domingo, 28 de fevereiro de 2021

Mulher acha peixe de 12 kg no quintal após enchentes no Acre: ‘almoço da família’

 

Foto: arquivo pessoal

As cheias dos rios no levaram um da espécie Caparari de 1,1 metro e aproximadamente 12 quilos para o quintal de Gessiane Monteiro, em Sena Madureira, no interior do estado. A dona de casa de 32 anos tomou um susto quando viu um “bicho enorme” se mexenda na água na manhã de sexta-feira (26).

“Como a água baixou e saiu de dentro de casa, a gente tinha limpado para voltar. Nós temos uma canoa e ajudamos os vizinhos. Aí meu vizinho pediu uma carona na canoa e disse para o meu esposo que achava que tinha pulado em cima de um bicho no nosso quintal. Ainda estava com uns 30 centímetros de água e ele pensava que era um jacaré. Quando chegamos lá, vimos que era um peixe muito grande”, diz ela ao G1.

Dez municípios foram atingidos pelas cheias de rios no Acre, e cerca de 30 mil famílias ainda estão fora de casa . Sena Madureira, onde mora Gessiane, é uma das cidades mais afetadas.

A dona de casa conta que todos ficaram com medo quando viram o animal no quintal, mas logo ela foi junto com o pai e o cunhado para ver de perto do que se tratava. “Entramos dentro da água e, quando mexemos nele, ele ainda estava em uma parte funda e vimos que estava vivo, aí o meu pai ficou batendo na água e ele deu uma lapada. Ele foi para o raso e nós vimos que era um peixão. Foi uma luta para a gente conseguir tirar da água”, lembra.

Eles, então, retiraram o peixe da água, levaram para casa e fizeram o almoço. “A gente reuniu a família toda e demos também para os vizinhos, e já foi tudo, acabou”, brinca.

Uma das milhares atingidas pelas cheias no Acre , Gessiane diz que chegou a ficar fora de casa por uma semana, depois da água atingir a residência. “Saímos de casa e fomos para a casa de uma irmã. Mais de 25 pessoas em uma casa com um quarto. A gente se arrumou por lá mesmo, mas agora todo mundo já voltou para casa. Voltamos na quinta [25].”

IG – Último Segundo

Justiça nega pedido do Ministério Público para suspender toque de recolher no RN

 Enquanto o Ministério Público do RN emite recomendação conjunta no intuito de que Governo e Prefeituras adotem posturas mais restritivas para o combate ao agravamento de casos de Covid-19, o promotor de Justiça, Wendel Beetoven foi na contramão e entrou com pedido de liminar no Tribunal de Justiça para suspender a atuação das forças de segurança no toque de recolher determinado para o período das 22h às 5h. O pedido foi negado pelo presidente do TJRN, Vivaldo Pinheiro.

“Os itens do decreto ora questionados impõem um dilema aos policiais estaduais: escolher entre cumprir uma ordem ilegal, violar direito fundamental dos cidadãos e praticar crime abuso de autoridade ou por outro lado, recusar o cumprimento da ordem superior e dofrer as consequências da suposta insubordinação (no caso dos militares da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, a insubordinação configura, inclusive, crime militar”, escreveu o promotor no pedido.

Veja a matéria completa no site Justiça Potiguar.

Bolsonaro compartilha vídeo de empresária do DF em protesto contra lockdown: “O povo quer trabalhar”

 O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou nas redes sociais um vídeo de uma empresária brasiliense pedindo a revisão das medidas restritivas decretadas pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). “O povo quer trabalhar”, escreveu Bolsonaro ao publicado as imagens.

Na gravação, a empresária Maria Amélia, proprietária de uma rede de bolos e doces, aparece ao lado de funcionários e reclama: “Lockdown mata, mas de fome”.

“Governador, com todo respeito, eu como empresária venho aqui agora em nome dos meus funcionários e da minha empresa. Tivemos um ano muito difícil e estamos nos recuperando com união, com garra. E, nesse momento que começamos a alavancar novamente, o senhor vem e quer fechar tudo. Governador, não faça isso, nós precisamos trabalhar”, diz Maria Amélia na gravação.

O lockdown na capital do país começa neste domingo (28) e terá duração de 15 dias. Neste sábado (27), o governador Ibaneis Rocha explicou que o lockdown foi determinado porque a taxa de ocupação de leitos no DF ultrapassou 98%.

Com informações de Poder 360 e Metrópoles

Idosos ricos deveriam ajudar a pagar a conta da pandemia, diz economista

 O economista Ricardo Paes de Barros, respeitado por seus estudos pioneiros sobre pobreza e desigualdade de renda, espera que a pandemia do coronavírus acorde a sociedade brasileira para um problema que o preocupa há tempos: a enorme discrepância entre os valores que o setor público transfere para idosos e crianças no país.

Segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), no Brasil, o gasto do governo com a população mais velha é seis vezes maior do que o montante despendido com crianças, adolescentes e jovens. Isso faz do país um ponto fora da curva entre os outros 30 países para os quais a organização compilou dados em um estudo de 2014. Em nenhum deles, a diferença favorável aos idosos ultrapassava quatro vezes. “Você pode dizer: ah, mas criança é baratinho, idoso é caro. Então, isso deveria ser verdade no Japão, no Uruguai, em toda parte”, diz PB, como é conhecido o economista, considerado um dos pais do Bolsa Família.

Ele ressalta que, compreensivelmente, a pandemia exigiu que as sociedades incorressem em gastos elevados para preservar a vida dos mais vulneráveis ao contágio pelo coronavírus, entre eles os idosos.

Mas defende que, como isso vai ampliar o desequilíbrio intergeracional que já era alto no Brasil, o correto seria que os idosos de alta renda pagassem parte da conta, por exemplo, pagando mais impostos. Se nada for feito, ele alerta, todo o ônus da crise será “irresponsavelmente” deixado para a próxima geração.

O assunto foi discutido por PB e pela pesquisadora Laura Muller Machado —ambos do Insper— em um capítulo do recém-lançado livro “Legado de uma Pandemia”. O que é o desequilíbrio intergeracional sobre o qual vocês falam? Em toda sociedade, os adultos, até os 65, 70 anos, quase certamente, consomem menos do que a sua renda porque subsidiam o consumo das crianças e dos idosos. No Brasil, não é diferente.

