quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Vereador de São João de Meriti é preso acusado de apoiar facção na construção de barricadas

 

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta terça-feira (25), o vereador Ernane Aleixo (PL), de São João de Meriti, durante a Operação Muro de Favores, que investiga um esquema de colaboração criminosa com o Terceiro Comando Puro (TCP), segunda maior facção do estado. O parlamentar foi detido em casa, após agentes arrombarem o portão, e outras quatro pessoas também foram presas.

Ernane, terceiro vereador mais votado nas eleições municipais do ano passado, é apontado como responsável por oferecer suporte logístico ao grupo criminoso em troca de vantagens políticas e financeiras. Segundo as investigações, áudios e mensagens interceptadas indicam que o parlamentar teria cedido maquinário e infraestrutura para a instalação de barricadas na região de Vilar dos Teles, dificultando o acesso das forças de segurança e a oferta de serviços públicos.

O delegado Vinícius Miranda afirmou que as apurações revelam “uma clara troca de favores”, mas que a situação é agravada pelo potencial uso de bens públicos em ações que beneficiariam o crime organizado. “Houve o uso aparente de um bem público contra o povo, para erguer barricadas”, disse.

Na residência do vereador, os agentes apreenderam quantias em dinheiro.

A operação

A ação policial cumpriu oito mandados de prisão e 36 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de São João de Meriti. A Operação Muro de Favores é coordenada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) e integra a estratégia Barricada Zero, do governo estadual, que visa retomar áreas controladas por facções.

De acordo com a Polícia Civil, o TCP mantinha uma rede de “favores” com políticos locais para assegurar domínio territorial em comunidades da Baixada Fluminense, como Trio de Ouro (Meriti), Guacha e Santa Tereza (Belford Roxo). As investigações também apontam que Ernane teria negociado vagas de emprego em um hospital da região em troca de apoio eleitoral.

O núcleo criminoso investigado era comandado por Marlon Henrique da Silva, conhecido como Pagodeiro, preso no ano passado e considerado braço direito de Geonário Fernandes Pereira Moreno, o Genaro, líder do TCP na região. Pagodeiro admitiu em depoimento ter assassinado três pessoas, incluindo uma mulher, durante um confronto com uma facção rival há dois anos. Sua companheira, Luciana Adelia Theofilo, também foi presa nesta terça-feira.

Objetivo da ação

A operação mira desarticular a cadeia de comando e o fluxo financeiro do TCP, além de remover barricadas e recuperar áreas dominadas pelo crime. O grupo é investigado por tráfico de drogas, homicídios, extorsão a comerciantes e lavagem de dinheiro.

Com informações do G1.

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