segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Gasto médio para um deputado federal se eleger fica 40% maior neste ano

 Os deputados federais eleitos neste ano gastaram 40% mais, já descontada a inflação do período, do que os colegas que conseguiram uma cadeira na disputa de 2018, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na eleição de outubro passado, os parlamentares investiram em média R$ 1,8 milhão para se eleger, ante R$ 1,3 milhão de quatro anos atrás.

Os valores totais de despesas declarados pelos deputados federais eleitos ao TSE variam de R$ 64 mil a R$ 3,4 milhões. A campanha que mais gastou – os R$ 3,4 milhões acima – foi a do paulista Arnaldo Jardim (Cidadania), reeleito com 113.462 votos válidos. Ele foi seguido de dois parlamentares do União Brasil: Fábio Garcia (MT), ex-senador que investiu R$ 3,3 milhões, e Mendonça Filho (PE), ex-ministro e ex-deputado federal, com R$ 3,2 milhões.

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Bruno Schaefer, um dos motivos para o crescimento das despesas pode ser o aumento do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, que saltou de R$ 1,7 bilhão em 2018 (valor nominal) para R$ 4,9 bilhões em 2022. “O incremento das despesas de campanha pode ser entendido pelo aumento do fundo eleitoral entre as eleições. Isso aumenta o custo geral da campanha”, disse.

Schaefer afirmou ainda que uma eleição competitiva, como foi o caso dessa, pode também incitar um maior gasto para conseguir se eleger.

Segundo dados do TSE, as receitas de campanha declaradas pelos deputados federais eleitos mostram que 77,6% dos valores arrecadados vieram do fundo eleitoral, enquanto 16,8% são de outros recursos, como doações de pessoas físicas e dos próprios candidatos. Os valores originários do Fundo Partidário, aquele que a legenda recebe para despesas de custeio para funcionamento e pode repassar aos candidatos, representam 5,6% de todo o montante das receitas.

Os deputados federais eleitos neste ano gastaram 40% mais, já descontada a inflação do período, do que os colegas que conseguiram uma cadeira na disputa de 2018, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na eleição de outubro passado, os parlamentares investiram em média R$ 1,8 milhão para se eleger, ante R$ 1,3 milhão de quatro anos atrás.

Os valores totais de despesas declarados pelos deputados federais eleitos ao TSE variam de R$ 64 mil a R$ 3,4 milhões. A campanha que mais gastou – os R$ 3,4 milhões acima – foi a do paulista Arnaldo Jardim (Cidadania), reeleito com 113.462 votos válidos. Ele foi seguido de dois parlamentares do União Brasil: Fábio Garcia (MT), ex-senador que investiu R$ 3,3 milhões, e Mendonça Filho (PE), ex-ministro e ex-deputado federal, com R$ 3,2 milhões.

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Bruno Schaefer, um dos motivos para o crescimento das despesas pode ser o aumento do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, que saltou de R$ 1,7 bilhão em 2018 (valor nominal) para R$ 4,9 bilhões em 2022. “O incremento das despesas de campanha pode ser entendido pelo aumento do fundo eleitoral entre as eleições. Isso aumenta o custo geral da campanha”, disse.

Schaefer afirmou ainda que uma eleição competitiva, como foi o caso dessa, pode também incitar um maior gasto para conseguir se eleger.

Segundo dados do TSE, as receitas de campanha declaradas pelos deputados federais eleitos mostram que 77,6% dos valores arrecadados vieram do fundo eleitoral, enquanto 16,8% são de outros recursos, como doações de pessoas físicas e dos próprios candidatos. Os valores originários do Fundo Partidário, aquele que a legenda recebe para despesas de custeio para funcionamento e pode repassar aos candidatos, representam 5,6% de todo o montante das receitas.

O aumento do valor das campanhas também pode ser explicado por um fator institucional que tornou mais acirrada a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados: a cláusula de barreira. A norma exige que os partidos atinjam um número mínimo de parlamentares eleitos para ter acesso ao horário eleitoral gratuito, ao Fundo Partidário e ao fundo eleitoral.

“Esse tipo de medida, que foi adotada para fortalecimento de partido, fortaleceu também a Câmara dos Deputados, porque colocou os olhos dos partidos mais sobre esse tipo de cargo, já que os votos na Casa têm implicações para a manutenção do recebimento do recurso e sua quantidade”, disse Graziella Testa, cientista política e professora da FGV.