O que é diferente aqui é o quanto que desse subsídio vai para os idosos e para as crianças. Para cada idoso, a gente dá seis vezes mais do que para uma criança. Enquanto em um dos artigos da Constituição brasileira [o 227], estabelecemos que a prioridade máxima do país são as crianças. Se tiver um incêndio, as primeiras pessoas a serem salvas deveriam ser as crianças.

Você pode dizer: ah, mas criança é baratinho, idoso é caro. Então, isso deveria ser verdade no Japão, no Uruguai, em toda parte. No Brasil, essa razão é, totalmente, desproporcional em relação ao resto do mundo. Isso faz com que a pobreza entre as crianças —considerando a renda per capita, mesmo depois que os adultos compartilham sua renda com elas— seja quase duas vezes a média nacional, enquanto a pobreza entre os idosos é inferior a um terço da média nacional.

Existe um projeto das Nações Unidas [National Transfer Accounts], exatamente, para discutir essa distribuição intergeracional. Se você ler os relatórios deles, vê que o Brasil é um total ponto fora da curva. Somos uma sociedade exótica.

A gente deveria lutar para que a pobreza entre os idosos fosse igual à pobreza entre os trabalhadores.

FOLHAPRESS

Argentinos protestam contra escândalo da “vacina VIP”

 Um grupo de manifestantes se reuniu nesse sábado (28.fev.2021) em frente à Casa Rosada (sede do governo da Argentina), em Buenos Aires, para protestar contra o chamado escândalo da “Vacina VIP”. O caso foi divulgado quando o jornalista Horacio Verbitsky, 71, disse a uma rádio local que “amigos e bons contatos”, incluindo ele, foram privilegiados na fila da vacinação contra a covid-19. Verbitsky contou que o ministro da Saúde, Ginés González García, chamou seu “velho amigo” para receber a imunização.

Segundo a imprensa local, além do jornalista, outros pessoas próximas ao governo, incluindo prefeitos, militantes políticos e funcionários também teriam sido vacinados, apesar de não estarem dentro dos grupos prioritários. Na 6ª feira (26.fev.2021), o presidente do país, Alberto Fernández, pediu a renúncia de seu ministro da Saúde, Ginés González García, depois que foi revelado que pessoas próximas a ele haviam sido vacinadas contra a covid-19. Horas depois, o próprio ministro renunciou ao cargo.

Manifestações ocorreram em várias partes do país. Na capital Buenos Aires, manifestantes encheram sacos de lixo para representar corpos de vítimas do coronavírus. Colocaram nomes de pessoas junto à inscrição “Estava esperando a vacina”.

O presidente Alberto Fernández não entendeu o protesto, e reclamou que os manifestantes estavam colocando os nomes de dirigentes políticos nas representações de corpos. “Essa ação lamentável só mostra como muitos opositores encaram a República. Não nos calaremos diante desse ato de barbárie”, escreveu no Twitter.

No protesto de sábado, na praça central, estavam lideranças da oposição, como o deputado Mario Negri, presidente do bloco da União Cívica Radical e da coalizão Juntos pela Mudança na Câmara dos Deputados, que destacou a “indignação” que os cidadãos vivem. “As pessoas podem ter sido mobilizadas por indignação, porque muitas coisas foram feitas no Estado, e é verdade que as vacinas estavam faltando, mas o que sobrou foi a imoralidade política no governo.”

Figuras de outras áreas também participaram dos protestos em Buenos Aires, como o ator Luis Brandoni, um conhecido opositor do governo, que disse que o caso é uma “vergonha”. “Novamente expressando pacificamente as aspirações republicanas que a maioria dos argentinos tem”, disse Brandoni.

Além do escândalo das vacinas, as pessoas protestaram contra outras questões relacionadas ao governo, como a corrupção. Muitos tiveram como alvo a vice-presidente Cristina Kirchner, que enfrenta uma série de processos judiciais.

O presidente Alberto Fernández pediu que as manifestações a favor de seu governo, convocadas para esta 2ª feira (29.fev.2021), fossem realizadas dentro de casa. “Com minha sincera gratidão, em 1º lugar, peço que continuem a dar o exemplo e que desta vez todos sigam minha mensagem remotamente. De suas casas ou de seus locais de trabalho. A pandemia ainda está nos atacando. Vamos cuidar do nosso vizinho, mesmo que outros não (cuidem)”.

PODER360

Missão da OMS encontra sinais de que Wuhan teve surto mais amplo em 2019

 A equipe da OMS (Organização Mundial da Saúde) que investiga as origens do coronavírus na China descobriu sinais de que o surto em Wuhan teria sido muito maior do que se pensava anteriormente. Os pesquisadores estão buscando na cidade acesso a centenas de milhares de amostras de sangue que a China ainda não disponibilizou para análise.

O principal investigador da missão da OMS, Peter Ben Embarek, disse que o grupo encontrou 13 cepas do vírus que teriam circulado em Wuhan antes de dezembro de 2019.

A descoberta de tantas variantes do vírus pode sugerir que ele estava circulando há mais tempo do que apenas naquele mês. Este material genético é provavelmente a 1ª evidência física a emergir internacionalmente para reforçar tal teoria. Embarek, que acaba de voltar para a Suíça , afirmou à CNN que “o vírus estava circulando amplamente em Wuhan em dezembro, o que é uma nova descoberta”.

O especialista da OMS acrescentou que a equipe foi apresentada por cientistas chineses a 174 casos de coronavírus registrados em Wuhan e nos entornos da cidade em dezembro de 2019. Destes, 100 foram confirmados por exames laboratoriais, segundo ele, e outros 74 por meio do diagnóstico clínico dos sintomas do paciente.

Embarek afirmou que era possível que esse número maior de casos significasse que a doença poderia ter atingido cerca de 1.000 pessoas em Wuhan em dezembro. “Não fizemos nenhuma modelagem disso desde então. Mas nós sabemos que cerca de 15% são casos graves, e a grande maioria são casos leves.”

