O resultado fiscal é um reflexo da crise
econômica que vive o país. Como as empresas produzem menos e o consumo
caiu, os entes públicos deixam de arrecadar. Além disso, os gastos
pressionam o orçamento e é difícil economizar para pagar juros da dívida
pública, que não param de subir porque o próprio governo teve de
aumentar a taxa básica para conter a inflação.
— O resultado está fortemente impactado
pelo desempenho da economia neste ano. É o resultado de uma economia
fraca e em recessão. Todos viram o resultado do PIB divulgado nesta
manhã (queda de 1,8% da economia no 2o trimestre). Uma economia com o
desempenho menor, se traduz em menor desempenho fiscal — frisou o
chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Fernando Rocha.
Somente no mês passado, os juros que o
governo deveria ter pago chegaram a nada menos que R$ 62,8 bilhões. De
janeiro a julho, o peso dessa carga é muito maior: R$ 288,6 bilhões.
Além de ser um recorde, está perto do que deveria ser pago em todo o ano
passado: R$ 311,5 bilhões.
— O resultado está impactado pelos gastos com swap cambial. Em julho, o gasto chegou a R$ 23,9 bilhões — informou Rocha.
As despesas com os chamados contratos de
swaps cambiais – instrumentos de intervenção que funciona como venda de
moeda americana no mercado futuro – aumentaram desde quando o BC
retomou a política de irrigação do mercado, apelidada de “ração diária”.
Desde 2002, o BC tem colocado contratos desse tipo no mercado para
oferecer “hedge” (ou seja, proteção) para a oscilação da moeda
americana.
Ontem, o BC apresentou o balanço do
semestre que mostrava perdas de R$ 37 bilhões. No entanto, ela é feita
com outra metodologia contábil. Pelo critério de competência, os gastos
somam R$ 66,7 bilhões. Pelo critério caixa, a despesa é de R$ 57
bilhões.
De janeiro a julho, o peso dessa carga é
muito maior: R$ 288,6 bilhões. Além de ser um recorde, está perto do
que deveria ser pago em todo o ano passado: R$ 311,5 bilhões.
Como em 2014, o setor público não tem a
menor condição de arcar com essa fatura agora. Ou seja, essa conta vai
aumentar o endividamento. Nos sete primeiros meses, as contas públicas
têm superávit primário de R$ 6,2 bilhões. A meta é economizar 0,15% do
Produto Interno Bruto (PIB).
Nos últimos 12 meses, entretanto, há um
déficit primário por causa dos constantes rombos do ano passado de nada
menos que 51 bilhões. Ou seja, o Brasil não conseguiu pagar nenhum
centavo dos R$ 451,8 bilhões em juros que deveriam ser pagos nesse
período. É uma carga de juros de 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Assim, o chamado déficit nominal (que
teoricamente deveria ser o valor dos juros menos o esforço fiscal feito
pelo governo) somou dois prejuízos: a carga de juros e o déficit
primário. Por isso, chegou a R$ 505,8 bilhões. Isso representa nada
menos que 8,81% do PIB: nunca o país teve um rombo desse tamanho,
segundo o Banco Central.
O Globo
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