O Ministério Público da Suíça já enviou aos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato cópias de extratos relativos a cinco contas bancárias abertas em nome de empresas offshores e que teriam sido usadas pela Odebrecht. A suspeita dos investigadores é que a empresa tenha repassado propina aos ex-diretores da Petrobrss Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços), Pedro Barusco (Gerência de Engenharia), Jorge Zelada (Internacional) e Nestor Cerveró (Internacional). Costa contou, por exemplo, que o executivo Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht Plantas Industriais e Participações, foi quem sugeriu a ele que "abrisse conta no exterior" para receber propinas da empresa no montante de US$ 23 milhões entre 2008 e 2009.
Os extratos podem ajudar as autoridades brasileiras a indiciar e condenar uma série de envolvidos. Mas apenas poderão ser usados se forem oficialmente enviados pelos suíços e para fins muito específicos. É por isso que a empresa tenta evitar a remessa formal dos documentos ao Brasil.
Em agosto, advogados contratados pela Odebrecht argumentaram no próprio Departamento de Justiça que o envio ao Brasil seria uma medida desproporcional por parte dos suíços e que o Brasil não teria apresentado provas suficientes que justificassem a cooperação entre os dois países. A cooperação, porém, foi adiante.
Rejeição
Não é a primeira vez que isso ocorre na relação de cooperação entre o Brasil e a Suíça. Em julho, o Tribunal de Bellinzona rejeitou recursos de duas pessoas, cujos nomes não foram revelados, que tentaram impedir que seus dados bancários fossem repassados ao Brasil e autorizou o envio dos documentos. Eles haviam sido citados em delações premiadas na Lava Jato e o Ministério Público brasileiro pediu a ajuda dos suíços para identificar as contas citadas, o que acabou ocorrendo.
Em 2003, o ex-prefeito Paulo Maluf também tentou impedir a remessa de documentos de suas contas na Suíça e o caso parou no Supremo Federal, em Lausanne. Ele acabou sendo derrotado e a Justiça deu sinal verde para que os documentos fossem compartilhados com o Ministério Público no Brasil.
No caso da Odebrecht, os procuradores suíços estão confiantes de que a Justiça seguirá o mesmo caminho, sob a justificativa de que existem suspeitas suficientes para argumentar que os documentos podem ajudar o Brasil nas investigações. Eles também consideram que atuaram dentro da lei ao exigir dos bancos o congelamento de contas e que o envio de documentos ao Brasil não é uma medida desproporcional.
Em agosto, a empreiteira também entrou com mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar obrigar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dar detalhes sobre a cooperação entre autoridades brasileiras e suíças. No dia 15, o ministro Benedito Gonçalves concedeu liminar para que o Ministério da Justiça emita uma certidão à Odebrecht. O documento deve conter todas as informações sobre a tramitação de provas bancárias enviadas pela Suíça ao Brasil e que dão base à acusação contra a empreiteira na Lava Jato.
Desde o final do ano passado, procuradores brasileiros e suíços fazem reuniões para examinar documentos de contas bancárias atribuídas a investigados na Lava Jato. Em julho, os suíços decidiram ampliar as investigações, que se limitavam à ex-diretores Petrobras e pessoas consideradas operadores de propina, para também incluir a Odebrecht. Os suíços pediram aos investigadores brasileiros para fazer "coleta de evidências documentais" e interrogar suspeitos. Um deles seria Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira.
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