segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Uso do celular no banheiro pode aumentar risco de hemorroidas em até 46%, aponta estudo

 

Um estudo publicado na revista científica PLOS One acendeu um alerta sobre um hábito comum entre adultos de todas as idades: usar o celular enquanto está sentado no vaso sanitário. A pesquisa, conduzida pela gastroenterologista Trisha Pasricha, da Escola de Medicina de Harvard, indicou que o comportamento pode elevar em até 46% o risco de desenvolver hemorroidas.

A investigação incluiu 125 adultos em colonoscopias preventivas. Metade dos participantes que utilizava o smartphone no banheiro relatou permanecer mais tempo sentado do que o necessário — tempo suficiente para aumentar a pressão sobre músculos e tecidos do assoalho pélvico.
Segundo Pasricha, o assento aberto “aumenta a pressão sobre os músculos do assoalho pélvico, o tecido conjuntivo em torno das hemorroidas e sobre as próprias hemorroidas”.

As hemorroidas são estruturas vasculares normais localizadas na junção entre reto e ânus. O problema surge quando se dilatam devido a esforço excessivo, causando dor, ardência, coceira e até sangramento. Embora comuns — mais da metade dos adultos terá o problema ao menos uma vez na vida — o tema ainda é considerado tabu.

Tempo no vaso deve ser limitado a cinco minutos

Especialistas alertam que o tempo prolongado no banheiro é um dos principais fatores de risco.
Pasricha recomenda um limite absoluto: cinco minutos por evacuação.
Entre as orientações médicas estão ainda evitar o celular, adotar postura adequada com joelhos elevados, aumentar o consumo de fibras e buscar ajuda profissional sempre que necessário.

Para reduzir a distração causada pelo smartphone, Pasricha sugere até uma regra prática: a “regra dos dois TikToks” — se dois vídeos já passaram, é hora de levantar.

O coloproctologista Ulrich Tappe reforça que a ingestão de fibras é fundamental para facilitar o trânsito intestinal. “As fibras podem amolecer as fezes endurecidas, evitando o esforço”, afirmou. Segundo ele, o problema tende a piorar com a repetição do esforço durante a evacuação.

Tema ainda é tabu, mas conscientização cresce

O professor Mauro D’Amato, da Universidade LUM, na Itália, lembra que hemorroidas e distúrbios intestinais ainda são assuntos pouco discutidos. Em um estudo genômico conduzido no Instituto Karolinska, na Suécia, D’Amato identificou 102 regiões genéticas associadas ao risco aumentado de hemorroidas.

Para ele, o interesse público vem crescendo, especialmente após relatos de influenciadores que vivenciam o problema. “Quando pessoas famosas falam sobre o assunto, muitos se identificam e procuram ajuda médica. Isso contribui significativamente para o avanço da ciência”, afirmou.

Crescente entre jovens

O uso constante do celular no banheiro também tem alterado o perfil dos pacientes.
Pesquisas mostram que mais da metade dos adultos na Alemanha leva o smartphone para o banheiro, número que ultrapassa 80% entre jovens de 25 a 34 anos.
Segundo D’Amato, a idade média de início das hemorroidas está diminuindo.

Por outro lado, Pasricha lembra que o problema não surgiu com os celulares: “O risco aparece quando a distração ofusca o verdadeiro motivo de ir ao banheiro — e você até esquece por que foi”.

Tappe, porém, pondera que os smartphones não devem ser vistos como um fator isolado. “As hemorroidas estão relacionadas principalmente aos movimentos intestinais e à alimentação”, afirmou.

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