O vice-presidente da República Michel
Temer disse na manhã desta segunda-feira que o governo ainda não tem uma
estratégia para equacionar o déficit de R$ 30 bilhões que constará do
projeto de orçamento a ser enviado ao Congresso Nacional. Durante
palestra para empresários, em São Paulo, o vice-presidente classificou o
envio com rombo como algo “extremamente preocupante”, mas defendeu a
decisão por considerá-la uma forma de garantir a “transparência absoluta
das questões orçamentária”.
— O orçamento com déficit é uma coisa
extremamente preocupante. Mas por que o orçamento registrou o déficit?
Primeiro, para registrar a transparência absoluta das questões
orçamentárias. Ou seja, não há maquiagem nas contas.
Para Temer, é preciso construir uma solução conjunta para o problema.
— O melhor era que a transparência se
desse (logo) e disséssemos: precisamos do apoio de todos os setores da
economia brasileira. No particular, do Congresso Nacional. Temos que
construir juntos uma solução para a crise econômica — disse Temer,
mencionando o risco de rebaixamento da nota de investimento do país, em
função da explicitação do déficit, como algo “péssimo para o Brasil”.
O vice-presidente contou ter dito à
presidente Dilma Rousseff que era contra a proposta de volta da CMPF
como forma de elevação da arrecadação do governo, sepultada neste fim de
semana, devido a resistências à proposta. Para Temer, a ideia
resultaria em “derrota fragorosa no Congresso Nacional”.
— Muitas vozes se levantaram contra, eu
próprio fiz considerações à senhora presidenta, dizendo eu acho que não
pode ser feito dessa maneira, nós precisamos preparar o ambiente, que é
como se faz em ambientes democráticos. Caso contrário, nós vamos ter uma
derrota fragorosa no Congresso Nacional. A essa altura, não podemos nos
dar ao luxo de ter derrotas fragorosas de natureza política no
Congresso — afirmou.
Para Temer, a elevação da carga
tributária não é uma boa solução para o problema — ninguém quer isso,
ninguém suporta isso” — e mesmo que as propostas “ainda estejam
surgindo”, setores da sociedade e dos poderes vêm apontando o “corte de
despesas da máquina estatal” como melhor forma de lidar com o problema.
— A primeira ideia é essa. Como nós
vamos construir isso, confesso que nem eu nem o governo temos uma
estratégia determinada — admitiu o vice-presidente.
EQUILÍBRIO PARA BUSCAR SOLUÇÃO
Temer defendeu o “trabalho em conjunto” e
a busca da “harmonia social e entre poderes” como forma de alcançar o
equilíbrio político de que o país necessita.
— É evidente que não adianta agir de
cima para baixo, é preciso muitas vezes que as coisas venham de baixo
para cima. Esse direcionamento é que faz muitas vezes que os poderes do
Estado se mobilizem — afirmou.
O dirigente disse que “se a base
política (do governo) não fosse tão instável, não estaríamos passando
por tantas dificuldades”, e defendeu o reconhecimento dos erros como
forma de lidar com o problema.
— Devo registrar que o governo vem
fazendo o possível. Pode ser que erre. E acho que a melhor coisa quando
erra, é confessar o erro. Você não pode errar e dizer que não errou. O
governo tem agido dessa maneira, não tem escondido esses fatos — afirmou
o dirigente.
Temer disse que “em momentos de absoluta
tranquilidade”, os dirigentes podem considerar a defesa dos interesses
de um partido ou do governo, como prioridade.
— Mas há momentos, mais dramáticos, onde
o maior valor é o país. Ao interpretar politicamente o tema, sou
obrigado a sustentar que todos temos que nos unir em torno de um valor
maior, que é o país — afirmou o vice-presidente.
O Globo
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