domingo, 2 de novembro de 2025

Alexandre de Moraes determina preservação integral das provas da operação no Rio e convoca audiência com entidades de direitos humanos

Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes atua como relator temporário da ADPF das Favelas Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (2) a preservação completa e a documentação detalhada de todas as provas relacionadas à megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos. A medida busca garantir a transparência e a possibilidade de análises independentes sobre a ação, considerada uma das mais letais da história recente do estado.

A decisão atende a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU), que solicitou ao Supremo a manutenção das provas periciais e o acesso de especialistas independentes às evidências coletadas. O objetivo é permitir a produção de contraprovas técnicas e imparciais, diante das suspeitas de execuções e abusos policiais durante a operação.

“A preservação integral do material é imprescindível para a verificação da legalidade e legitimidade da atuação estatal”, destacou Moraes no despacho.

Acesso às perícias e audiência pública

De acordo com a decisão, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro também terá acesso a todo o conteúdo periciado. Moraes, que atua como relator temporário da ADPF das Favelas — ação que discute a letalidade policial nas comunidades fluminenses —, marcou uma audiência conjunta para o dia 5 de novembro, às 10h, na sala da Primeira Turma do STF.

O encontro reunirá entidades de direitos humanos e coletivos sociais que atuam nas periferias cariocas. Entre os convidados estão:

  • Conselho Nacional de Direitos Humanos

  • Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj

  • Instituto Anjos da Liberdade

  • Conectas Direitos Humanos

  • Redes da Maré

  • Educafro

  • Justiça Global

  • Instituto de Estudos da Religião (ISER)

  • Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência

  • Coletivos Fala Akari e Papo Reto

  • Movimento Negro Unificado (MNU)

  • Instituto de Defesa da População Negra (IDPN)

  • Mães de Manguinhos

  • Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA)

As entidades devem indicar seus representantes até as 15h da próxima terça-feira (4).

Audiência com o governo fluminense

Por outro lado, Moraes negou o pedido de participação da DPU na audiência marcada para segunda-feira (3), quando o governador Cláudio Castro (PL) e integrantes da cúpula da segurança pública do estado — incluindo o secretário de Segurança, o comandante da PM, o delegado-geral da Polícia Civil e o chefe da perícia criminal — deverão prestar esclarecimentos sobre a operação.

Contexto da ADPF das Favelas

A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, foi apresentada ao STF em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com o intuito de reduzir a violência policial nas comunidades do Rio e estabelecer protocolos de controle sobre a letalidade das ações.

Em abril deste ano, o Supremo homologou parcialmente um acordo com o governo fluminense, que prevê a elaboração de um plano de retomada de territórios dominados por facções criminosas e a divulgação mais transparente dos dados de operações com mortes.

Com a nova decisão, Moraes reforça o papel do STF como fiscal da legalidade das ações policiais e guardião dos direitos fundamentais, em um momento de forte tensão entre o governo estadual e entidades da sociedade civil.

A audiência de terça-feira promete ser um marco no debate sobre segurança pública e direitos humanos no Brasil, colocando frente a frente autoridades, juristas e movimentos sociais em busca de respostas para uma das maiores tragédias recentes do país.


FONTE: AGORA RN 

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