Comunicada de que havia irritado
o vice-presidente ao deixá-lo de fora das tratativas sobre a recriação
da CPMF, a presidente Dilma Rousseff telefonou nesta quinta-feira (27)
para Michel Temer e pediu ajuda para defender a volta do imposto.
O vice, porém, criticou a proposta e disse que não faria “absolutamente nada” para levar a ideia adiante.
Segundo a Folha apurou, a conversa foi
bastante dura e classificada por aliados como “o primeiro embate direto”
entre Dilma e Temer. Até agora, os dois mantinham uma relação distante,
mas cordial.
A discussão sobre a volta do tributo
sobre transações financeiras, extinto em 2007 e agora visto pela equipe
econômica do governo como essencial para equilibrar as contas públicas,
pegou Temer de surpresa.
Em viagem a São Paulo, o vice afirmou na
manhã de quinta (27) que o tema era só “um burburinho”, sem saber que
Dilma estava reunida no Palácio da Alvorada com os ministros de sua
equipe econômica e Arthur Chioro (Saúde) para discutir a real
viabilidade de recriar o imposto.
A reação dos peemedebistas ligados ao
vice foi imediata. Deputados e senadores afirmam que se o PMDB precisava
de algo concreto para se afastar do governo encontrou: a CPMF.
SUSTO
A repercussão negativa do principal
aliado, além de políticos e empresários que se opõem à recriação do
tributo, assustou integrantes do governo.
No Palácio do Planalto há quem defenda
enviar a recriação da CPMF ao Congresso na segunda-feira (31), junto com
a proposta Orçamentária para 2016. Ministros do núcleo político do
governo, no entanto, ainda tentam dissuadir a equipe econômica. O
martelo será batido até domingo (30).
Na noite desta terça, Temer se reuniu
com empresários em jantar na Fiesp e disse que quer ser o “advogado” do
setor produtivo na superação da crise.
Durante o encontro, ouviu críticas ao
ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e, segundo relatos, não fez nenhum
defesa enfática da presidente.
Nesta sexta (28), o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha, ironizou a proposta do governo : “Acho que o
governo pode unir o PMDB novamente com a nova CPMF. Todos contra: eu,
Michel Temer e Renan Calheiros [presidente do Senado]”.
Folha Press
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