Reeleição é mais cara

Os valores investidos pelos candidatos foram diferentes entre os que concorreram pela reeleição e os que não tinham mandato. Neste ano, quem buscava a recondução ao cargo desembolsou R$ 2,1 milhões, ante R$ 1,5 milhão dos novatos.

O cientista político Rodrigo Prando, professor do Mackenzie, explicou que essa diferença nas despesas é esperada, pois os parlamentares que buscam reeleição têm uma influência que pode lhes render investimento da sigla, algo que é mais difícil para os iniciantes. “A manutenção do poder é fundamental tanto quanto a conquista. Primeiro, você conquista o poder e depois você luta pela manutenção”, afirmou. “Quem conquista o poder tem de mantê-lo e a manutenção custa mais caro. Os iniciantes têm barreiras a serem transpostas e os outros, não, pois possuem força política para trazer mais recursos dentro do partido ou indiretamente.”

Para 2023, a Câmara dos Deputados terá 55% dos parlamentares reeleitos.

Mesmo com o aumento do peso das mídias digitais nas campanhas eleitorais, a maior despesa das campanhas dos candidatos eleitos foi com a produção de programas de rádio, televisão e vídeo, com gasto médio de R$ 34 mil. As despesas com impulsionamento e criação de páginas na internet ficaram em torno de R$ 12 mil cada uma.

Os deputados eleitos também investiram nos métodos de comunicação mais tradicionais para alcançar o eleitor. Os gastos médios com publicidade de carros de som e produção de jingles, vinhetas e slogans ficaram entre R$ 10 mil e R$ 9 mil, respectivamente. A produção de materiais impressos custou, em média, R$ 6 mil para os parlamentares, enquanto os investimentos em adesivos ficaram, em média, em R$ 5 mil. Na publicidade em jornais e revistas, houve um desembolso de R$ 3 mil.

Diferenças regionais

Os valores para se eleger para a Câmara se alteram também conforme o Estado. Para conquistar um mandato pelo Paraná, por exemplo, o candidato precisou investir, em média, R$ 2,2 milhões, maior valor dentre as federações. Na outra ponta do ranking está o Amapá, Estado que teve o menor valor médio, de R$ 678 mil.

Nos três Estados com maior eleitorado e mais cadeiras na Casa, os investimentos para se eleger foram altos.

Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do País, com 16,2 milhões de eleitores, a disputa por uma cadeira custou, em média, R$ 2 milhões. Em São Paulo, Estado com mais eleitores (34,6 milhões), o valor chegou a R$ 1,9 milhão. No Estado do Rio, com 12,8 milhões de eleitores, a despesa média do candidato eleito a uma vaga na Câmara foi de R$ 1,6 milhão.

Em nota, Mendonça Filho, terceiro no ranking dos deputados eleitos que mais gastaram, afirmou que a lei eleitoral foi cumprida rigidamente, tanto no processo de arrecadação, quanto no de gastos de sua campanha e que o volume de gastos foi proporcional ao valor arrecadado.

Procurados, Arnaldo Jardim e Fábio Garcia, os líderes em gastos, não responderam. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Natália Santos – Estadão Conteúdo 

VIA AGORA RN

Maior edição da história do Seminário Paulo Freire é concluída com êxito em Macaíba

 A tarde desta sexta-feira 11 foi o ensejo de conclusão do IV Seminário Paulo Freire, a maior edição da história deste evento que já é referência para professores e pesquisadores de todo o Brasil. Neste ano de 2022, foram três datas de atividades, com início na noite última quarta-feira 9 no Arco-Íris Recepções, local onde ocorreu toda a programação, que incluiu apresentações culturais da terra, mesas-redondas, palestras temáticas, literatura de cordel e exposições.

O evento é promovido pela Secretaria Municipal de Educação e tem como principal público-alvo os diretores, vice-diretores, coordenadores e professores das escolas de Ensino Fundamental II e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Macaíba. O IV Seminário Paulo Freire contou com palestras de renomadas universidades e institutos federais, bem como de faculdades privadas. Além disso, esta edição teve o envolvimento das secretarias de Cultura e Turismo e de Trabalho e Assistência Social.