Ben Embarek disse que a missão –que incluía 17 cientistas da OMS e 17 chineses– havia ampliado o tipo de material genético do vírus que eles examinaram a partir de casos de coronavírus precoces de dezembro. Isso permitiu que eles olhassem para amostras genéticas parciais, em vez de apenas completas. “Alguns deles são dos mercados… Alguns deles não estão ligados aos mercados”, ressaltou.

Agora, a equipe espera examinar urgentemente amostras biológicas que os especialistas dizem não estarem disponíveis nesta primeira viagem, especificamente milhares de amostras do banco de doadores de sangue de Wuhan que datam de 2 anos atrás. “Há cerca de 200.000 amostras disponíveis lá que agora estão protegidas e podem ser usadas para um novo conjunto de estudos”, disse Ben Embarek.

No entanto, pode haver dificuldades técnicas para estudar essas amostras. “Entendemos que essas amostras são amostras extremamente pequenas e usadas apenas para fins de litígio. Não há mecanismo que permita estudos de rotina com esse tipo de amostra”. Ben Embarek disse que as circunstâncias da missão, de intensos períodos de quarentena e distanciamento social levaram a algumas frustrações, juntamente com o escrutínio global de sua conduta e descobertas.

“Você tem discussão acalorada e, em seguida, argumentação sobre isso e aquilo… Lembre-se, tivemos todo o planeta em nossos ombros 24 horas por dia durante 1 mês, o que não torna o trabalho de cientistas mais fácil.”

PODER360

Concorrência disputa rede de concessionárias com a Ford

 A decisão da Ford de deixar de produzir carros no Brasil e passar a ser apenas importadora de modelos premium, anunciada em janeiro, vai despejar no mercado ao menos 160 concessionárias que fecharão as portas ou vão tentar migrar para outras marcas. A rede Ford tem 283 pontos de venda nas mãos de 138 empresários. A empresa quer manter cerca de 120 delas, consideradas viáveis para o novo negócio. Esse mesmo grupo, porém, é alvo de outras montadoras que veem oportunidade de ampliar sua representação no País ou abrir unidades aonde não atuam.

Ao mesmo tempo em que descarta grande número de revendas que considera “sem condições adequadas de continuidade” – como disse em carta aos distribuidores –, a Ford hoje disputa com concorrentes suas melhores lojas. “Vencerá quem fizer a melhor oferta”, diz um executivo envolvido na discussão. “Várias marcas estão em conversações intensas para atrair as melhores revendas Ford”, confirma um empresário, que pede anonimato. “Tem muita gente convidando concessionárias a mudar de bandeira, oferecendo pacotes atraentes como linhas de crédito, carência e carros de segmentos que a Ford não terá mais.” A disputa está sob responsabilidade de diretores das áreas de gestão de rede e comercial e consultorias que avaliam localização das lojas, saúde financeira, histórico de vendas, carteira de clientes e estrutura.

A Lei Renato Ferrari, que dita regras do setor, prevê delimitação de área para vendas de veículos de uma marca. “Isso será respeitado”, diz o empresário. Vários revendedores foram procurados e não quiseram falar abertamente sobre o tema. Segundo eles, há cláusula de confidencialidade sobre as negociações.

A Ford já fechou alguns contratos de manutenção de revendas. “Poucos”, diz a Associação Brasileira dos Distribuidores Ford (Abradif), que é contra a estratégia de conversas individuais com concessionários e defende negociações em bloco. A montadora se vale do fato de os contratos de representação serem individuais. Como importadora, ela precisa de menos da metade da rede atual para vender carrões com preços a partir de R$ 160 mil que trará da Argentina (Ranger), China (Territory), Uruguai (Transit), EUA (Mustang) e Bronco (México).

Na lista que quer manter com o slogan oval provavelmente estão grupos que em 2020 fizeram altos investimentos na inauguração (ou reinauguração) de lojas com o novo padrão global de arquitetura da Ford. Entre eles estão os grupos Amazonas (São Paulo), Econorte (interior de São Paulo), Roma (Rio), GranVia (Pernambuco) e Forlan (Minas Gerais), que construíram instalações modernas, com paredes envidraçadas e oficinas com alta tecnologia.

Fontes do setor calculam em cerca de R$ 2 milhões o investimento em lojas com esse padrão. “Investi uma fortuna”, diz Paulo Magalhães Noronha, da Econorte, que inaugurou em agosto uma revenda com padrão global em Taubaté (SP). O grupo tem mais duas lojas no interior de São Paulo, e 150 funcionários. Noronha diz que, se depender dele, as três lojas vão manter a bandeira Ford. Os outros grupos foram procurados, mas não comentaram.

Quem sobrar na rede Ford também terá de prestar serviços aos carros em circulação. Segundo a Abradif, há cerca de 500 mil veículos rodando pelo País que ainda estão no prazo de três anos de garantia dado pela fabricante na compra.

Marcas que disputam revendas Ford também estão de olho na fatia de 7,5% do mercado que ela tinha antes de parar a produção. Carteira de contatos e fidelidade de clientes interessam às fabricantes, ainda que o mercado não esteja tão aquecido e as lojas operem com ociosidade. Há uma janela de oportunidades no segmento de distribuição e marcas com bom desempenho em vendas querem aproveitar. Registraram queda inferior ao mercado em 2020 e ganharam participação Fiat, Jeep, Hyundai e Caoa/Chery (que tem dez revendas Ford). Mas há outras fora dessa lista na briga.

A disputa por suas revendas mais rentáveis travadas por concorrentes ocorre paralelamente às difíceis negociações da Ford com a Associação Brasileira de Distribuidores Ford (Abradif) sobre a indenização a ser paga aos revendedores, alguns deles grupos familiares com 60 anos de representação da marca. A entidade avalia entrar com ação na Justiça, o que pode prolongar uma solução entre as partes, mas afirma acreditar em consenso sem a judicialização.

Uma das desavenças é que a Ford propôs indenização de acordo com o faturamento da loja nos últimos dois anos, mas exclui da conta as vendas diretas (para frotistas e locadoras) e para pessoas com deficiência. Ambas são feitas pelas montadoras, mas passam pelas revendas para entrega e serviços de revisão. Nos últimos dois anos esse tipo de venda representou mais de 40% dos negócios de veículos novos no País.

