o pedido para que outros países “isolem a Rússia totalmente”.
A busca por possíveis vítimas continua em andamento, ainda segundo o governo.
Na segunda-feira (28), pelo menos nove civis foram mortos por ataques com foguetes russos em Kharkiv, disse o prefeito Ihor Terekhov. Segundo ele, três crianças morreram.
“Os mísseis atingiram prédios residenciais, matando e ferindo civis pacíficos. Kharkiv não vê tantos danos há muito tempo. E isso é horrível”, disse ele. Terekhov disse que quatro pessoas saíram do abrigo para pegar água e foram mortas.
Uma família de dois adultos e três crianças foi queimada viva em seu carro, disse ele. Outras 37 pessoas ficaram feridas. A administração da cidade de Kharkiv deu os mesmos números.
PIB russo é o 12ª maior do mundo, de acordo com o FMI, cerca de 25% menor que o da Itália e mais de 20% menor que o Canadá
Moedas de rublo russoGetty Images/Bloomberg Creative
A Rússia não é uma superpotência, pelo menos não quando se trata da economia global.
Seu produto interno bruto a coloca apenas como a 12ª maior economia do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, cerca de 25% menor que a Itália e mais de 20% menor que o Canadá, dois países com uma fração de sua população.
Então, diante de sua invasão da Ucrânia, por que o Ocidente está relutante em atingi-la com toda a gama de sanções econômicas disponíveis, como foi feito com outros estados párias?
A resposta é simples: petróleo e gás natural.
A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e um dos maiores exportadores de petróleo. Alguns especialistas dizem que cortar essas exportações pode elevar os preços dessas commodities em até 50% segundo algumas estimativas, muito mais do que os picos mais modestos de um dígito nos preços observados na semana passada.
“Isso não é a Coreia do Norte. Não é a Venezuela. Não é o Irã”, disse Josh Lipsky, diretor do Centro de Geoeconomia do Atlantic Council, um think tank internacional. “Por causa das exportações de energia [Rússia], é sistematicamente importante e especialmente importante para o mercado mundial de energia.”
As sanções anunciadas esta semana contra a Rússia incluíam cortes para sua indústria de energia. Lipsky argumenta que se o Ocidente proibisse as exportações de energia da Rússia, isso aumentaria os preços da energia de uma forma que beneficiaria a economia russa em vez de prejudicá-la. Ele disse que a Rússia encontraria outros compradores para sua energia, como a China, e teria mais dinheiro entrando, não menos.
“Sim, a proibição das exportações de energia pareceria uma medida extrema”, disse ele. “Mas teria realmente o efeito desejado?”
No momento, os países europeus, que são muito mais dependentes do petróleo e do gás natural russos, não estão dispostos a dar esse passo, disse Gary Clyde Hufauer, membro sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, defensor de medidas mais duras contra as exportações de energia da Rússia.
“A Europa teria que recorrer a controles de preços e racionamento”, disse ele. “Isso seria muito impopular. Eles não estavam dispostos a pagar o preço.”
A Rússia também tem uma rica oferta de outros recursos naturais, incluindo madeira e muitos minerais. É o segundo maior produtor de titânio, crucial para a produção de aeronaves, e a Ucrânia é o quinto maior produtor do metal. A Boeing pode ter problemas se os suprimentos forem cortados, admitiu o CEO Dave Calhoun em uma teleconferência de resultados em janeiro.
“Contanto que a situação geopolítica permaneça inalterada, não há problema. Caso contrário, estaremos protegidos por um bom tempo, mas não para sempre”, disse ele na época.
Mas a Rússia não é um grande mercado para as exportações dos países ocidentais. Os EUA exportaram apenas US$ 6,4 bilhões em mercadorias para a Rússia no ano passado, de acordo com dados do Departamento de Comércio, o que pode parecer muito, mas na verdade é menos de um quinto das exportações para a pequena Bélgica. (Em comparação, os produtos dos EUA exportados para a China no ano passado chegaram a US$ 151 bilhões.)
“A Rússia é incrivelmente sem importância na economia global, exceto para petróleo e gás”, disse Jason Furman, que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos do governo Obama, ao The New York Times nesta semana. “É basicamente um grande posto de gasolina.”
E a nação que foi a primeira a colocar um satélite e um homem no espaço sideral ficou muito atrás do resto do mundo em tecnologia.
A Rússia continua sendo líder em tecnologia militar e inteligência artificial, sem mencionar criptomoedas, disse Hufauer. Mas depende de importações para a maioria das outras formas de tecnologia, em vez de produção interna. As sanções impostas às exportações de tecnologia para a Rússia prejudicarão sua economia.