Sobre o Seminário e o homenageado, Edma Maia, secretária municipal de Educação relata: “Paulo Freire ficou conhecido mundialmente por defender a educação emancipadora dos sujeitos, para que por meio da reflexão crítica possam transformar a sua realidade de vida. Paulo Freire defendia o aprender de forma coletiva. Nessa perspectiva, realizamos o IV Seminário Paulo Freire com o tema “Educação e Atualidade Brasileira – Primeiro livro de Paulo Freire 63 anos depois. Assim, homenageamos e rememoramos o patrono da Educação Brasileira”.

“Reunir cerca de 300 profissionais da educação pública municipal de Macaíba para discutir o pensamento freireano na IV edição do Seminário Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira, após o período grave que vivemos em virtude da Pandemia da Covid-19 é de profunda relevância para nossa educação, especialmente, porque é um momento de reavaliar as práticas educacionais e, acima de tudo, considerar não apenas as questões intelectuais como prioridades, mas ver nossos estudantes na sua multidimensionalidade, aspectos sociais, afetivos, físicos e culturais são mais do que nunca uma prioridade na ação, reação, ação”, declarou Silva Júnior, secretário adjunto municipal de Educação e presidente da Comissão de Organização do Seminário.

“O seminário teve sua primeira edição em 2013, e a gente trouxe esse seminário para Macaíba porque Paulo Freire é o teórico mais estudado do planeta, mais lido dentre as academias. O Rio Grande do Norte tinha uma dívida muito grande com ele. Foi aqui em Angicos que começou toda a repercussão de seu trabalho a partir do método das 40h, em 1963. Nosso seminário tem padrão ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), tem anais publicados, tem todo um teor científico que a academia preconiza.”, explicou Hailton Mangabeira, idealizador do evento e secretário municipal de Cultura e Turismo.

Além da participação de instituições federais, Hailton também destacou o Instituto Paulo Freire, o Instituto Tavares de Lyra e a Academia Macaibense de Letras, tudo isso com total apoio da Prefeitura. “O prefeito Emídio foi muito sensível com essa temática, fizemos um investimento forte e então o seminário tem uma robustez maior. Graças a Deus, um sucesso de crítica e de público desde o primeiro dia.”, completou.

FONTE: AGORARN


Noite dos Cristais: fotos inéditas mostram horror de ataque nazista a judeus em 1938


Oficiais nazistas carregando livros, supostamente para serem queimados

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Oficiais nazistas carregando livros, supostamente para serem queimados

Oitenta e quatro anos atrás, uma onda de violência em massa contra judeus na Alemanha e na Áustria deu início à escalada da perseguição nazista.

Milhares de empresas, residências e sinagogas judaicas foram atacadas — e quase 100 judeus foram mortos durante os atos de violência.

Cerca de 30 mil homens judeus foram detidos e enviados para campos de concentração. Segundo o United States Holocaust Memorial Museum, foi a primeira vez em que oficiais nazistas realizaram prisões em massa de judeus especificamente por serem judeus.

Agora, foram divulgadas fotos inéditas do pogrom (onda de ataques violentos contra judeus) de novembro de 1938 — a chamada 'Noite dos Cristais', como ficou conhecido o episódio devido aos pedaços de vidro partidos espalhados pelas ruas.

AVISO: Este artigo contém imagens fortes, que podem ser perturbadoras para alguns leitores

Pessoas observam oficial nazista atacar loja de um judeu

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Pessoas observam oficial nazista atacar loja de um judeu

Loja de judeus saqueada e destruída

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Objetos espalhados pelo chão de uma loja de judeus saqueada

As fotos foram tiradas por dois fotógrafos nazistas nas cidades alemãs de Nuremberg e Fürth.

Esses fotógrafos foram parte integrante do evento, de acordo com Jonathan Matthews, chefe do arquivo de fotos do Yad Vashem, o centro de memória israelense que divulgou as imagens.

Bancos tombados em uma sinagoga

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Bancos tombados em uma sinagoga

Soldados nazistas despejando gasolina em bancos de uma sinagoga

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Soldados nazistas despejando gasolina em bancos de uma sinagoga

Sinagoga em chamas durante o pogrom

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Sinagoga em chamas durante o pogrom

O álbum de fotos foi entregue ao Yad Vashem pela família de um soldado judeu americano que serviu na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o centro de memória, ele nunca falou sobre suas experiências durante a guerra.

