O ministro do STF (Supremo
Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (4) que o
escândalo de corrupção da Petrobras e o mensalão têm a mesma raiz e
mostram a corrupção como “sistema de governo, como forma de organizar a
administração pública”.
Segundo o ministro, “é chocante” que
enquanto o STF investigou e condenou integrantes da cúpula do PT,
políticos aliados e banqueiros por desvio de recursos públicos para
compra de apoio político no Congresso durante o início do governo Lula
-o caso do mensalão-, o mesmo modelo era desenvolvido na Petrobras.
A Polícia Federal prendeu nesta segunda
(3) o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), que foi condenado no
mensalão, por suposta participação nas irregularidades na estatal. De
acordo com as investigações, o petista continuou a receber propina do
esquema mesmo após ser condenado e preso no mensalão.
“Me parece que há uma mesma raiz para
tanto o fenômeno do mensalão quanto este do chamado petrolão, e agora
eletrolão, e quantos aõs venham ainda. Me parece que há uma mesma
matriz, é uma forma de governar, é um modelo de governança. E isso que é
problemático nessa história toda”, afirmou o ministro.
“Acho algo realmente de proporções
inimagináveis. A corrupção como sistema de governo, como forma de
organizar a administração, realmente é algo impensável”, completou.
Na segunda, o procurador da República
Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação
Lava Jato, já tinha afirmado que o esquema de corrupção na Petrobras
utilizou o mesmo procedimento do mensalão: a compra de parlamentares
para formação de apoio ao governo.
O ministro Mendes afirmou que o
Ministério Público Federal “por alguma razão” não levou a frente a
recomendação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Correios,
que investigou o mensalão, para apurar fraudes nos fundos de pensão.
Em depoimento à Polícia Federal na
Operação Lava Jato, um advogado revelou o funcionamento de um esquema de
notas fiscais fajutas que permitiu, segundo ele, o pagamento de
“propina na Petros”, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras.
“A CPI recomendou, só que por alguma
razão na Procuradoria isso não teve desfecho, não teve seguimento, se
concentrou nesse processo, em suma, felizmente esse tema andou. Então,
quando a gente fala que o mensalão ficou limitado a isso é claro que a
gente sabe que se tivesse havido uma investigação talvez já se tivesse
detectado essas conexões”, afirmou.
CASSAÇÃO
Vice-presidente do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), Gilmar Mendes disse que é preciso aguardar o avanço
das investigações da Justiça Eleitoral sobre eventual ligação da
campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff com as
irregularidades da Petrobras.
“Tem depoimentos nesse sentido, mas isso vai ter que ser devidamente investigado”, disse.
O ministro, que foi relator das contas
de campanha de Dilma, defendeu maior controle e fiscalização dos gastos
de campanha. Ele afirmou que talvez com mais tempo para análise da
prestação de contas, “talvez tivesse outros vetores nessa matéria”.
“Talvez, nós não tenhamos mais de dez
servidores com maior graduação para esta área. É claro que desta feita
nós buscamos ajuda, TCU, Receita Federal, Banco Central, e conseguimos
ter um aporte, mas tópicos. Tivemos algum tipo de resposta. Mas é muito
difícil fazer esse acompanhamento, tendo em vista os prazos de análise
que temos que fazer até a data da diplomação. Se nós soubéssemos o que
sabemos hoje, para ficar no pagode do Lupicínio Rodrigues, a gente
talvez tivesse outros vetores nessa matéria”, disse.
Folha Press
Nenhum comentário:
Postar um comentário