A cerca de 120 dias de deixar o Executivo para disputar o Senado em 2026, a governadora Fátima Bezerra (PT) deve entregar ao próximo gestor um cenário fiscal delicado, que já acende o alerta entre parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Segundo o relator da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, deputado Tomba Farias (PL), o Estado acumula aproximadamente R$ 6,3 bilhões em dívidas com fornecedores, outros R$ 6 bilhões em precatórios e enfrenta um déficit mensal de R$ 170 milhões na Previdência Estadual.
Durante sessão realizada no último dia 12, Tomba relatou um encontro com o vice-governador Walter Alves e destacou a difícil missão que ele ou qualquer futuro sucessor terá pela frente. Conforme o parlamentar, somente a folha de pagamento já ultrapassa R$ 968 milhões, sem considerar os impactos de promoções e nomeações de servidores concursados — valores que somam R$ 48 milhões, R$ 78 milhões e mais R$ 342 milhões previstos para fevereiro, elevando o custo mensal com pessoal para cerca de R$ 1,3 bilhão.
O relator da LOA ressalta ainda que a previsão de receita para 2026 é de R$ 25,67 bilhões, enquanto as despesas projetadas chegam a R$ 27,22 bilhões, configurando um desequilíbrio estrutural nas contas públicas.
O deputado Luiz Eduardo (SDD) lembrou que o governo defendeu, na Assembleia, que o aumento da alíquota modal do ICMS de 18% para 20% seria suficiente para estabilizar a situação financeira do Estado. Entretanto, segundo ele, “o que se vê é atraso no pagamento dos aposentados, dívidas crescentes com fornecedores e falta de compromisso com a população do Rio Grande do Norte”.
Já o deputado José Dias fez críticas mais amplas à condução política do governo, afirmando que Fátima Bezerra “é dominada por uma burocracia encastelada na liderança do PT”, citando setores como Casa Civil e Secretaria de Tributação. Ele mencionou ainda o nome do secretário Cadu Xavier, apontado como potencial candidato do partido ao governo, criticando a falta de expressão política do auxiliar.
O quadro descrito pelos parlamentares reflete uma preocupação crescente com o futuro das finanças estaduais e indica que o próximo chefe do Executivo terá uma tarefa árdua para equilibrar as contas e retomar a estabilidade fiscal.
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