A Abradif quer que a empresa desconsidere o ano de 2020 que, em razão da pandemia, registrou as piores vendas dos últimos anos. Em 2019 foram vendidos 218,5 mil carros Ford, número que caiu para 139,2 mil no ano passado, uma redução de 36,3%. Conta da entidade indica que o investimento médio realizado pelas concessionárias somam R$ 1,5 bilhão, indicando que seria esse o total da indenização a ser paga. Outra reivindicação é que a montadora arque com custos da demissão de funcionários – a rede emprega 11 mil pessoas.

A Abradif notificou extrajudicialmente a Ford sobre seu descontentamento com a proposta e critica as negociações individuais com revendedores, o que caracteriza como “assédio moral negocial”. Em resposta, a Ford diz que “seguirá com contatos individuais para entendimentos justos e equilibrados”. Acrescenta que as negociações “dão o tom de seu comprometimento quanto à velocidade para conclusão dos acordos e subsequentes pagamentos, minimizando eventuais impactos do período de transição para toda a rede”.

A Abradif alerta para o fato de o negócio de cada concessionária ter perdido valor de mercado com o fim da produção. Os modelos Ka e EcoSport, fabricados em Camaçari (BA), respondiam por 85% das vendas dos lojistas. Em carta à entidade, a Ford diz que oferece aos revendedores selecionados condições robustas para participar de sua nova fase como importadora.

ESTADÃO

Reforma de Biden pode beneficiar milhares de imigrantes brasileiros

 Apresentada ao Congresso na semana passada, a ambiciosa proposta de reforma migratória do presidente Joe Biden pode beneficiar milhares de imigrantes brasileiros, legais ou indocumentados, que já estão nos EUA ou ainda pretendem ir. A nova legislação, chamada de “Ato de Cidadania dos EUA de 2021”, propõe um caminho de oito anos para a legalização de imigrantes que vivem no país. A proposta também facilitaria a obtenção de green card e reduziria o caminho para a cidadania para os “dreamers”, como são chamados os imigrantes sem documentos que chegaram aos EUA ainda crianças, acompanhando os pais.

O governo americano estima que ao menos 11 milhões de pessoas vivam ilegalmente no país. Dados mais recentes do Pew Research Center indicam que, em 2017, pelo menos 160 mil brasileiros estavam ilegais. Gabriela Ribeiro, de 28 anos, chegou a Newark, em New Jersey, em 2019. Formada em administração, vendeu a empresa que tinha com o marido e viajou para os EUA. “Não viemos para cá pensando em ficar ilegalmente. Queríamos ficar seis meses, estender nosso visto por mais seis meses e ver como seria”, conta. Mas, uma vez no país, o casal avaliou que não era vantajoso voltar.

Moradores de uma “cidade-santuário”, onde a legislação local protege a comunidade de imigrantes ao bloquear o repasse de informações de agências locais ao ICE, o serviço de imigração federal, Gabriela e o marido levam uma vida normal, trabalham e pagam impostos. Ainda assim, ela vê uma mudança significativa. “Com Trump, não havia esperança de legalização, pois não existia nenhuma medida a ser votada que fosse a favor dos imigrantes. E era difícil conviver com isso, porque tenho família no Brasil que desejo muito rever”, conta.

Embora os critérios de elegibilidade para o processo de legalização ainda não estejam claros, ela pretende se candidatar. “Desde que Biden assumiu a presidência, já venho me preparando para tentar a legalização assim que a reforma for aprovada”, diz. “Minha documentação está toda atualizada, as taxas estão em dia e já tenho uma reserva financeira para este fim, como me orientou um advogado de imigração.”

Heloísa Pereira, que também vive em New Jersey, tinha 42 anos quando foi demitida de um cargo administrativo na Fiat, em 2002, e se mudou para os EUA. “A única forma de me legalizar seria através de um casamento com um cidadão americano. Mas não aconteceu de eu me casar de verdade e não me caso se for de mentira. Em New Jersey, se paga US$ 20 mil por um casamento falso. Eu não tenho coragem de mentir para o juiz”, diz.

Em Newark, onde vive, e em Nova York, onde trabalha, ambas cidades-santuário, Heloísa diz que a rotina de imigrante indocumentada é como qualquer outra. Trabalha de baby-sitter de famílias ricas, paga impostos, tem crédito no banco e vai ao hospital quando precisa sem medo de deportação.

A maior mudança que a legalização de status deve trazer será a chance de sair e entrar nos EUA livremente. Há 18 anos, desde que chegou, ela nunca mais voltou a Minas Gerais para visitar a família. “A legalização será nosso passaporte para a liberdade de ir e vir para outros países. Minha situação é privilegiada, porque tenho irmãs e sobrinhos que têm visto americano e podem me visitar. Mas a maioria dos imigrantes deixou filho, pai e mãe para trás, de famílias mais pobres, e não podem nunca mais ver a família. Para eles, é um desespero.”

Desde que chegou, Heloísa disse já ter visto outros governos, como o do republicano George W. Bush, tentarem reformar o sistema de imigração e legalizar a vida dos imigrantes. Por isso, tem um otimismo moderado com a proposta de Biden.

“Honestamente? Acredito que alguma coisa vai ser feita, mas a proposta é muito ambiciosa. É preciso de apoio no Congresso. Sei que ele tem de propor um plano bem ambicioso para aprovar algo menor, porque é assim a política. Mas acho difícil que seja uma anistia tão ampla quanto prometem.”

Se a reforma for aprovada, imigrantes na situação de Gabriela e Heloísa poderão receber um green card após cinco anos, se cumprirem alguns requisitos, como verificação de antecedentes. Após esta etapa, terão direito a solicitar a cidadania em três anos.

Imigrantes sob a proteção do Daca (Ação Adiada para Chegadas na Infância) também seriam beneficiados com a reforma. Implementado em 2012 pelo então presidente Barack Obama, o programa regulariza temporariamente imigrantes em situação ilegal que chegaram aos EUA quando eram menores, concedendo vistos de estadia e trabalho por dois anos, que podem ser renovados. De acordo com o governo americano, 5.780 brasileiros estão sob status de proteção Daca.

João Paulo Machado Silva, de 25 anos, é um deles. Ele chegou aos EUA quando tinha 8 anos. “Ser dreamer me ajudou muito, porque me permitiu estudar no país e dirigir, mas há um lado negativo: não posso trabalhar em cargos públicos nem viajar para fora dos EUA”, disse.