A grande questão é por quanto tempo as sanções contra uma nação pária continuarão?
Lipsky e Hufauer acreditam que estarão em vigor por anos, embora não necessariamente as muitas décadas de sanções dos EUA contra a Coreia do Norte e Cuba tenham permanecido em vigor. E quanto mais as sanções forem aplicadas, maiores serão os danos à economia russa,
“As sanções podem levar muito tempo para afetar”, disse Lipsky.
Autoridades dos serviços de inteligência ocidental informaram repetidamente que as forças russas encontraram resistência "mais dura do que o esperado"
Cinco dias depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, parece que as coisas não estão saindo exatamente como planejado pelo presidente Vladimir Putin até agora.
Autoridades dos serviços de inteligência ocidental informaram repetidamente ao longo do fim de semana que as forças russas encontraram resistência “mais dura do que o esperado” de uma força armada ucraniana com menor contingente e armas.
A Rússia não conseguiu, até agora, tomar cidades-chave em toda a Ucrânia, incluindo a capital Kiev. No domingo (27), forças ucranianas repeliram com sucesso um avanço russo em um campo aéreo estratégico perto de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, que tem estado sob ataque quase constante.
Além de uma resistência feroz de forças ucranianas e civis, a invasão russa sofreu desafios logísticos, com soldados na linha da frente ficando sem combustível, munições e alimentos.
“Eles estão tendo problemas”, disse uma fonte da Otan a respeito das forças russas, apontando para dados novos da Inteligência da aliança. “Eles não têm diesel, eles estão avançando muito lentamente e a moral é obviamente um problema”.
Mas um alto funcionário da defesa dos EUA disse aos repórteres no domingo que a Rússia só usou dois terços do poder total de combate para executar a missão, deixando uma quantidade significativa de forças disponível para pressionar a ofensiva.
Na segunda-feira (28), um comboio de quilômetros de veículos militares russos avançava para Kiev enquanto a Inteligência do país também sugere que Belarus está preparada para aderir à invasão russa, de acordo com uma autoridade ucraniana.
Representantes da Ucrânia e da Rússia se reuniram na segunda-feira na fronteira bielorrussa. Nessas conversas, a Ucrânia insistirá num “cessar- fogo imediato” e na retirada das tropas russas – embora, realisticamente, ninguém acredito que isso aconteça agora.
Putin, ao que parece, não apenas julgou erroneamente a capacidade da Ucrânia de se defender, como também não previu a dificuldade trazida pelo alinhamento da comunidade internacional contra a Rússia devido à invasão.
Durante anos, o presidente russo enfrentou muito pouca resistência do Ocidente sobre a sua anexação ilegal da Crimeia – outro território na Ucrânia -, o seu apoio brutal ao regime sírio e atos de agressão noutros países.
As forças de segurança ucranianas nas ruas aumentam as medidas em meio a ataques russos em Kiev, Ucrânia, em 28 de fevereiro de 2022. / Anadolu Agency via Getty Images
Depois da anexação, e apesar de suas fortes palavras de condenação contra Putin e seu regime, os países ocidentais ainda compravam gás da Rússia, ofereciam um refúgio seguro aos oligarcas do país e mantinham relações diplomáticas relativamente normais com Moscou.
Mas, desta vez, apesar de algumas nações ocidentais serem acusadas de não “bater” suficientemente na Rússia, Putin enfrentou uma aliança ocidental totalmente unida. De sanções sem precedentes que já estão ferindo a economia russa aos cancelamentos de eventos esportivos, o status internacional de pária da Rússia torna-se mais agudo a cada hora.
A dor econômica só piorará à medida que o tempo passar. O rublo perdeu cerca de 20% do seu valor em relação ao dólar na tarde de segunda-feira (28), e o banco central de Rússia subiu as taxas de juros de 9,5% a 20%, uma movimentação que atinge os bolsos dos cidadãos russos.
Os mesmos cidadãos poderão em breve perguntar-nos por qual razão Putin está arriscando tanto por uma guerra que não precisava acontecer.
Naturalmente, as coisas são muito fluidas no local e podem mudar muito rapidamente. Há pouca esperança de que as conversas de segunda-feira (28) produzam uma desescalada, e ninguém espera que esta guerra termine no futuro imediato – seja pela força ou por acordo. Mas é provável que Putin, tendo chegado a este ponto, invista mais no ataque à Ucrânia nos próximos dias.
No entanto, à medida que a invasão entra na sua segunda semana, é impossível ignorar o fato de os planos mais bem estabelecidos de Putin terem sido recebidos com uma resistência mais firme do que ele – e muitos dos seus adversários – sequer imaginavam.