Endividamento segue elevado, inadimplência avança e taxa média ao consumidor já supera 59% ao ano.
Fonte: Banco Central do Brasil / Folha de S.Paulo
As concessões de empréstimos no Brasil recuaram 6,6% em novembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central, revelando um cenário de aperto crescente no mercado de crédito, especialmente para as famílias. O movimento ocorre em meio a uma forte elevação das taxas de juros cobradas de pessoas físicas, que já atingem patamares considerados críticos.
De acordo com o BC, a taxa média do crédito livre para consumidores alcançou 59,4% ao ano — um salto de 6,2 pontos percentuais em 12 meses, mais que o dobro da alta registrada no crédito destinado às empresas no mesmo período. O encarecimento foi puxado principalmente pelas modalidades de crédito pessoal não consignado e cartão de crédito, tradicionalmente as mais caras do sistema financeiro.
Mesmo com a retração nas novas concessões, o estoque total de crédito do país atingiu a marca de R$ 7 trilhões, sustentado por contratos já firmados e ainda em fase de amortização. O dado, no entanto, não reflete melhora nas condições de financiamento, mas sim o peso de compromissos assumidos em um ambiente de juros elevados.
O endividamento das famílias permanece em nível elevado, girando em torno de 49% da renda, enquanto a inadimplência avançou 1,2 ponto percentual nos últimos 12 meses, evidenciando o impacto direto do crédito caro sobre o orçamento doméstico.
No segmento empresarial, o comportamento foi distinto. Os juros apresentaram leve recuo no mês, beneficiados por operações de capital de giro com prazos mais longos. Ainda assim, o ritmo de crescimento do crédito às empresas continua em desaceleração, refletindo cautela por parte do Sistema Financeiro Nacional diante do cenário econômico mais restritivo.
O quadro reforça a leitura de que o custo do dinheiro no Brasil segue pressionando principalmente o consumidor, ampliando o risco de inadimplência e travando o consumo — um fator que pode ter efeitos diretos sobre a atividade econômica nos próximos meses.
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