Se a reforma for aprovada, João Paulo e outros dreamers serão imediatamente elegíveis para solicitar um green card e terão um caminho de três anos para a cidadania.

Estudante de direito, João Paulo está otimista com a perspectiva. “Muitas pessoas, como meus pais, estão aqui há muitos anos e não conseguem nem ver a família há muito tempo”, conta. “Todos os imigrantes estão contando (com o novo governo) para se tornarem cidadãos do país”.

Especialistas ouvidos pelo Estadão dizem acreditar que a reforma também possa facilitar a obtenção de vistos de trabalho e de investidor. “Mesmo as pessoas que são reconhecidas como portadoras de alto conhecimento técnico vinham encontrando muitas dificuldades para imigrar nos últimos quatro anos”, afirma Carolina Carnaúba, diretora da PwC Brasil, acrescentando que a pandemia tornou o processo ainda mais difícil.

Leia matéria completa no Estadão.

‘A minha tarefa é necessariamente derrotar o PT no primeiro turno’, diz Ciro Gomes

 O ex-ministro Ciro Gomes, provável candidato à Presidência em 2022 pelo PDT, afirmou neste sábado 27 que pretende construir uma aliança em torno de seu nome, com “forças que me são diferentes”.

“Quero sinalizar minha vontade de alargar o diálogo, porque o Brasil necessita de um novo consenso. E aí aparece o DEM, com todas as suas contradições internas e comigo, e o PSD, com contradições mais comigo do que internas. E daí? Quero que isso seja feito à luz do dia, de forma transparente”, declarou Ciro em entrevista à Folha de S.Paulo.

O diálogo com o PT, no entanto, não prosperou. “Nesse quadro de hiperfragmentação, quem for contra o Bolsonaro no segundo turno tem tendência de ganhar a eleição. O menos capaz disso é o PT. Por isso, a minha tarefa é necessariamente derrotar o PT no primeiro turno”.

Segundo ele, o ex-presidente Lula “escolheu” Fernando Haddad mais uma vez como candidato ao Planalto “porque porque não fará sombra a ele nem hoje nem jamais. Ou seja, quer replicar a escolha da Dilma [Rousseff].”

Ciro também reforçou sua “adversidade intransponível com o lulopetismo, que é diferente dos outros ‘PTs’ que eu conheço”.

CARTA CAPITAL

Amazonia-1, o 1º satélite 100% brasileiro, é lançado com sucesso de base indiana

 O Amazonia-1, primeiro satélite de observação da Terra completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil, foi colocado em órbita na madrugada deste domingo (28). O lançamento ocorre após cerca de 13 anos de desenvolvimento do projeto. Dentro do horário programado – à 1h54 (de Brasília) -, o satélite foi lançado a bordo do foguete indiano PSLV-C51, a partir do Centro Espacial Satish Dhawan (SHAR), em Sriharikota, na Índia.

Nos cerca de 17 minutos seguintes, satélites foram desacoplados do foguete em quatro estágios, que indicaram o sucesso da missão. Às 2h11 (de Brasília), a transmissão oficial mostrou o Amazonia-1 sendo separado do foguete e lançado ao espaço.

Uma comitiva brasileira acompanhou o lançamento em território indiano, com presença do ministro da Ciência e Tecnologia e Inovações, o astronauta Marcos Pontes. Com o sucesso da missão, Pontes discursou na base de Satish Dhawan, exaltando a parceria entre o Brasil e a Índia e citando os “anos de trabalho” para a conclusão do projeto do satélite.

Além do Amazonia-1, satélites de outros países também foram levados à órbita terrestre a bordo do mesmo foguete. O equipamento brasileiro foi colocado numa altitude média de mais de 750 km acima da superfície da Terra. O satélite terá sua órbita em sincronia com a do Sol e viajará a uma velocidade de quase 27.000 km/h, o que lhe permitirá levar apenas 100 minutos para dar uma volta na Terra, com a capacidade de gerar imagens de qualquer ponto do planeta a cada 5 dias.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as informações providas pelo Amazonia-1 consistem em imagens ópticas com resolução de 64m e largura da faixa imageada de 866km. Operando conjuntamente com os satélites CBERS-4 e CBERS-4A, lançados, respectivamente em dezembro de 2014 e dezembro de 2019, serão providas imagens recorrentes do território brasileiro a cada dois ou três dias, melhorando significativamente a oferta de informações aos seus diferentes usuários.

Essas informações serão úteis para diversas aplicações, como o monitoramento da região amazônica, da diversificada agricultura em todo o território nacional, da região costeira, de reservatórios de água, florestas naturais e cultivadas e desastres ambientais.

Além do domínio do ciclo completo de desenvolvimento de um satélite do porte e complexidade do Amazonia 1 e dos benefícios resultantes das aplicações das imagens obtidas a partir do espaço, a missão permitirá outro ganho tecnológico importante: a validação em voo da Plataforma Multimissão (PMM), projetada para ser utilizada em diferentes tipos de satélites na faixa de 700kg, com redução significativa de prazos e custos.

Satélite vai monitorar desmatamento

“O Amazonia-1 vai servir para fazer uma varredura da nossa superfície, dos biomas terrestres e marítimos. Ele será usado para monitorar o desmatamento, principalmente na região amazônica, a agricultura e poderá receber demandas para verificar situações ambientais específicas”, explica Carlos Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Além do novo satélite, outros dois equipamentos produzidos pelo Brasil em parceria com a China fazem esse tipo de trabalho: o CBERS-4 e o CBERS-4A. “Isso aumenta a probabilidade de enxergar a superfície mesmo quando há ocorrência de nuvens. Se um dos CBERS fizer o registro de um ponto onde há muita nebulosidade em um determinado dia, o Amazonia-1 pode passar por esse mesmo local depois, mas em um dia mais ensolarado, e obter imagens melhores. Com informações dos três equipamentos teremos mais chances de ter um imageamento completo”, ressalta Moura.

Segundo o presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Julio Shidara, outra vantagem do Amazonia-1 é que ele fará uma órbita otimizada para atender as necessidades do Brasil. “Ele vai fazer um trajeto que permitirá uma cobertura focada no território brasileiro. Ao contrário dos CBERS, que estão em uma órbita que atende o Brasil e China”, destaca.

