Considerados os principais alvos da Operação Carbono Oculto, os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, ambos foragidos da Justiça, estão negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). As tratativas ocorrem com promotores especializados no combate ao crime organizado.
A operação mirou o chamado “andar de cima” do PCC, atingindo empresários, operadores financeiros e empresas instaladas na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo. Apesar de figurarem como peças centrais da investigação, Mohamad e Roberto negam qualquer vínculo com a facção criminosa.
De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, os dois afirmam deter informações consideradas explosivas, capazes de comprometer uma ampla rede de agentes públicos. Em declarações atribuídas a interlocutores do caso, o material reunido pelos empresários seria suficiente para “derrubar metade do Congresso Nacional”, envolvendo mais de R$ 500 milhões em pagamentos ilícitos a parlamentares e autoridades.
Segundo essas fontes, os empresários alegam possuir uma extensa coleção de mensagens de WhatsApp, registros de encontros presenciais e operações realizadas por meio de interpostas pessoas (‘laranjas’) para a entrega de propinas. Os pagamentos teriam sido feitos em troca de favorecimentos e ‘alívio regulatório’ no setor de combustíveis, explorado por eles por meio de uma vasta rede de postos supostamente ligada ao crime organizado.
O chefe do MPSP acrescentou que qualquer pessoa envolvida em qualquer etapa da cadeia criminosa deverá prestar esclarecimentos e poderá responder nas esferas penal, administrativa e cível.
A eventual celebração de acordo de colaboração premiada ainda não está sob análise direta da Procuradoria-Geral, permanecendo sob avaliação dos promotores responsáveis pela Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto do ano passado.
A Carbono Oculto é apontada como a maior ofensiva já realizada no país contra a infiltração do crime organizado na economia formal, atingindo não apenas o setor de combustíveis, mas também fintechs e fundos de investimento sediados na região mais valorizada do mercado financeiro paulista.
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