Quando sua neta Elisheva Avital abriu o álbum, sentiu como se "tivessem queimado um buraco em [suas] mãos".

A fachada de uma loja destruída com oficiais nazistas de prontidão ao lado

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A fachada de uma loja destruída com oficiais nazistas de prontidão ao lado

Oficiais nazistas derrubando livros de uma estante

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Oficiais nazistas derrubando livros de uma estante

Os pogroms de 9 e 10 de novembro de 1938 são frequentemente considerados o ponto de partida do Holocausto, no qual a Alemanha nazista matou seis milhões de judeus.

Matthews diz que as fotos mostram que a violência foi organizada pelo Estado — e não foi um "evento espontâneo de uma população enfurecida", como a narrativa oficial da época sugeria.


FONTE: BBC NEWS BRASIL 

'É muito feio Lula prometer desmatamento zero na Amazônia', diz governador pró-Bolsonaro que se reunirá com Lula na COP27


Mauro Mendes, governador do Mato Grosso

CRÉDITO,ASSECOM

Reeleito no primeiro turno com quase 70% dos votos, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), vai à COP27, a cúpula do clima das Nações Unidas, com a seguinte mensagem: "Não podemos aceitar que o Brasil seja transformado no bad boy ou o patinho feio do ambientalismo internacional".

Para o governador, que é forte apoiador de Jair Bolsonaro, o Brasil faz "mais" que a maioria dos demais países na preservação do meio ambiente. E, apesar de ter piorado todos os seus indicadores ambientais na gestão do atual presidente, não merece, segundo Mendes, ser criticado pela comunidade internacional.

Nos últimos três anos, o Brasil registrou a pior taxa de desmatamento em 15 anos, o maior número de focos de incêndios em 10 anos e a maior taxa de emissão de gases poluentes em 16 anos. A destruição recorde da Floresta Amazônica, considerada crucial para o combate às mudanças climáticas, deteriorou a imagem do Brasil no exterior e travou negociações comerciais do país com nações europeias.

Mas Mauro Mendes diz que vai à COP27 cobrar "respeito ao Brasil" e que os países ricos cumpram a promessa de entregar US$ 100 bilhões por ano para financiamento de ações de combate a mudanças climáticas em nações em desenvolvimento.

"Eu sou contra o desmatamento ilegal. O que eu acho que nós brasileiros não podemos aceitar é que eles fiquem constantemente apontando o dedo para os nossos problemas quando os deles são muito maiores", disse o governador, em entrevista à BBC News Brasil.

Mendes integra o consórcio de governadores dos nove Estados que abrigam floresta amazônica. Eles vão se reunir com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira (16), em Sharm El-Sheikh, no Egito, onde ocorre a conferência da ONU.

Mas essa reunião não deve ser só de afagos. Desde a vitória nas urnas, Lula vem prometendo zerar o desmatamento na Amazônia, tanto o legal quanto o ilegal. Atualmente, a legislação brasileira permite o desmate de 20% das propriedades privadas nas áreas de floresta e exige a preservação de 80%.

A maior oposição aos planos de Lula pode vir dos próprios governadores de territórios onde há floresta amazônica, sobretudo os que apoiam Jair Bolsonaro e reproduzem as ideias do presidente. Em Mato Grosso, Estado governado por Mendes, 65% dos eleitores votaram em Bolsonaro no segundo turno.

Lula

CRÉDITO,REUTERS

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Lula vai à COP27 promter guinada na política ambiental, mas vai também se reunir com governadores de Estados com floresta amazônica que se opõem à proposta de desmatamento zero


Perguntado pela BBC News Brasil o que acha da proposta de Lula de desmatamento zero na Amazônia, Mendes disse que é um "atentado contra a nação" não permitir a exploração das "riquezas da floresta".

"É muito feio um presidente fazer uma proposta que é ilegal. Ele está fazendo uma proposta ilegal", criticou.

"Nós temos enormes riquezas minerais na região amazônica. Será desmatamento zero? Nós vamos ficar 1 milhão de brasileiros passando fome sem poder explorar essas riquezas. Se o Brasil fizer isso, é um atentado contra nossa própria nação. Nós não podemos cometer um crime contra o nosso país."

Veja os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil - Qual vai ser o foco da sua participação na COP27? Que mensagem vai levar à cúpula do clima?