A expectativa do governo é de que a experiência sirva de modelo e consolide a construção de outros satélites de maior complexidade. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), trará ganhos como a validação da Plataforma Multimissão (PMM) e o desenvolvimento da indústria nacional dos mecanismos de abertura de painéis solares.

* Com informações do Insttituo Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe; e de Washington Luiz, em colaboração para a CNN

CNN BRASIL

EUA concedem autorização emergencial para vacina da Johnson & Johnson

 A FDA (Food and Drug Administration) –equivalente à Anvisa dos Estados Unidos– autorizou neste sábado (27.fev.2021) o uso emergencial da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19. É o 3º imunizante aprovado pelos EUA, depois dos produzidos pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna.

O diferencial da vacina desenvolvida pela farmacêutica Janssen, do grupo J&J, é que ela é ministrada em só uma dose. Isso acelera a imunização em massa. Por outro lado, o exemplar apontou eficácia de 72% nos testes clínicos nos EUA. Está aquém dos resultados da Pfizer (95%) e da Moderna (94%).

O imunizante, porém, reduz em 85% a possibilidade de uma pessoa desenvolver a forma grave da covid-19. Nenhum voluntário foi hospitalizado ou morreu em decorrência da doença no período de testes. Mesmo assim, autoridades estão preocupadas quanto à rejeição do público em relação a vacina da Janssen. Podem dar preferência pelas vacinas concorrentes, com aplicação já avançada no país. O epidemiologista Anthony Fauci, integrante da força-tarefa da Casa Branca contra a pandemia, disse que todos os exemplares aprovados pela FDA são “altamente eficazes”.

“Não se prendam, necessariamente, ao jogo dos números, porque é uma vacina muito boa, e o que precisamos é do maior número possível de vacinas boas […] Em vez de analisar a diferença entre 94% e 72%, aceite o fato de que agora vocês têm 3 vacinas altamente eficazes. Ponto final”, disse Fauci.

A inclusão de uma 3ª empresa na campanha de vacinação norte-americana aumenta as esperanças do governo de imunizar toda a população no 1º semestre. A Johnson se comprometeu a entregar 100 milhões do doses até o final de junho. A empresa disse que enviará 4 milhões de unidades assim que o órgão regulador autorizar a distribuição da vacina. Mais 20 milhões chegarão até o final de março.

Esses números somam-se às 600 milhões de doses da Pfizer e da Moderna programadas para o mesmo prazo. A soma seria mais que o necessário para inocular o vírus em território norte-americano. Além disso, até este sábado (27.fev), os EUA já aplicaram 70,45 milhões de doses.

PODER360

Número de golpes em aplicativos de namoro dispara em ano de pandemia

 O número de fraudes em aplicativos e sites de relacionamento subiu 50% nos Estados Unidos em 2020, na comparação com 2019. Os dados são de estudo do FTC (Federal Trade Commission). O órgão norte-americano –equivalente ao Procon (Instituto de Defesa ao Consumidor) brasileiro– afirma que, no ano passado, US$ 304 milhões foram perdidos com os chamados “golpes românticos”. Leia a íntegra (em inglês).

De acordo com o FTC, o valor perdido em golpes em 2020 é 4 vezes maior do que o de 2016, que foi de US$ 75 milhões. Outro aumento significativo se deu no número de denúncias, que triplicou no último ano: foram 32.732 ante 11.235 de 2016.

RELAÇÃO COM A PANDEMIA

A alta no número de golpes está relacionada ao crescimento da rede de usuários dessas plataformas. Com a pandemia do coronavírus e as medidas de isolamento social, as pessoas foram impedidas de socializar pessoalmente e precisaram das redes virtuais para manter e começar novos relacionamentos.

O Tinder, um dos aplicativos de relacionamento mais famosos do mundo, afirmou que “a combinação de estar preso em casa e estarmos todos passando pela mesma situação deixou o pessoal mais tagarela do que nunca”. A plataforma registrou recorde de usos simultâneos no dia 5 de abril do ano passado: “Nesse dia, os membros do Tinder enviaram em média 52% mais mensagens em relação ao começo da quarentena, no início de março”.

Os golpistas costumam criar perfis nessas plataformas com fotos da internet e nomes fictícios. De acordo com o FTC, alguns até “assumem a identidade de pessoas reais”. Criam, a partir das conversas, vínculos emocionais com as vítimas e inventam desculpas para não se encontrarem pessoalmente, o que os permite continuar com a farsa. Durante a pandemia, muitos alegaram terem sido diagnosticados com a covid-19.

Quando ganham a confiança da vítima, os golpistas pedem dinheiro. “Podem dizer que é para um cartão de telefone para continuar a conversar. Ou podem alegar que é para uma emergência médica, com a covid frequentemente incluída em seus contos”, segundo o FTC. “As histórias são infinitas e podem criar um senso de urgência que leva as pessoas a enviar dinheiro repetidamente”.

TENDÊNCIA É GLOBAL

Em janeiro de 2021, a Interpol (International Criminal Police Organization) emitiu um alerta para os seus 194 países-membros sobre o crescimento desse tipo de golpe. “A unidade de Crimes Financeiros recebeu relatórios de todo o mundo e está incentivando os usuários de aplicativos de namoro a ficarem vigilantes”.

PODER360

Troca de presidentes da Câmara e do Senado foi positiva para 70% dos brasileiros

 Levantamento exclusivo contratado pelo site Diário do Poder e esta coluna revela que quase 71% dos brasileiros consideram positiva a troca das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Apenas 19,5% consideram negativa a substituição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) por Arthur Lira (PP-AL) e de Davi Alcolumbre (DEM-AP) por Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Outros 9,7% preferiram não opinar. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Na região Sudeste, a troca no comando do Poder Legislativo é benéfica ao País para 69,4%. No Sul, essa convicção chega a 72,8%.

É baixa (23,6%) a maior rejeição à troca dos presidentes da Câmara e do Senado, entre entrevistados com ensino superior completo. Os homens gostaram mais da troca de presidentes da Câmara e do Senado: 74,4%. Entre as mulheres a aprovação cai para 67,6%.

