A morte de Gerson de Melo Machado, conhecido como “Vaqueirinho”, de 19 anos, após invadir a jaula de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa (PB), no domingo (30/11), expôs uma tragédia que atravessa infância, abandono, doença mental, falta de assistência contínua e um sonho delirante que acompanhou o jovem por toda a vida: ir à África para domar leões.
Segundo a conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou Gerson por anos, o rapaz tinha diagnóstico de esquizofrenia e enfrentava uma trajetória marcada por vulnerabilidade desde muito cedo. Ele e os quatro irmãos foram retirados da guarda da mãe — também diagnosticada com esquizofrenia — ainda na infância. Enquanto todas as outras crianças foram adotadas, Gerson permaneceu nos abrigos do Estado.
Uma vida marcada por delírios e tentativas extremas
A conselheira relata que Gerson sempre manifestou a ideia fixa de se tornar um domador de leões na África. Em uma das situações mais graves, foi encontrado escondido no trem de pouso de um avião, que acreditava estar prestes a decolar rumo ao continente africano.
Sem conseguir ser adotado e com acompanhamento irregular, Gerson cresceu acumulando episódios de fuga, instabilidade e conflitos com a lei. Desde criança, passou por instituições socioeducativas e teve diversas abordagens policiais.
Na sexta-feira (28), dois dias antes da tragédia, ele havia sido liberado após tentar danificar caixas eletrônicos no bairro de Mangabeira. Horas depois, foi detido novamente por apedrejar uma viatura da Polícia Militar. Testemunhas relataram que o jovem dizia querer ser preso porque estava com fome e não tinha onde dormir.
O ataque no zoológico
Por volta das 11h deste domingo, Gerson escalou a estrutura lateral da jaula da leoa Leona. Utilizando uma árvore, conseguiu acesso ao interior do recinto. Minutos depois, foi atacado fatalmente pelo animal.
O Parque Zoobotânico foi imediatamente fechado, e as visitas suspensas. A prefeitura informou que investiga as circunstâncias da invasão e manifestou solidariedade à família.
Repercussão e investigação
A Secretaria de Segurança da Paraíba ainda não se pronunciou oficialmente. O caso levanta discussões sobre falhas na rede de proteção social e nos serviços de saúde mental, além de reforçar debates sobre segurança em zoológicos e acompanhamento adequado para jovens com transtornos psiquiátricos severos.
O Correio Braziliense aguarda retorno da Secretaria para atualizar a reportagem.
Fonte: Junio Silva/Correio Braziliense
Foto: Reprodução
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