Mauro Mendes - Nós estamos fazendo um esforço muito grande para reposicionar a verdade a respeito daquilo que nós fazemos no Mato Grosso e que nós fazemos no Brasil. Mas eu não posso falar pelo Brasil, falo pelo meu Estado. Nós somos uma região com grande capacidade de produção de alimentos. Nós somos o maior produtor brasileiro das commodities agrícolas e preservamos 62% do nosso território.

O mundo tem hoje o desafio da segurança alimentar e o desafio da sustentabilidade, das mudanças climáticas a da redução da emissão de carbono. E, nesse quesito, o nosso Estado está muito bem posicionado. Somos um grande produtor. Nenhuma outra região do planeta produz tantos alimentos como nós produzimos no Brasil e tem tanta preservação. Então, essa é a principal mensagem. E nessa linha, nós queremos defender mais respeito ao Mato Grosso e ao Brasil. Outras partes do planeta precisam fazer pelo menos a metade do esforço que nós fazemos para preservação ambiental.

BBC News Brasil - Mas todos os indicadores ambientais do Brasil pioraram nos últimos três anos. O Brasil registrou o pior desmatamento em 15 anos, a maior taxa de emissão de CO2 em 16 anos e o maior número de focos de incêndio em 10 anos. De que maneira isso afeta a capacidade do Brasil de continuar nessa liderança de exportação de produtos agro e de negociar com outros países?

Imagem mostra desmatamento próximo a uma floresta na fronteira entre Amazônia e Cerrado em Nova Xavantina, Mato Grosso

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Nos últimos três anos, o Brasil registrou o pior desmatamento em 15 anos, o maior número de focos de incêndios em 10 anos e a maior taxa de emissão de gases poluentes em 16 anos.

Mauro Mendes - Nós fazemos aqui um esforço muito grande, consistente e verdadeiro para combater o desmatamento ilegal. O Estado do Mato Grosso tem a melhor tecnologia hoje no Brasil para detectar e rapidamente aplicar aquilo que a lei brasileira estabelece para esses infratores, que são as penalizações administrativa e a responsabilização civil pelo Ministério Público. Hoje nós conseguimos detectar no meu Estado em 48 horas qualquer desmatamento acima de um hectare. Se ele é ilegal, nós atuamos com a autuação administrativa imediatamente e em tempo real.

A Floresta Amazônica nós compreendemos que ela é fundamental para a nossa principal atividade econômica, que é o agronegócio, e contribui fortemente para o regime de chuvas do meu Estado e a produção de alimentos. Eu acredito que o mundo, apesar de ameaças constantes, não vai tirar o Brasil como um player de fornecimento de commodities alimentares. No último ano, o preço de alimentos do mundo subiu 30%. Se tirar o Brasil e sem a Rússia, o mundo estará disposto a pagar esse preço de ter o preço de comida dobrado por conta de problemas aqui e acolá?

Eu acho que nós temos alguns problemas, sim. Existem coisas ilegais que tem de ser combatidas. Agora, o mundo precisa reconhecer o tamanho do ativo que nós temos, que os lugares do planeta têm, que o Brasil tem. Então, em vez de ficar atirando pedra de lá para cá ou de cá para lá, nós temos que nos unir para fazer o esforço que tem que ser de todos os lados, não só do Brasil.

BBC News Brasil - O Brasil é sim um importante exportador de commodities e dificilmente o mundo bloquearia por completo produtos brasileiros. Mas é um fato que negociações internacionais ficaram travadas porque há uma resistência, principalmente na União Europeia, de negociar com o Brasil diante da política ambiental que existe hoje. Tanto é que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia está paralisado. Na sua visão, o Brasil também precisa mudar a forma como está lidando com a política ambiental ou não?

Mauro Mendes - Acho que melhorias nós podemos e sempre devemos fazer em qualquer política, seja ambiental ou qualquer outra atividade pública. Mas os países ricos também não cumpriram sua promessa de pagar por serviços ambientais (em nações em desenvolvimento). Aqueles 100 bilhões de dólares por ano anunciado em diversas rodadas de negociação nunca saíram das falácias ou das conferências. Os países desenvolvidos não estão cumprindo também com a sua parte, em fazer as compensações, pagar pelos ativos ambientais de outras regiões do mundo, não só o Brasil.