O Paraná Pesquisas entrevistou 2.070 habitantes de 192 municípios, nos 26 estados e do Distrito Federal, entre os dias 24 a 26 de fevereiro.

DIÁRIO DO PODER

Carga viral causada pela variante do Amazonas é 10 vezes maior, diz estudo

 Estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirma que a variante brasileira do novo coronavírus (P.1), identificada no Amazonas, pode provocar uma carga viral – quantidade de vírus no corpo – 10 vezes maior quando comparada às outras versões do vírus.

Sem revisão e ainda não publicado em revistas científicas, o estudo (confira aqui) entra na lista das diversas investigações produzidas sobre a variante brasileira. Outras pesquisas indicaram que a nova cepa, possivelmente, é mais transmissível por conta das mutações que sofreu na proteína spike, responsável por fazer a ligação entre o vírus e as células humanas.

“[Se] a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela esteja expelindo mais vírus – e, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior”, explicou, em entrevista ao G1, Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazonas e líder do estudo.

Explosão da variante pelo país

Com o relaxamento das medidas protetivas contra o novo coronavírus, diferentes cepas do vírus surgiram e já se disseminaram pela maioria dos estados brasileiros. No caso da variante amazonense, o Ministério da Saúde já identificou pelo menos 173 casos de pessoas infectadas no país.

“A falta de distanciamento social eficiente e outras medidas de mitigação provavelmente aceleraram a transmissão precoce da P.1, enquanto a alta transmissibilidade desta variante alimentou ainda mais o rápido aumento de casos de Sars-CoV-2 e hospitalizações observados em Manaus após seu surgimento”, dizem os pesquisadores brasileiros.

METRÓPOLES

Fiocruz recebe insumos para produzir mais 12,2 milhões de doses da vacina de Oxford

 A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos (zona norte do Rio de Janeiro), recebeu por volta das 19h40 deste sábado, 27, a segunda remessa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), o princípio ativo para a fabricação da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. A matéria-prima será suficiente para a produção de 12,2 milhões de doses da vacina. Em março está prevista a chegada de mais três remessas do insumo.

Os lotes que saíram de Xangai, na China, às 7h35 de sexta-feira (horário local), aterrissaram às 18h05 deste sábado no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador (zona norte do Rio). O produto, transportado à temperatura de – 55ºC, seguirá para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

A nova remessa completa a quantidade de insumos necessários para a produção local de 15 milhões de doses do imunizante contra a covid-19. A primeira leva do IFA chegou à Fiocruz no dia 6 de fevereiro e era suficiente para 2,8 milhões de doses, que já estão sendo produzidas. A estimativa é que com as três novas remessas de março sejam entregues 27 milhões de doses até o final de abril. Até junho a Fiocruz espera ter recebido remessas de IFA suficientes para chegar à produção de 100,4 milhões de doses da vacina.

As vacinas feitas com as duas remessas do ingrediente ativo serão entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) após o deferimento do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cuja análise tem seguido de forma paralela à produção. A previsão é que o primeiro lote de 1 milhão de vacinas seja entregue na semana entre 15 e 19 de março, informou a Fiocruz.

Após a chegada do IFA em Bio-Manguinhos/Fiocruz, as amostras serão enviadas para o controle de qualidade. Após a liberação dos resultados, será realizado o descongelamento, seguido do processamento final, que acontece em quatro etapas: 1) formulação; 2) envase e recravação; 3) inspeção; 4) rotulagem e embalagem.

Na formulação, o IFA é descongelado e diluído para receber estabilizadores, responsáveis por garantir a integridade e preservar o princípio ativo. Na etapa de envase e recravação, o líquido da vacina é inserido de forma automatizada em frascos esterilizados, sendo fechados com uma rolha de borracha específica e encaminhados para a recravação, onde recebem um lacre de segurança. Logo depois ocorre a fase de inspeção dos frascos e, por último, é realizada a etapa de rotulagem e embalagem, onde as vacinas recebem rótulos com identificação, número de lote, data de fabricação, validade e demais informações técnicas. Na sequência, as vacinas seguem para serem embaladas.

Ao longo do processamento da vacina, amostras de todos os lotes são encaminhadas para um rígido controle de qualidade interno a fim de garantir sua segurança e eficácia. Só após o resultado as vacinas são liberadas para entrega ao Ministério da Saúde.

ESTADÃO

Após derrota no plenário, Lira diz que imunidade parlamentar ‘não é plena’

 Após sofrer a primeira derrota em plenário desde que assumiu o comando da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), fez neste sábado, 27, uma nova defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da imunidade parlamentar.

Segundo ele, a proposta é necessária para que se regulamente o artigo 53 da Constituição, que trata da inviolabilidade de deputados e senadores por opiniões, palavras e votos. Desta forma, segundo Lira, será possível “dar um caminho” à Justiça em casos como o do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso após ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não pudemos regulamentar este artigo, para dar um caminho, porque o Congresso errou em não regulamentar. Tem que regulamentar. Tem que discutir um caminho, para que haja punição exemplar”, disse Lira, durante evento virtual do Grupo Prerrogativas, que reúne profissionais da área do Direito. “O direito à imunidade de voz e de voto é do parlamentar. Se perdermos isso, teremos perdido 95% da democracia”, acrescentou o presidente da Câmara.

Os comentários surgem após Lira ter sido obrigado a adiar, anteontem, a votação da PEC no plenário da Câmara dos Deputados. Sem acordo com os partidos, criticado no Supremo e pressionado nas redes sociais, ele decidiu que a proposta passará, primeiro, pelo crivo de uma comissão especial. Por limitar as situações em que os parlamentares podem ser presos e proibir o afastamento do mandato por ordem judicial, a proposta foi apelidada por “PEC da Blindagem” nos corredores de Brasília.

Lira, no entanto, afirmou que, ao manter a prisão de Silveira, a Câmara deixou claro que não existe “imunidade ilimitada”. “A imunidade parlamentar não é plena. Ela tem limites. E quando os limites ultrapassam a linha da democracia, do respeito às instituições, do respeito ao funcionamento do País – ele (Silveira) teve a votação da Casa para manter a sua prisão.”

