Em Belo Horizonte, mandado de busca e
apreensão foi cumprido na casa do diretor-presidente da Companhia
Energética de Minas Gerais (Cemig), Mauro Borges. O executivo é
ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com
atuação entre fevereiro e dezembro de 2014, quando assumiu o cargo
deixado por Pimentel.
Há suspeita de que os recursos desviados
de contratos com o governo federal foram para a campanha eleitoral.
Ainda de acordo com investigadores, alguns dos locais que são alvo de
mandados de busca e apreensão nesta manhã são ligados ao governador
Pimentel.
O advogado de Borges, Marcelo Leonardo,
confirmou que os policias estiveram no imóvel, no bairro Belvedere, e
apreenderam notebook, pen-drive e um tablet. Leonardo também disse que o
executivo compareceu à Superintendência da Polícia Federal em Belo
Horizonte porque foi intimado, na condição de investigado. Segundo o
advogado, ele prestou esclarecimento e já foi liberado. O conteúdo das
declarações não foi revelado pela defesa.
A assessoria da Polícia Federal em
Brasília informou que, por determinação da Justiça, não pode se
manifestar sobre a investigação. A Cemig também não se manifestou. A
Superintendência de Imprensa do Governo de Minas Gerais disse que
somente o advogado de Pimentel vai se pronunciar sobre o caso.
O governador de Minas Gerais já havia
negado irregularidades, após buscas feitas nas primeiras fases da
operação. Nesta quinta-feira (1º), o advogado que defende Pimentel,
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, estranhou uma terceira busca e
apreensão em um curto espaço de tempo. As primeiras fases foram
realizadas em maio e em junho deste ano. Ainda de acordo com Kakay,
Pimentel não tem ligação com as empresas envolvidas nesta operação. A
defesa do governador de Minas Gerais disse não conhecer a linha de
investigação da Polícia Federal nesta terceira fase.
Em maio de 2015, quando deu início à
Operação Acrônimo, a PF buscava a origem de mais de R$ 110 mil
encontrados em um avião no aeroporto de Brasília, em outubro do ano
passado. A aeronave transportava Benedito Rodrigues de Oliveira Neto,
conhecido como Bené, dono de uma gráfica que prestou serviço para a
campanha de Pimentel ao governo mineiro.
Bené foi preso, mas liberado após pagar
fiança. Também na 1ª fase da Acrônimo, a PF fez buscas no apartamento da
mulher de Pimentel, a jornalista Carolina de Oliveira, em Brasília. Na
época, o governador classificou a ação como um “equívoco”.
“Ocorre que o mandado de busca e
apreensão foi expedido com base numa alegação, numa definição
inverídica, absolutamente inverídica”, disse o governador na ocasião.
Dois dias depois, o advogado de Carolina de Oliveira, Pierpaolo Bottini,
entregou à Justiça Federal em Brasília documentos que comprovariam a
inocência da primeira-dama mineira.
A segunda etapa da operação cumpriu
mandados de busca e apreensão em Brasília, Belo Horizonte, Uberlândia,
Rio de Janeiro e São Paulo em junho de 2015. Em Belo Horizonte, os
agentes apreenderam material em um escritório onde funcionou o comitê
campanha de Pimentel em 2014, no bairro da Serra. Em Brasília, um dos
mandados foi cumprido em uma agência de publicidade. À época, a
assessoria de imprensa do governo de Minas Gerais disse que as ações da
PF foram “abusivas”.
G1
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