Mauro Mendes, governador do Mato Grosso

CRÉDITO,ASSECOM

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'O que eu acho que nós brasileiros não podemos aceitar é que eles fiquem constantemente apontando o dedo para os nossos problemas quando os deles são muito maiores', diz Mauro Mendes

E eu sou contra o desmatamento ilegal. Agora, o que eu acho que nós brasileiros não podemos aceitar é que eles fiquem constantemente apontando o dedo para os nossos problemas quando os deles são muito maiores. A emissão de carbono em países desenvolvidos, como Estados Unidos, muitos da Europa e da China, é muito alta e o esforço deles está sendo muito pequeno. Então, eu vejo que o Brasil precisa melhorar as suas políticas de controle e o meu Estado é um exemplo disso. Agora, o que nós não podemos aceitar é que o Brasil seja transformado em um bad boy do ambientalismo internacional.

BBC News Brasil - O senhor cita avanços no Mato Grosso, mas o Mato Grosso foi o terceiro Estado com maior desmatamento entre os nove Estados que abrigam Floresta Amazônica, segundo dados do Mapbiomas divulgados em julho e relativos a 2021. O que explica isso?

Mauro Mendes - Sempre vai ter alguém que vai ser o primeiro. Se alguém desmatar três hectares, eu desmatar dois e alguém desmatar um, alguém vai ser o primeiro, o segundo, e o terceiro. Essa forma de olhar para o número, de abordar, ela talvez não seja a mais correta e mais justa. Temos que olhar nos últimos 20 anos se o desmatamento está diminuindo. E se esse desmatamento é legal ou ilegal. Se você olhar o recorte de 20 anos, Mato Grosso reduziu o desmatamento ilegal em 85% e o legal está aumentando. Porque a lei brasileira permite desmatar 20% no bioma amazônico. E isso precisa continuar. Senão, vão transformar essa parte do Brasil numa grande floresta.

BBC News Brasil - O presidente eleito, Lula, tem dado bastante ênfase na promessa de mudança da política ambiental e chegou a falar em desmatamento zero - não só o desmatamento ilegal, mas desmatamento zero na Amazônia. O que o senhor acha dessa proposta?

Mauro Mendes - Eu acho que é muito feio o presidente fazer uma proposta de algo ilegal. Ele está fazendo uma proposta ilegal. Talvez ele não saiba disso, ou talvez saiba. Ele pode até defender que ele vai tentar no Congresso Nacional mudar a lei brasileira. Eu acho que ele sabe que é ilegal o que ele está dizendo e é muito ruim começar apresentando uma proposta legal. Pode dizer: 'eu sou contra e vou no Congresso Nacional tentar mudar a lei brasileira'. E vai condenar milhões de brasileiros a viver no meio da floresta, passando fome como hoje. Nós temos milhões de brasileiros no meio da Amazônia, numa região extremamente pobre. Muitos passando na linha da pobreza.

BBC News Brasil - O argumento ao propor desmatamento zero é o de que é possível implementar atividades econômicas que não impliquem em desmatamento na Amazônia. E, em outras regiões do Brasil, utilizar milhões de hectares que já foram degradados e que atualmente estão improdutivos. Qual sua opinião sobre esse argumento?

Mauro Mendes - Tá bom. Nós temos enormes riquezas na região amazônica. Será desmatamento zero? Nós vamos ficar 1 milhão de brasileiros passando fome, sem poder explorar essas riquezas? É isso? Isso não tem a menor racionalidade. Ninguém no planeta faz isso. Se o Brasil fizer isso, é um atentado contra nossa própria nação. Vamos fazer uma conversa um pouco mais qualificada. Vamos colocar na mesa, dando maior ou menor importância aos países que protegem 80% do seu território. Eu até hoje não encontrei nenhum nessas conferências do clima. Quando eu converso com alguns interlocutores, produtores, é difícil conseguir preservar 80%. Alguém consegue entender o que é isso? E o Brasil agora quer preservar 100%.

E o que nós vamos ganhar com isso? O que o mundo vai pagar por isso? Só conversa fiada. Pouco dinheiro realmente tem sido colocado na mesa para pagar por serviços ambientais. Nós não podemos cometer um crime contra o nosso país. Nessa conversa de meio ambiente, ficam tentando colocar a nós como o patinho feio. Eu espero que nós, brasileiros, o presidente e a imprensa compreendam isso.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63617171


FONTE: BBC News Brasil 


Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...