O presidente da Câmara também criticou os apelidos que a PEC vem recebendo. “Não houve ‘PEC da Blindagem’, ‘PEC da Impunidade’. Ali a gente prevê prisão preventiva”, declarou.

Durante o evento virtual, Lira afirmou ainda que não teve “tempo nem oportunidade” de se debruçar sobre os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro que estão na Casa. Segundo ele, outros assuntos foram tratados nas primeiras semanas em que comandou a Câmara, neste mês. “Tivemos a primeira semana de acomodação. Tivemos a semana de votação da autonomia do BC. E tivemos a votação sobre o Daniel Silveira”, listou.

Ao mesmo tempo, Lira lembrou que o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) teve aproximadamente cinco anos para analisar os pedidos de impedimento, que já são dezenas. “Se Maia não abriu nenhum processo de impeachment, ele não viu motivo”, disse. “Vamos analisar no momento adequado.”

ESTADÃO

Sobe para seis o número de variantes do Sars-CoV-2 que geram preocupação

 Novas variantes do coronavírus continuam a surgir e causar preocupação pelo seu alto potencial de transmissão. Agora, já são seis as chamadas variantes de preocupação conhecidas, ou VOCs, sigla utilizada para descrever formas do vírus com mutações que podem causar estrago do ponto de vista de saúde pública. Isto porque, embora seja normal e até esperado que os vírus sofram mutações, algumas delas facilitam a entrada do vírus nas células ou então impedem a ação de anticorpos neutralizantes.

As variantes do vírus são a B.1.1.7, identificada no Reino Unido, a B.1.351, que surgiu na África do Sul, as duas linhagens brasileiras, P.1, originária de Manaus mas já presente em 17 estados, e P.2, ainda pouco conhecida, mas encontrada no Rio de Janeiro e em alguns estados do Norte e do Nordeste. Nos Estados Unidos, foram identificadas a CAL.20C, do sul da Califórnia e, agora, uma nova variante de Nova York, chamada B.1.526.

Recém-descoberta, a cepa nova-iorquina foi identificada por dois grupos de cientistas distintos, um do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e outro da Universidade de Columbia. A preocupação é, agora, com o fato de a variante nova-iorquina estar crescendo em número no estado e por apresentar uma mutação que pode enfraquecer o potencial de proteção das vacinas.

Os pesquisadores da Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) encontraram a B.1.526 após fazer uma varredura em uma base de dados genômicos do coronavírus virtual e, a partir de centenas de milhares de sequências, encontrarem um padrão recorrente naquelas vindas de Nova York e região. “Era um grupo de isolados [nome dado ao vírus isolado e reconhecido como diferente dentro daquela espécie viral] concentrado em Nova York que não tínhamos visto antes”, disse Anthony West, um bioinformático de Caltech, ao jornal The New York Times.

West e seus colegas acharam duas formas do vírus: uma com a mutação E484K e outra com uma mutação até então inédita (S477N), que altera a forma de ligação do vírus às células. As duas versões fazem parte da mesma linhagem, a B.1.526 e, até meados de fevereiro, cerca de 27% das sequências nova-iorquinas na base de dados analisada eram desse clado.

Já a equipe da Universidade de Columbia sequenciou 1.142 amostras de pacientes hospitalizados em um centro médico nova-iorquino e identificou a presença da variante com a mutação E484K em 12% das amostras.

Como o estudo da Caltech analisou sequências isoladas, e não amostras coletadas de pacientes, ainda é cedo para dizer se a frequência encontrada pelos pesquisadores representa a atual taxa de circulação do vírus. Ainda assim, o avanço de uma variante que escapa da proteção dada por anticorpos neutralizantes, mesmo aqueles produzidos após a vacinação, causa preocupação.

Como Nova York foi uma das cidades americanas mais fortemente afetadas no início da pandemia, considerava-se que a soroprevalência na região, isto é, a parcela de pessoas que entraram em contato com o vírus e possuem anticorpos no sangue era elevada.

O mesmo padrão foi observado também na África do Sul e em Manaus: áreas com índice de contaminação elevado no começo da pandemia e que, imaginava-se, tinham adquirido a chamada imunidade coletiva, acabaram sendo palco para o surgimento de variantes que conseguem fugir da proteção dada por anticorpos neutralizantes. O aparecimento da mutação E484K em pelo menos cinco das seis variantes de preocupação indica os caminhos escolhidos pelo vírus para se adaptar e prevalecer na população.

Esse fenômeno, chamado convergência evolutiva, ocorre quando uma mutação, por garantir vantagem adaptativa, surge diversas vezes em linhagens que não têm parentesco entre si.

Em um estudo publicado na plataforma medRxiv na forma de pré-print (ou seja, ainda não revisado nem publicado em revista científica) no último dia 18, pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, do Instituto Max Planck, Berlim (Alemanha) e do Instituto de Pesquisa em Saúde da África, em Durban (África do Sul) testaram o soro de vacinados com as vacinas da Moderna e Pfizer/BioNTech contra as variantes existentes do Sars-CoV-2.

O que os cientistas observaram foi que, diante da variante britânica, o soro imunizado não teve uma queda tão expressiva de anticorpos neutralizantes. Mas, quando colocado à prova contra as variantes P.1 e P.2, a queda na taxa de anticorpos foi grande, num valor muito maior para a variante sul-africana.

É importante destacar que os testes foram feitos com pseudovírus, isto é, réplicas artificiais do vírus em laboratório, e não com as variantes verdadeiras em circulação. Embora seja um estudo pequeno (48 amostras de sangue) e com diversas limitações, o estudo indica algum grau de proteção das vacinas contra as linhagens P.1 e P.2.

No Brasil, as vacinas da Moderna e da Pfizer não estão sendo aplicadas na população, mas as vacinas Oxford/AstraZeneca e Coronavac já estão sendo estudadas contra a variante P.1. Até o momento, estudos chineses testaram a Coronavac contra as variantes britânica e sul-africana com resultados preliminares interessantes, mas esses dados ainda não foram divulgados. O Instituto Butantan está realizando pesquisa de eficácia da Coronavac contra a variante P.1.

Já a vacina Oxford/AstraZeneca teve bom desempenho contra a variante britânica, mas um estudo preliminar contra a variante sul-africana mostrou ausência de proteção.

FOLHAPRESS

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