Em uma série de recados
velados ao PT e à presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002) afirmou que não se atravessa uma crise de
confiança só com ações técnicas e publicidade enganosa.
“É preciso que haja crença, esperança.
Você não engaja ninguém se não tiver liderança que diga com clareza o
que está fazendo e o que vai fazer”, iniciou, rememorando o caminho que
percorreu para dar credibilidade ao plano Real.
“Esqueça por um momento a propaganda e
abra o coração, abra o jogo ao Brasil. Vamos ter que ter um momento do
‘Brasil de verdade’, de dizer: ‘erramos nisso e nisso, acertamos nisso e
vamos chegar nisso'”, recomendou.
Foi a segunda vez que o tucano
recomendou publicamente um mea-culpa aos integrantes do partido que
ocupa o Planalto desde 2003. Para FHC, o país está “sem rumo” e os
brasileiros “atônitos”. Ele disse ainda que cenários como esse não se
resolvem com “um ato, mas com processos”.
“Não existe um salvador da pátria”, concluiu.
Numa referência indireta ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, FHC disse que, entre os anos de
2007 e 2008 o país se perdeu em um “delírio” megalomaníaco.
“Até que viram que a crise não era era
uma marola e, em vez de termos nos preparado para fazer o que era
preciso ser feito, não fizemos. Não fizemos na saúde, não fizemos
investimentos”, afirmou.
O ex-presidente falou sobre o quadro
nacional durante aula inaugural da ESPM, instituição de ensino superior
de São Paulo. Ele deixou o evento sem falar com jornalistas e não quis
responder sobre a prisão do ex-ministro da Casa Civil de Lula, José
Dirceu.
“Eu nem sabia”, disse.
LIDERANÇAS NOVAS
FHC também destacou que será preciso
renovar lideranças e gerações no comando da política. Ele não citou
nomes de seu partido ou de outros como exemplos ou modelos a serem
seguidos. Sempre que se referiu a políticos, falou de nomes do passado,
como Tancredo Neves.
Folha Press
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