A Argentina vive um momento de melhora econômica sob o governo do presidente Javier Milei. A inflação, que estava acima de 200% ao ano, vem caindo drasticamente. Em março de 2025, a taxa anual chegou a 55,9%, a menor desde 2022. O índice mensal caiu para 3,7%, mostrando desaceleração contínua. A queda da inflação é atribuída a medidas fiscais e monetárias firmes.
Fim do congelamento cambial impulsionou mudanças
Ao assumir o governo em dezembro de 2023, Milei desvalorizou o peso argentino em 54%, fixando o câmbio em 800 pesos por dólar. Desde então, o governo mantém uma política de desvalorização de 2% ao mês. Essa ação criou o fenômeno da “inflação em dólares”, onde a moeda americana perde valor relativo. A medida visou recuperar a competitividade da economia. A âncora fiscal foi central para os resultados.
Corte de gastos e fim da emissão de dinheiro
O governo implementou duas âncoras: uma fiscal, com corte drástico de gastos públicos, e outra monetária, ao suspender a emissão de moeda para financiar o Tesouro. As ações ajudaram a frear a demanda e conter os preços. Especialistas afirmam que o desequilíbrio fiscal foi enfrentado com medidas impopulares, mas eficazes. O cenário anterior era de esgotamento da sociedade com a crise.
Inflação ainda alta, mas em queda expressiva
Apesar de ainda elevada, a inflação argentina vem caindo rapidamente. Em 2024, foi de 117,8%, segundo o Indec, uma queda de 94 pontos percentuais. Nos primeiros meses de 2025, as taxas mensais variaram entre 2,2% e 3,7%. A redução contínua tem surpreendido o mercado. Os dados sugerem que a política de Milei está surtindo efeito.
Peso se valoriza e dólar perde força relativa
O peso argentino foi a moeda que mais se valorizou no mundo em 2024, com ganho real de 44,2%. Isso refletiu o controle da inflação e a desaceleração do dólar. Na Argentina, o dólar é usado como unidade de conta pela população. Assim, sua estabilidade influencia diretamente os preços internos. A confiança no peso contribuiu para essa valorização.
Redução da pobreza e da indigência
A pobreza na Argentina caiu de 52,9% para 38,1% da população no fim de 2024. Já a indigência recuou de 18,1% para 8,2% no mesmo período. A inflação menor elevou a renda real dos argentinos. Com mais poder de compra, menos pessoas estão abaixo da linha da pobreza. Especialistas apontam a inflação como principal causa da vulnerabilidade social.
Superávit primário e retomada econômica
Em 13 dos 14 meses de governo, a Argentina registrou superávit primário. Em fevereiro de 2025, o valor foi de US$ 1,1 bilhão, ou 0,5% do PIB. A economia também voltou a crescer, com aumento de 6,5% na atividade em janeiro. O PIB do último trimestre de 2024 subiu 1,4% em relação ao anterior. Esses dados reforçam a recuperação gradual do país.
Novo acordo com o FMI reforça estabilidade
A Argentina fechou um acordo técnico com o FMI para uma nova linha de crédito de US$ 20 bilhões. O fundo elogiou o “impressionante progresso” na estabilização da economia. O acordo visa apoiar a nova fase de reformas e dar sustentação macroeconômica. O governo pretende usar parte dos recursos para reduzir dívidas com o Banco Central. Isso deve ampliar a previsibilidade financeira.
Desafio das reservas internacionais
Apesar dos avanços, a Argentina ainda tem baixo volume de reservas internacionais. Em janeiro de 2025, eram US$ 22,1 bilhões, 9% abaixo do mês anterior. O FMI estima que o país precise de cerca de US$ 47 bilhões em reservas. A escassez compromete a estabilidade cambial a longo prazo. A ausência de dólares torna difícil blindar a economia de choques externos.
Ambiente político desafia Milei
Mesmo com bons resultados econômicos, Milei enfrenta desafios políticos. Greves gerais e oposição sindical mostram que há resistência às reformas. O presidente, considerado impulsivo, gera incertezas com sua postura confrontadora. Analistas reconhecem avanços, mas alertam para riscos políticos. A governabilidade pode ser um entrave para a continuidade dos ajustes.
Surpresa positiva com governo outsider
Economistas classificam o governo Milei como uma “surpresa positiva”. Apesar das dificuldades, o outsider conseguiu estabilizar uma economia em colapso. As medidas, muitas vezes duras, resultaram em redução da inflação e da pobreza. O equilíbrio fiscal foi uma decisão política corajosa, segundo especialistas. A expectativa agora é de continuidade e consolidação das mudanças.
Futuro ainda incerto, mas promissor
Embora os indicadores melhorem, a Argentina ainda enfrenta problemas estruturais. A pobreza continua alta, e as reservas cambiais seguem insuficientes. Milei tem apoio popular, mas enfrenta desafios sociais e políticos. A trajetória da economia dependerá da manutenção das reformas e da confiança dos investidores. A Argentina começa a sair do caos, mas o caminho ainda é longo.
FONTE: METRÓPOLES