segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Lula se vê isolado no Congresso após crises simultâneas com Hugo Motta e Davi Alcolumbre

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atravessa um dos momentos políticos mais delicados de seu terceiro mandato: pela primeira vez, enfrenta desgaste simultâneo com os chefes das duas Casas do Congresso. A tensão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cria um ambiente de instabilidade às vésperas das articulações eleitorais para 2026.

O atrito com Motta se intensificou após a disputa envolvendo o PL Antifacção. Embora o texto tenha nascido no Executivo, Motta entregou a relatoria ao deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ligado à oposição. O relatório endurecido, aprovado pela Câmara, irritou profundamente a base governista e expôs publicamente o desgaste entre o Planalto e o comando da Casa.

A crise só não se prolongou porque o Senado decidiu atuar como amortecedor. Alcolumbre nomeou um relator mais alinhado ao governo, permitindo ao Planalto tentar corrigir trechos considerados excessivamente duros pela equipe presidencial.

Mas foi justamente no Senado que surgiu um conflito ainda mais sensível. A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal contrariou Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A escolha, anunciada sem aviso prévio ao presidente do Senado, azedou a relação entre ambos. Bastidores relatam que o incômodo foi imediato e profundo.

O cenário tende a se agravar com as discussões do Orçamento de 2026. O Congresso cobra um calendário rígido para o pagamento das emendas parlamentares, enquanto o governo tenta flexibilizar as regras. A disputa se torna ainda mais estratégica porque o STF — justamente o tribunal para o qual Messias foi indicado — costuma arbitrar conflitos desse tipo. Em decisões anteriores, inclusive, a Corte seguiu interpretações defendidas pela AGU.

Com choques simultâneos com Motta e Alcolumbre, Lula inicia um período crítico de negociações fragilizado. A pressão política das duas Casas, somada à aproximação do ciclo eleitoral de 2026, coloca o governo num tabuleiro complexo, em que cada movimento tende a ampliar — ou aprofundar — o isolamento do Planalto no Congresso.


Metrópoles

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