segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Detento é esquartejado em penitenciária de Potim e assassinos escrevem “novo cangaço” com sangue nas paredes

Potim (SP) — Um episódio de brutalidade extrema chocou o sistema penitenciário paulista nesta sexta-feira (26). O detento Fagner Falcão de Oliveira Silva, 36 anos, foi assassinado de forma cruel durante um motim no pátio da Penitenciária 1 de Potim, no interior do Estado de São Paulo. Outros dois presos, de 40 e 45 anos, também ficaram feridos.

De acordo com fontes da Polícia Penal, que falaram sob condição de sigilo, Fagner foi atacado com lâminas improvisadas, teve o abdômen aberto e sofreu mutilações. Em uma cena de barbárie, seus algozes teriam utilizado o próprio sangue da vítima para pichar em uma das paredes da unidade a frase “novo cangaço” — uma referência direta ao método violento empregado por quadrilhas que sitiam cidades do interior para ataques armados a bancos.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que o motim ocorreu durante o banho de sol, quando presos de um pavilhão avançaram contra detentos de outro. A situação foi contida pela Célula de Intervenção Rápida (CIR).

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que quatro homens, com idades entre 31 e 40 anos, foram presos em flagrante pelo homicídio.

Unidade dominada por facções rivais

Fontes ligadas à segurança penitenciária afirmam que a unidade de Potim se transformou em um território de disputa entre facções criminosas rivais, após deixar de ser controlada por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

“A unidade virou oposição. Cada pavilhão tem um tipo de preso. Onde não há domínio do PCC, a violência explode. Mas escrever nome com sangue é algo que nunca vi”, afirmou uma das fontes.

Denúncias de abandono e negligência

Familiares de detentos relatam que episódios de violência se tornaram frequentes e denunciam abandono administrativo, falta de resposta da direção e precariedade nas condições básicas.

“Meu parente está descalço. Enviei chinelos, alimentos e itens de higiene por Sedex há mais de um mês e ele não recebeu nada. Ninguém atende telefone, ninguém responde e-mail”, afirmou uma familiar.

Segundo relatos, em outras unidades consideradas “de oposição ao PCC”, facções rivais costumam ser separadas por raios, com lideranças responsáveis por manter a ordem interna — algo que não ocorre em Potim.

Histórico do preso morto

Documentos oficiais indicam que Fagner declarou, em 2020, pertencer à facção Massa Carcerária, do Ceará. Três anos depois, passou a integrar o Comando Vermelho, conforme registros da SAP cearense.

Até o fechamento desta reportagem, o corpo da vítima permanecia no Instituto Médico Legal (IML).


Fonte: Alfredo Henrique / Metrópoles
Imagem: Reprodução / SAP-CE

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