A Prefeitura do Natal deu início nesta sexta-feira (31) ao processo de definição do novo projeto de urbanização e paisagismo da orla de Ponta Negra, principal cartão-postal da capital potiguar. O primeiro grande debate público foi realizado em um hotel da região e reuniu técnicos, moradores, empresários, pescadores, vereadores, representantes de universidades e entidades civis.
O encontro marcou o início oficial de uma escuta popular que norteará o concurso nacional de arquitetura, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), para selecionar o projeto que irá transformar a praia. Segundo o secretário Arthur Dutra, coordenador do Grupo de Trabalho “Nova Ponta Negra”, o objetivo é conduzir o processo com transparência, técnica e participação cidadã.
“O que estamos fazendo aqui é ouvir a cidade de verdade. Queremos críticas, sugestões e construção conjunta para a nova Ponta Negra”, afirmou Dutra, destacando que o grupo envolve diversas secretarias e a Procuradoria-Geral do Município. “Nenhum projeto será feito a portas fechadas. A cidade inteira poderá opinar sobre o que quer ver na nova orla.”
Durante a audiência, foram apresentadas as nove premissas que orientarão o edital, incluindo ampliação da caminhabilidade, preservação da topografia, criação de áreas verdes, uso de materiais sustentáveis, acessibilidade universal, preservação da identidade cultural e paisagística, estímulo ao lazer e convivência, e reforço da resiliência costeira diante das marés e da urbanização.
A arquiteta Ana Luiza Lamas, da Secretaria de Planejamento, detalhou o diagnóstico técnico preliminar, que aponta 2,8 km de extensão e 88 mil m² de área de intervenção, entre o Morro do Careca e o Hotel Aram. “A orla é um organismo vivo, com comércio, serviços, hospedagem, pesca e moradia. Precisamos respeitar essa diversidade e corrigir falhas históricas, como falta de arborização, acessibilidade precária e drenagem deficiente”, afirmou.
Durante as discussões, surgiram consensos e divergências. O empresariado defendeu o reflorestamento e integração do turismo com infraestrutura, enquanto representantes da comunidade, como a marisqueira Rayane, pediram participação ativa da população e correção de problemas estruturais. A vereadora Brisa Bracchi destacou a importância de valorizar a cultura local e a pesca artesanal, garantindo que profissionais potiguares participem da execução.
O arquiteto Luciano Barros, do IAB, explicou que o concurso público será democrático e técnico, com expectativa de participação de cerca de cem escritórios e uma comissão julgadora qualificada. “Nosso papel é garantir que a cidade escolha a melhor proposta possível, e não apenas a mais bonita”, disse.
O deputado Luiz Eduardo reforçou a necessidade de equilíbrio entre preservação e desenvolvimento, lembrando que o turismo representa 35% do PIB potiguar e 70% dos empregos formais.
A Prefeitura confirmou que duas novas audiências públicas serão realizadas antes do lançamento do edital e todo o material já está disponível no canal oficial da Prefeitura no YouTube. “Este é o primeiro passo de um processo coletivo. A nova Ponta Negra será construída com a voz da cidade”, concluiu Arthur Dutra.

