sexta-feira, 28 de novembro de 2025

“Matei porque cansei de apanhar”: mulher que matou e queimou ex em 2023 é presa após assassinar enteada no DF

 

A trajetória criminal de Iraci Bezerra dos Santos Cruz, 43 anos, presa na última sexta-feira (21/11) pelo assassinato da enteada de 7 anos na Cidade Estrutural (DF), revelou um histórico ainda mais grave: antes de enforcar a criança, a maranhense já havia matado a tiros e queimado o corpo do ex-companheiro, Marcos Gomes, em dezembro de 2023, no interior do Pará.

A informação consta em depoimentos feitos à Polícia Civil pelos antigos patrões do casal, que confirmaram ter ciência de episódios de agressão cometidos por Marcos contra Iraci. No dia do homicídio, ela ligou espontaneamente para a ex-patroa e assumiu o crime:
“Eu matei ele lá, pode chamar a polícia… Matei porque cansei de apanhar.”

Confissão e fuga após o crime no Pará

Iraci e Marcos trabalhavam como caseiros em uma fazenda no distrito de Castelo dos Sonhos, município de Altamira (PA). Após confessar o assassinato à ex-patroa, ela incendiou o corpo do companheiro e parte da arma utilizada — uma espingarda calibre 28, pertencente a Marcos — antes de fugir. No local, a polícia encontrou a arma com as digitais da mulher e uma mala deixada para trás com roupas e documentos.

Testemunhas relataram que Iraci tinha filhos empregados em um supermercado da região. Depois do crime, ela desapareceu do município.

O Ministério Público do Pará (MPPA) pediu a prisão preventiva da suspeita, deferida pela Justiça. Entretanto, o mandado só foi cumprido quase um ano depois, quando ela voltou a matar — desta vez, a própria enteada, em Brasília.

O assassinato da enteada no Distrito Federal

Segundo a Polícia Civil do DF, Iraci utilizou um cinto para enforcar a menina e deixou o corpo pendurado em uma pilastra dentro da residência onde vivia a família. Logo após o crime, ela caminhou até a 8ª DP, na Cidade Estrutural, e se entregou voluntariamente, confessando o delito.

Informações preliminares apontam que a motivação pode estar relacionada a ciúmes da relação do marido com a filha, hipótese ainda apurada pela PCDF, que investiga o histórico familiar e eventuais episódios prévios de violência.

A criança, descrita por vizinhos como “carinhosa e tranquila”, teve o óbito confirmado no local pelo Corpo de Bombeiros.

Desdobramentos judiciais

Após a prisão de Iraci no DF, a Justiça do Pará expediu carta precatória para que ela também seja responsabilizada pelo homicídio de Marcos Gomes, cometido em 17 de dezembro de 2023.

A PCDF encaminhou o caso da enteada ao Judiciário como homicídio qualificado, com agravantes que podem elevar a pena da acusada.


Fonte: João Paulo Nunes/Metrópoles

Foto: Material retirado do processo

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