A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (25), requerimentos para convidar autoridades e familiares a prestarem esclarecimentos no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os nomes estão os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Também foram aprovados convites à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, e ao empresário José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro Toffoli. Por se tratar de convites — e não convocações formais —, o comparecimento é facultativo, circunstância que limita, ao menos de imediato, o alcance prático da medida.
Inicialmente, os requerimentos previam convocação obrigatória, mas a proposta foi retirada de pauta pelo presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato, diante da falta de consenso entre os integrantes do colegiado. A decisão provocou críticas de parlamentares da oposição, que interpretaram o gesto como recuo político na condução das investigações.
O requerimento para ouvir Alexandre de Moraes foi apresentado pelo senador Eduardo Girão, que apontou a necessidade de esclarecimentos sobre reuniões do ministro com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, ocorridas durante o período de crise do Banco Master. Moraes e Galípolo sustentam que a liquidação da instituição não foi tema dos encontros e afirmam que as reuniões trataram exclusivamente de assuntos relacionados à Lei Magnitsky.
Apesar das negativas, parlamentares defendem que a proximidade temporal entre decisões judiciais, reuniões institucionais e fatos financeiros sob investigação justifica a oitiva. O episódio também ganhou contornos políticos, sendo explorado por setores da oposição que questionam a atuação de Moraes, relator de processos relevantes que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
O convite à advogada Viviane Barci de Moraes baseia-se em reportagens que mencionam contratos profissionais de seu escritório com o Banco Master. O autor do requerimento destacou que não há imputação direta de irregularidade, mas argumentou que eventuais vínculos profissionais com instituição investigada demandam transparência.
A Procuradoria-Geral da República, chefiada pelo procurador-geral Paulo Gonet, arquivou em dezembro pedido de investigação envolvendo Moraes, sua esposa e o banco, ao concluir pela inexistência de elementos que indicassem ilícito.
Quanto ao ministro Dias Toffoli, os requerimentos destacam decisões proferidas quando o magistrado era relator de processo no STF e apontam questionamentos sobre possíveis conexões econômicas familiares com empreendimentos ligados ao Banco Master. O texto ressalta, contudo, que não há acusação direta contra o ministro, mas sustenta que o contexto suscita debate sobre eventual imparcialidade objetiva.
O convite ao empresário José Carlos Dias Toffoli foi fundamentado em reportagens que indicam participação societária em empreendimento turístico no Paraná relacionado a operações envolvendo o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. De acordo com os documentos apresentados à CPI, a participação teria sido encerrada em 2025, após transações com fundos integrantes do mesmo ecossistema financeiro investigado.
A CPI segue em fase de coleta de informações e análise de requerimentos, enquanto parlamentares discutem os próximos passos das apurações e a eventual realização das oitivas.
Fonte: Hora Brasília.
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